Tâmega abre o jogo no Terra

Guilherme Tâmega, 32 anos, começou a pegar onda aos 10 anos, na Barra da Tijuca. Hoje o carioca é hexacampeão mundial de bodyboard.
Tâmega deu início à sua vida no surfe, mas logo se apaixonou pelo bodyboard.

 

Em 1989, disputou a etapa inicial do circuito brasileiro na categoria Profissional e ganhou o primeiro título de sua carreira.

 

Em 1994, no mundial realizado no Hawaii, obteve unanimidade entre os jurados e conseguiu seu primeiro título mundial. O hexacampeonato foi conquistado em 2002, também no Hawaii.
 
Em janeiro de 2003, Tâmega realizou o sonho de criar uma escola de bodyboard e ensina tudo que aprendeu em mais de 20 anos em cima das pranchas. No ano passado GT criou ainda a marca de roupas Tâmega, distribuída em quase todo o Brasil e exportada para países como Estados Unidos e Portugal.

 

Há quinze dias Tâmega participou de um chat no Portal Terra e esclareceu todas as dúvidas e curiosidades dos fãs e internautas. Confira a íntegra do bate-papo.

Paulo, de Florianópolis (SC), diz: O que é necessário para mudar a imagem do bodyboard no Brasil? Não temos mais nada a provar.

 

Acho que só depende dos bodyboarders. Temos que apoiar e comprar as marcas de bodyboard. Precisamos abrir o mercado. Para isso precisamos do apoio de todos. Chega de depender dos outros.

 

Rodrigo professor diz: Abraço e boa sorte no Chile! Está preparado para “buscar” o Robert Scheidt?

 

Rodrigo, sem dúvidas o Scheidt é um ídolo nacional e uma grande motivação para que eu não fique atrás em número de títulos.

 

Emerson diz: Qual a diferença entre o bodyboard e o surf?

 

O surf é um esporte bem mais antigo que o bodyboard, no qual você fica em pé em uma prancha de fibra. O bodyboard tem cerca de 30 anos de existência, você fica deitado em uma prancha de polietileno.

 

Hugo, de Santos (SP), diz: Queria saber se nas competições que valem pelo mundial, os juízes são imparciais.

 

Já me confrontei muito com esse problema, ainda mais quando o quadro de juízes é todo constituído por juízes internacionais. Hoje, graças a Deus, temos dois dos melhores juízes do mundo no quadro, eles são brasileiros e isso acabou com os resultados injustos

 

Cristiano diz: Que tese você usaria para convencer os empresários brasileiros a apoiar o bodyboard.

 

Nós temos mais de 15 títulos mundiais, somos a maior potência do esporte no mundo dentro da água, milhares de praticantes pelo Brasil. Por que não apoiar um esporte que é tudo de bom?

 

Saulo Lamounier, de Aracaju (SE), diz: Guilherme, beleza? Quais seus planos de realizar competições entre escolinhas de bodyboard?

 

Hoje na EGT – Escola Guilherme Tâmega, fazemos campeonatos internos uma vez por mês. Meu sonho é poder fazer campeonatos de escolinhas do Brasil inteiro, uma espécie de desafio nacional das escolinhas de bodyboard.

 

Júlia diz: É muito dificil pegar aquelas enormes ondas?

 

É difícil, mas com o costume e a prática, você ganha confiança e diminui o medo das ondas grandes. Eu, desde pequeno, fui muito incentivado pelo meu pai e hoje sou muito agradecido a ele.

 

Deusa do Amor diz: Oie! Você considera-se totalmente realizado profissionalmente?

 

Com certeza, não tenho mais nada a provar para ninguém e se ganho alguma coisa hoje é uma vitória minha. É uma sensação que só eu posso sentir, ganhando ou perdendo. Um sonho de realização é um dia ganhar uma competição com meu filho no colo.

 

 Baixo diz: Como é para você, ser hexacampeão em um esporte individual como o bodyboard e não ter o devido reconhecimento no seu país?

 

 O reconhecimento do meu país é uma coisa que eu nunca levei a sério, porque se eu levasse, não teria chegado nem no quarto título. O reconhecimento deveria ser a conseqüência da sua performance. Se ele não acontece, não vou parar por isso. 

 

Alex diz: Qual o maior sufoco que você já passou dentro d’água?

 

Uma vez, peguei um tubo no backdoor de Pipeline e não saí. No caldo, desci tanto que acabei entrando em uma caverna de coral e bati a cara. No instinto, me impulsionei para fora do buraco. Foi uma sensação horrível, mas Deus estava do meu lado. 

