Teahupoo tempera Baianinho

Além de projetar aviões, Marcos Monteiro Loyola Costa, o Baianinho, projeta sua vida em torno de tubos e aventuras pelas melhores ondas do planeta.

 

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Nesta entrevista exclusiva ao fotógrafo Bruno Lemos, Baianinho conta um pouco de seu envolvimento com o surf, iniciado nas praias de Salvador, até chegar à recente trip ao Tahiti, onde passou o maior sufoco de sua vida, tudo para não atrapalhar uma onda do local Laird Hamilton.

 

Fale um pouco de você e do que faz da vida…
Nasci em Salvador e comecei a surfar com 11 anos. Meus picos preferidos eram Jaguaribe, Itapoã e Stella Maris. Lembro que nem conseguia carregar a prancha direito. Época boa! Aos 15 anos, acabei morando no Rio de Janeiro quando minha família para o Condomínio Nova Ipanema, na Barra da Tijuca. Lá surgiu o apelido ?Baianinho? e começou meu interesse pelos tubos e pelas ondas maiores.

 

Eu via a galera ali do posto 8 (Nipa Brothers!) pegando altos tubos. Caras como Léo Lemos (Ibinha), Alexandre Amigo (Amiguinho), Bruno (Bicho), Cristian Piani (Ratinho), Giuseppe Schembri (Pepe), Eduardo Siqueira (Godum), Paulinho (Sem- noção), entre outros. Hoje são todos meus grandes irmãos! Espelhava-ve muito naqueles caras para puxar meu limite ao máximo dentro d?água, sempre buscando os tubos, não me importava muito com as manobras.

 

Não deu outra, fiquei viciado pela brincadeira e desde então coloquei na cabeça que, entre um projeto de avião e outro, eu iria atrás dos tubos ao redor do mundo, assim como um outro baiano muito casca-grossa que tenho como grande ídolo, Danilo Couto.

 

Sei também que tem outros baianos aí pelo mundo se jogando nas ondas mais incríveis do planeta, Kevin Kennedy (meu ex-vizinho em Salvador), Marcio Freire, Iuri Soledad, Andre Rei… Haja azeite de dendê e acarajé no mundo pra sustentar tanto baiano! Só tem doido!

 

Apesar da falta de patrocínio, venho com muito esforço conquistando meus objetivos (graças a Deus e à Yemanjá).

 

Nos últimos anos consegui andar (e também tomar caldos bizarros, vixe Maria!) por dentro dos salões na Costa Rica (Salsa Brava e Playa Bonita), Panamá (Bocas del Toro), Peru (Lobitos, Cabo Blanco, Pacasmayo e Pico Alto), Indonésia (Uluwatu, Padang, G-Land) e, em julho deste ano, Taiti, no tubo mais poderoso deles, Teahupoo.

Este é um capítulo à parte, pois estava lá quando rolou o maior swell da temporada de 2006.

 

O próximo objetivo é a temporada no Hawaii (Pipeline / Backdoor). Já tenho o visto de entrada na mão, venho me preparando fisicamente para o desafio, porém estou em busca de um patrocinador para me apoiar e tornar viável mais esse feito. Falta pouco!

 

Enquanto isso, projeto avião, e, ao mesmo tempo, fico pensando em como aproveitar a tecnologia usada nessas máquinas (design, materiais, teorias etc), para desenvolver novos produtos no mercado do surf.

 

Já tenho algumas idéias bem avançadas, mas isso tá bem guardado por enquanto. Espero mandar notícias em breve sobre as novidades.

 

Ah, pra quem não sabe, o Brasil tem a terceira maior fabricante de aviões do mundo!

 

Como foi estar no Tahiti durante os maiores dias da temporada?
É a faixa preta do surf. Ali a vida é colocada em jogo em todos os instantes. É impressionante o poder daquela onda nos dias maiores. Se errar, sobrevive só com muita sorte.

