#A onda gigantesca surfada por Carlos Burle no final do ano passado, em Maverick?s, norte da Califórnia, está causando muita polêmica na imprensa especializada. Na minha opinião, a mídia está sendo muito rigorosa e querendo medir com régua o que não dá para ser medido.
A formas de se medir as ondas sempre foi complicada, e desde os primórdios cada um usa seus próprios parâmetros e escala para tanto. Fica ainda mais difícil com os recursos fotográficos, que aproximam demais, e ângulos que enganam sobre o real tamanho da onda.
Nos anos 60, o objetivo na praia sempre foi pegar a ?rainha?, a maior do dia. Porém, como o mar não apresenta ondas sempre com o mesmo tamanho e normalmente durante o dia algumas séries quebram com até o dobro da média, é difícil determinar o tamanho de um mar ou de uma onda.
Nos anos 70, eu e meus amigos disputávamos quem pegava as ondas mais atrás do pico ou da laje, e nossa referência era em metros. Porém, quando as viagens ao Hawaii se tornaram mais constantes, começamos a medir as ondas em pés, e aí começaram os problemas.
Tinha gente que falava ?esse mar está com 6 pés havaianos?, como se no Hawaii as polegadas fossem maiores. Depois, para justificar essa diferença diziam que eles mediam as ondas pelas costas, e aquilo só me deixou mais confuso, pois as medidas nunca batiam.
Teve uma época que para simplificar alguns definiam as ondas maiores como ?overhead?, só que algumas vezes eu pegava ondas com o dobro do meu tamanho e diziam que tinha 6 pés. Ora, se eu meço 1,90 metros como é que pode? Além do que, na minha opinião, acima da minha cabeça é uma coisa e para a de Vitor Ribas, por exemplo, é outra totalmente diferente.
Nos anos 80 o foco mudou, e mandar bem nas marolas das valas era o máximo, até que no meio dos anos 90 alguns surfistas que não se adaptavam às ondas pequenas e ruins do circuito profissional, descobriram um potencial muito grande em direção à busca da onda perfeita e das ondas gigantes, criando uma nova dimensão em termos de patrocínio e competição.
Soube que no último concurso de fotos ficaram medindo as ondas com réguas e lentes, e ainda usando o tamanho do corpo como referência, só que com o corpo curvado fica meio impreciso para comparar.
Não quero discutir se a onda do Burle foi a maior ou não, o que conta para mim é que, naquele dia, no disputado pico de Maverick?s e ao lado dos maiores surfistas do local, ele se destacou e pegou a ?maior do dia? em um dos maiores mares da história do pico, feito esse que garante muito respeito em qualquer praia do mundo, ainda mais se tratando de ondas com mais de 20 metros.
Há alguns anos parei de medir ondas acima de 6 pés, até porque acima deste tamanho qualquer onda é muito grande e eu nem quero diferenciar se tem 8 ou 10 pés.
Para saber mais sobre esse dia histórico em Maverick’s acesse http://www2.waves.com.br/layout2.asp?sessao=novidade&id=2864 .