 

GT é o cara diz: Gostaria de saber quando você vai lançar um vídeo sobre sua carreira – é um dos meus sonhos. Um dia será realizado?

 

Tenho certeza de que esse é mais meu sonho do que o seu. Com certeza tenho esse projeto e será realizado em breve.

 

Yuri_RJ diz: Qual o maior mar que você já pegou no Shore Break em Copacabana? Já ficou sabendo de algum acidente fatal nessa temida onda?

 

Já peguei o shore com dois metros, bem casca grossa. Nunca ocorreu nenhuma fatalidade séria. Mas tem uma galera já deixou uns pedaços de pele nos mariscos. Isso já, com certeza. Os mariscos agradecem.

 

Muito sinistro o GT. diz: Como você se sente tendo desbancado a lenda viva Mike Stewart? Isso o prejudica ou o ajuda nas competições.

 

Depois de ter feito o Mike suar a camisa dele como nunca antes, ele resolveu liderar um boicote a vida de competidor. Quando inventaram o Super Tour, acharam que a era Guilherme Tâmega ia terminar. Eles só não sabiam que hoje, procuro novos desafios como motivação. Com certeza o Super Tour veio na melhor hora possível. 

 

Rodrigo professor diz: O que você usa para não perder a motivação sendo melhor que os demais bodyboarders do Super Tour?

 

Olha professor, hoje para mim tudo serve de motivação. Desde uma prancha que eu dou para as crianças carentes ou um fã que me pede autógrafo na rua.

 

Mongagua_rider diz: O que acha do preconceito que algumas pessoas têm em relação ao bodyboard?

 

As pessoas preconceituosas são:

1. nunca experimentou o bodyboard na vida;

2. é uma pessoa recalcada, onde o esporte que ela pratica nunca foi campeão mundial e o bodyboard acaba incomodando. O verdadeiro esportista é o cara que admira o trabalho  do profissional, seja qual for o esporte. A bandeira do Brasil tem que estar em primeiro lugar.

 

Leo Mello EGT diz: Falando em filhos, você já tem planos para nascer um “gtzinho”?

 

Leo, com certeza. O mais difícil já aconteceu, que foi achar a mulher da minha vida. Agora deixo na mão de Deus para a chegada do tão sonhado “gtzinho” ou “gtzinha”.

 

Guilherme Lopes diz: Tâmega, gostaria de saber quando a Iba Tour vai se organizar e ter um campeonato com os moldes do WCT, com muitas etapas e belas premiações. O que falta?

 

A IBA – International Bodyboard Association, é uma associação muito nova, por isso tem muito o que aprender em termos de comercialização do circuito. O potencial, temos de sobra. Agora só falta saber vender um esporte tão irado. Um dia chegaremos lá.

 

Felipe Benevides diz: GT, queria saber se você já pegou onda no Ceará? Um dos meus sonhos é ver você por aqui.

 

A última vez que estive no Ceará, foi há sete anos, com certeza foi o lugar no Brasil que tive a recepção mais calorosa. Vocês são demais! Por isso planejo uma ida ao Ceará em junho ou julho, para lançar a marca Tâmega e dar uma palestra. Vamos nos ver em breve. Mande um abração para todos daí.

 

Muito sinistro o GT. diz: Nunca vou esquecer aquele campeonato em Pipeline, no Havaí, em 1994, que você ganhou quando comecei a pegar onda. Estava muito grande – amigos estavam lá. Você faria aquilo de novo?

 

 As vezes até eu fico me perguntando se faria aquilo de novo. Como eu estava louco para vencer, fiz tudo aquilo. Essa é a garra que tenho e se precisar, farei tudo de novo.

 

Renato diz: É muito difícil ser um grande ídolo? Já ocorreu de algum fã fazer tipo uma loucura?

 

As maiores loucuras que presenciei foram no Ceará. Meninas puxando meu short e tentando me agarrar. Foi inesquecível.

 

 

André, de Fortaleza (CE), diz: Você lembra como foi sua primeira vez no Hawaii?

 

Claro que eu lembro. Foi um dos momentos mais marcantes de minha carreira, eu tinha 15 anos. Já no primeiro dia peguei Pipeline com 8 pés de sonho. Peguei outros de até 12 pés, onde os locais me perguntavam quantos anos eu tinha dentro da água. Hoje em dia, os mesmos locais nem olham na minha cara. Hahaha, estou muito preocupado.

 

 

Ricardo Tâmega, de Niterói (RJ), diz: Fala, primo. Estou com saudades! Você já está se

preparando para o heptacampeonato? Márcio Queiroz, de Salvador (BA), diz Gostaria de saber se você está bem preparado piscologicamente para conseguir esse heptacampeonato.

