Tartarugas da Costa Rica

Tamar esclarece pegadinha

Projeto Tamar esclarece boato sobre violação dos ninhos na Costa Rica. Foto: Luciano Moura.

Nas últimas semanas têm corrido livre pela internet mensagens com o assunto: ”Ajudem a divulgar este absurdo”, contendo fotos de pessoas coletando ovos de tartarugas marinhas nas praias da Costa Rica e os carregando em grandes sacos. 

 

O e-mail termina solicitando: “Favor difundir. Roubam os ovos das tartarugas para vender aos gourmets sofisticados. Repassem. O planeta agradece”.

 

Por orientação do Projeto Tamar  (ICMBio / Fundação Pró-Tamar) é importante esclarecer os fatos e estabelecer a verdade, pois o que sugerem o texto e as imagens não é exatamente o que parece. É mais uma “pegadinha” da Internet.


Verdade A Costa Rica tem enorme tradição de conservação das tartarugas marinhas. O pesquisador americano Archier Car, pioneiro na conservação de tartarugas marinhas, há 50 anos já trabalhava para preservar a espécie Lepidochelys olivacea (tartaruga  oliva) em Tortugueiro, Costa Rica, hoje um dos maiores sítios de desovas dessa espécie no mundo.

 

Uma das características mais impressionantes desta espécie é que ela produz as Arribadas, um fenômeno que ocorre exclusivamente na Costa Rica. 

 

As tartarugas saem juntas da água em direção à praia para desovar, aos milhares, por varias noites seguidas. São mil na primeira noite, cinco mil na segunda noite e assim por diante. 

 

Em cinco noites, cerca de 100 mil tartarugas desovam em pequenas praias – com cerca de 300 metros – em um verdadeiro engarrafamento na areia. Os ninhos das primeiras fêmeas são revirados pelas outras, expondo-os ao tempo e aos predadores o que muitas vezes inviabiliza o sucesso reprodutivo.

 

Na praia de Ostional, na Costa Rica, onde esse fenômeno também acontece, e que está retratado nas imagens, os moradores locais baseados em dados biológicos são autorizados a fazer o aproveitamento dos ovos que são depositados nos dois primeiros dias da arribada e que seriam destruídos pelas fêmeas que desovam nas noites seguintes. 

 

Ou seja, os moradores locais coletam os ovos depositados somente nas duas primeiras noites e deixam os ovos desovados nas três noites seguintes.

 

Como tudo na vida há prós e contras. Críticas e elogios. Porém, os conservacionistas da Costa Rica acompanham, através das analises cientificas, o desenrolar dessa experiência que há dezenas de anos mobiliza milhares de pessoas e tartarugas. 

 

Como estratégia de conservação, busca-se fazer um manejo sustentado equilibrando os interesses. Assim não se perdem milhares de ovos, a comunidade local tem uma fonte de renda e as tartarugas fêmeas não são capturadas e continuam se reproduzindo.

 

30 Anos de Projeto Tamar No Brasil não há arribadas e as tartarugas oliva concentram suas desovas no Estado de Sergipe e no litoral norte do Estado da Bahia, apresentando a maior recuperação populacional entre as cinco espécies que ocorrem no Brasil.

 

Esse ano o Projeto Tamar comemora 30 anos de excelentes serviços prestados na proteção e monitoramento das tartarugas marinhas. Como elas podem levar até 30 anos para se tornarem adultas e aptas a se reproduzirem, estamos recebendo nas praias brasileiras a primeira geração de tartarugas protegidas pelo Projeto Tamar. Começaram protegendo cerca de duzentos ninhos da tartaruga oliva e hoje já são mais de seis mil ninhos por ano.


Marcelo Szpilman é biólogo marinho formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e é autor de vários livros de conteúdo ambiental.

 

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