 

As ondas estavam enormes ? juro que nem sei como medir aquelas bombas. As baforadas eram inacreditáveis, os tubos tão grandes que um avião caberia facilmente ali dentro.

 

Havia algumas das melhores duplas de tow-in do mundo: Pato / Mancusi, Laird Hamilton / Raimana, Shane Dorian / Manoa Drollet, Peter Mel / Mark Healey…

 

Infelizmente, Danilo Couto e Rodrigo Resende não estiveram lá para aumentar o espetáculo nas ondas de 20, 30, 40 pés de altura, de face, por trás, de diâmetro, sei lá, fiquem à vontade com a medida, é assustador de qualquer maneira.

 

Cerca de cinco surfistas e mais cinco bodyboarders estavam se arriscando na remada, pegando algumas ondas intermediárias (10, 12 pés…). De brasileiro na remada, apenas eu e os gaúchos Guile Variani e Pedro ?Manga? Aguiar (moleque casca-grossa esse aí! Também não poderia ser diferente tratando-se de um pupilo do Rodrigo ?Monster? Resende). Ele pegou a maior onda na remada em Teahupoo neste ano, sem sombra de dúvida!

 

##

 

O que mais te impressionou por lá?
A força da onda, os caldos intermináveis, a beleza natural, a perfeição da onda e, principalmente, o respeito entre as pessoas dentro d?água. Todos ali sabem que não se pode errar naquela onda, e apesar da disputa normal de remada no pico, não vi ninguém entrando na onda do outro. Na realidade, a onda não dá margem para isso! O drop é muito rápido!

 

Mas o que mais me impressionou foi quando eu remei em uma onda e não consegui entrar. E, quando me virei para o outside, ?vixe Maria!?. Já vinha o Laird Hamilton em alta velocidade puxando o Raimana em uma bomba da série.

 

Ele passaria exatamente onde eu estava, e, para não atrapalhar, eu furei aquela montanha d?água um pouco antes do local ideal. Quando saí do outro lado da onda, senti que estava sendo puxado fortemente para a zona de impacto e que outra bomba enorme já vinha em minha direção, com o Shane Dorian a mil por hora, quicando literalmente.

 

Entrei em pânico com aquela monstruosidade de água à minha frente, sem saber se levaria na cabeça ou não aquilo tudo. Remei como nunca na minha vida em direção à onda, situação dramática. Mas, novamente graças a Deus e à Yemanjá, consegui passar pela onda no último segundo. Maior susto da vida! Maior queima de adrenalina da vida!

 

Como você se preparou para surfar aquelas ondas?
Yoga, corrida, treinos de apnéia, exercícios funcionais (elásticos e equílibrio) com um amigo que é personal-trainer (Fábio Guazelli) e muito surf em onda buraco ? Vermelha do Norte, Maresias, São Conrado, Barra da Tijuca, Postinho, entre outras.

 

A motivação também é uma parte importante. Sem ela a pessoa fica fraca. Eu cuidava da minha escutando algumas músicas, lembrando do apoio da família, dos amigos e da pessoa que me inspira.

 

O que diria ao surfista que gostaria de surfar ondas pesadas no Tahiti?
Creio que o mais importante é o lado psicológico. A pessoa tem que estar muito focada nesse objetivo. A preparação física é indispensável, pois o caldo é muito demorado! Parece que não nunca vai acabar.

 

A escolha do equipamento precisa ser bem avaliada. Eu não recomendaria o uso de pranchas muito grandes, 7?2?? no máximo.

Depois, é só pedir proteção, seguir os próprios instintos, com respeito ao próximo e tranqüilidade, porque a baforada do salão vai rolar com certeza.

 

Nome Marcos Monteiro Loyola Costa
Idade 29
Local Salvador (BA)
Apelido ?Baianinho?
Tempo de surf 18 anos
Profissão Engenheiro (projetos de avião… pode levar fé, não precisa ter medo não !) e free-surfer (se Deus quiser)
Contato [email protected]

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