 

Ricardo e Márcio. E aí, primo, tudo bem? Bem, preparado eu sempre estou. Com certeza a cada ano tenho que treinar mais, porque a competição está bastante acirrada. Todo campeonato que entro e coloco a camisa de lycra, é para mim, a mesma coisa de entrar em uma guerra. Se você não pegar os inimigos, eles te pegam. E eu não entro em uma guerra para perder.

 

Catita diz: Guilherme, parabéns pelo sucesso, eu adoro esportes deste tipo. Se não tivesse medo, praticaria, você já sentiu muito medo, você continuaria a praticar o esporte se um dia se acidentasse? Tomara que isso não aconteça. Beijos e sucesso!

 

Acho que todo mundo nasce com medo de tudo que é novo, porque ninguém nasce sabendo. O bodyboard e as ondas grandes são questão de costume e aprendizado. Por isso, se você experimentar o bodyboard, tenho certeza que vai ser difícil largar. Já me acidentei várias vezes, vários pontos na cabeça, dez pontos no joelho e nem por isso vou desistir. Não sou pessoa que desiste fácil das coisas. Não serão traumas e pequenos acidentes que vão me tirar da minha estrada.

 

Felipe Benevides diz: O que você acha dos outros representantes brasileiros no WST?

 

Estou muito feliz, pois esse ano há mais representantes brasileiros no circuito. Acho que eles têm um potencial incrível e só depende de cada um chegar lá. Estou curioso para vê-los competindo.

 

Blink 182 diz: Você já pensou em desistir?

 

Pensar em desistir, nunca. Como já falei, não sou uma pessoa que desiste facilmente.

 

Carlito diz: Qual a expectativa com a sua marca de roupas?

 

É abrir o mercado de bodyboard, onde vai alavancar o tão sonhado crescimento e colocar o nosso esporte em uma merecida posição. Mas para isso, preciso do apoio de todos vocês. Vamos dizer não, para quem nos diz não. E sim para quem joga no nosso time. A Tâmega não é uma marca minha, e sim de todos nós bodyboarders.

 

Bruno Dias, de Salvador (BA), diz: Qual é o modelo de prancha que você usa? Abraço e sucesso.

 

Eu uso a WR Tâmega Pró para mares de um metro ou menor e a GT bodyboard (ION) para mares maiores. Aquelas canaletas dão uma velocidade incrível. 

 

Flavio diz: GT, você acha que para o esporte em geral foi bom ter um australiano campeão mundial? Será que isso pode impulsionar um pouco mais o esporte em outros países, como Estados Unidos?

 

Sem dúvida a vitória do australiano, vai impulsionar os mercados que falam a língua inglesa. Mas estou pouco me lixando para eles. Vou lutar para ter o título de volta, com toda a força que tenho.

 

Carla diz: Oi, sou do Rio Grande do Sul e gostaria de saber se você já pegou onda aqui e em Santa Catarina?

 

Já peguei muita onda no Sul. Em Torres, Atlântida, Capão da Canoa e em toda Florianópolis. O Sul é maravilhoso e tem altas ondas.

 

Garotainteligente23 diz: Gostaria de saber se sentir medo é normal? E se quem quer mesmo aprender, deve superar esse medo ou respeitar o seu limite?

 

Tente superar seus limites aos poucos, não deixe que eles a dominem. Afinal de contas, uma onda de um metro não mata ninguém. Boas ondas!

 

Lays diz: De tudo que fez até hoje o que você nunca se esqueceu?

 

Meu primeiro título mundial em Pipeline, com certeza.

 

Tiago EGT diz: Guilherme, é o Tiago da Escola Guilherme Tâmega. Eu gostaria de saber qual sua dica para viajar, pegar onda e aprender muita coisa.

 

Fala, Thiagaço. Acho que toda viagem é válida, um lugar legal e perto é Saquarema. Vamos armar uma viagem da escolinha para Saquarema. Está combinado.

 

Brandão diz: Aí, Tâmega, beleza? Teclo de Atlanta, nos Estados Unidos. Por favor, conta aí se já passou por alguma encrenca no Hawaii, no sentido de localismo e como obteve respeito. Saúde e sucesso.

 

No Hawaii, se você quiser, briga todo dia. Como sou um cara pacífico, não caio em “pilhas”.

 

Thiago souza diz: O que você acha do Jeff Hubbard?

 

O Jeff é um excelente bodyboarder. Com certeza está ultrapasando limites. E essa é a proposta do nosso esporte. Abraço a todos e viva o bodyboard brasileiro.

 

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