Tamanho não é documento

Fábio Franco, surfista de Santos mundialmente conhecido como Fabinho Anão, trocou uma idéia no Hawaii com nosso novo colaborador no arquipélago, o fotógrafo carioca Bruno Lemos, que vive há muitos anos na ilha de Oahu com a esposa Claudia Sabóia e o filho Keale.

 

Fabinho, 40 anos e 28 de surf, 1,17 de altura 48 quilos, é um exemplo de atitude para vencer as limitações físicas. “Apadrinhado” nas ilhas pelos irmãos McNamara, Fabinho conta com exclusividade como virou celebridade no Hawaii.

 

Como são suas pranchas?
Minhas pranchas são pequenas: 5’8″, 6’0″, 6’5″, do shaper Alexandre Moliterno. Essas pranchas fizeram toda a diferença na temporada. Quando cheguei pude ir direto pra água sem me preocupar com equipamento. As pranchas ficaram superboas, com bastante velocidade, fácil de entrar nas ondas, que é um fator muito importante pra mim. Também estou usando desde o ano passado um modelo Brewer 5’10” para tow surfing. E hoje estive com Dick Brewer, que dispensa apresentação, e desenhamos minha nova prancha para eu levar ao Tahiti. Tudo que posso dizer é que terá cerca de 4’10”, como uma miniatura da 6’1″ Mac magic model, a melhor desenhada até agora, e você pode criar velocidade e se sentir seguro ao mesmo tempo.

 

Quando e como resolveu começar a surfar?
Comecei no Canal 5, em Santos, minha cidade natal, quando eu tinha 12 anos. Um amigo chamado Donaldo, vizinho da rua larga, apareceu com uma prancha de surf de joelho e na primeira onda que pequei fiquei em pé. Daí em diante, não parei mais. Gostaria que ele pudesse me ver agora, mas infelizmente ele já faleceu.

 

Quais as principais dificuldades que você já enfrentou e ainda enfrenta para surfar?
A minha remada não é tão forte quanto uma pessoa normal. Então, no começo isso me dificultou bastante. Depois passei a ter problemas de artrite, o que me dava pouca mobilidade e muita dor. Isso deveria ter me afastado do esporte há alguns anos, fazendo eu rever toda a minha vida, mas a vontade de surfar era muito maior do que tudo.

 

Você leva alguma vantagem por ter pouca altura?
Como tudo na vida, tem suas vantagens e desvantagens. Uma vantagem é ser o menor surfista do mundo… que bota pra baixo… (risos)

 

Como está sendo a temporada?
Graças a Deus, muito boa. Estou mais uma vez aqui hospedado com o Garrett McMamara, surfando com ele praticamente todos os dias. Inclusive participamos de um programa especial na TV local, onde me deram um bom destaque. Acho que fui uma das atrações principais do programa. Não imaginava que tivesse toda repecurssão. No dia seguinte, fui surfar em Laniakea e muitos me chamaram de superstar, movie star etc. Fora isso, tenho surfado boas ondas. Estou com boas pranchas e alguns projetos para um futuro bem próximo, como viagens para Tahiti, Chile, Peru e Ilha de Páscoa.

 

Como foi participar do Bufallo Classic?
Foi uma coisa inexplicável todo aquele aloha em Makaha. Deu altas ondinhas para mim, em torno de 3 pés e eu me diverti.

 

Você participou em quantas categorias? Como foi sua performance?
Participei do Beach Boy Style, em que você rema em pé numa prancha de 12″ utilizando um remo. Essa modalidade era praticada em Waikiki… e participei também do Longboard International, e fui até as semifinais, vencendo surfistas do Canadá, Tahiti e Japão.

 

Porque você fez tanto sucesso em Makaha?
Ainda não sei ao certo, de repente era meu dia de brilhar. Tava um clima show, só uma palavra havaiana define isso. Ela é muito conhecida em todo o mundo, porém o significado vem do coração: aloha. Foi muito bom rever amigos como Bufallo, Boogie Kalama, os primeiros tripulantes da famosa jornada ao Tahiti em 1976 do Hokulea (estrela-guia em havaiano), quando esses havaianos navegaram utilizando as estrelas. Também encontrei a família Keaulana: Momi e os filhos Brian, Rusty e Jimi, caras muito legais e experientes watermen e guarda-vidas. A gente tem muito a se aprender com esses conhecidos. Tive uma boa trajetória na disputa da categoria Longboard e este foi o melhor campeonato que já participei, e o que tive a melhor colocação da minha vida, terceiro lugar.  

 

Qual a maior onda que você surfou até agora de tow-in?
Estou  praticano tow surfing desde a temporada passada e a maior onda até agora foi durante a temporada passada, em Phantoms, com 15 pés havaianos.

 

Qual a maior onda em que você se imagina surfando?
Nesse momento eu diria uma onda de 20 pés.

 

Fale um pouco sobre sua relação com a família McNamara. Há um tempo você era pupilo do Lian e agora me parece que o Garrett te adotou.
Em 1989 conheci e morei com eles em V Land por algum tempo. E eu era mesmo mais chegado ao Lian. Surfávamos com Bruce e Andy Iron com 9 e 11 anos cada um, Marvin Foster, Dave Kalama, irmão do Dane… foram bons anos aqueles. Em 1996 fomos pra Indonésia juntos e quando comecei a fazer tow surfing com Garrett foi uma nova fase na minha carreira. Depois que surgiu a máquina, pude surfar ondas que eram impossíveis para mim até então. Por este ser um esporte de equipe,  a amizade fica cada vez mais forte. Estamos sempre juntos checando equipamentos, pranchas, swell, direção, tamanho, todo dia, a toda hora é só surf. 

 

E os outros locais te respeitam?
Acredito que sim. Isso tem a ver com a sua atitude. Respeite e será respeitado.

É verdade que você vai tentar ir para o Tahiti nesse verão?
É sim. Estou planejando essa viagem há muito tempo e parece que agora estou indo graças ao apoio da Hang Loose, Reef, G Zero e dos amigos. Claro que nunca me esqueço dos amigos que sempre me ajudam, mas não vou citar nomes porque são muitos e assim eu não cometo uma injustiça.

 

Quais as suas expectativas… Teahupoo?
Vou chegar na manha e estudar a situação. Mas, se estiver na corda, botp pra baixo.

 

Você conhece outro anão que surfa?
Não. Já vi no skate e no boogieboard, nas nunca no surf.

 

O que você diria a alguém de condição física igual a sua e que pretende ser surfista?
Tanto no surf como em tudo na vida, a condição física é muito importante. E não é só isso, a condição financeira também. A palavra-chave pra isso é acreditar naquilo que você quer e sabe que pode fazer, mesmo que ninguém acredite. Não interessa, o que importa é no que você acredita. Se isso for legítimo e seu, com certeza vai acontecer. Tenho visto isso acontecer comigo várias vezes. E agora, com 40anos e 28 de surf, posso dizer que estou sendo abençoado por Deus nessa nova fase da minha vida como surfista. Estou muito feliz e tenho certeza que todos merecemos ser felizes sem discriminação.

 

Clique aqui para ver a Galeria de Fotos de Fabinho Franco no Hawaii.

 

 

 

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