O jovem surfista Kiron Jabour é uma das promessas do surf mundial.
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Aos 16 anos, o caçula do big rider carioca João Maurício e da pernambucana Verônica é o atual campeão Júnior do circuito havaiano, campeão nacional americano em 2004 e segundo colocado no King of the Groms em 2006 na França.
Nascido no Brasil, Kiron representa as cores da bandeira havaiana. ?Quando quando estava na
barriga da mãe, ele foi para o Brasil e nasceu em Pernambuco, assim como o irmão Kalani. Mas, com um ano os levamos de volta ao Hawaii?, explica João Maurício.
Segundo o pai, Kiron defende o Hawaii porque foi criado no arquipélago. “Mas, ele tem o Brasil no coração”, diz.
Confira abaixo confira entrevista exclusiva com o talentoso Kiron.
Como é sua rotina no North Shore?
Escola e muito surf. Enquanto não tenho carta, pego carona com meu pai e irmão para ir surfar.
Seu pai te influênciou a ser um surfista profissional?
Não. Ele nunca forçou nem eu nem meu irmão a surfar. Nós é que pedimos para ele nos inscrever nos campeonatos. Comecei a ganhar alguns e a coisa ficou mais séria. Mas, ele sempre gostou, nos levava para os Menehunes e ficava amarradão.
Você gosta de competir, diferente de seu irmão e de seu pai, que preferem surfar ondas perfeitas sem competição.
Sou competitivo, gosto de campeonato. Meu irmão não gosta da pressão de evento e sim de surfar por prazer
E o tow-in e o kite. Você gosta destas modalidades?
Faço tow-in com o meu pai e me amarro. Gosto de kite, mas não tenho muita experiência.
Pretende ser parceiro de seu pai em investidas nas maiores ondas do mundo?
Com certeza, o caminho é esse.
Sua mãe filma e você e seu irmão editam as sessions de surf?
Isso. Ela filma superbem e é importante para mim rever as imagens e ver o que está bom ou ruim. Gosto de editar vídeos (como o desta matéria feito por Kiron e seu irmão Kalani). Meu pai também apóia minha mãe querida como cinegrafista. Ela me ajuda. Depois do surf, a família se reúne para ver as imagens. É muito maneiro.
E a polêmica sobre você representar o Hawaii, tendo nascido no Brasil?
Nasci no Brasil, mas cresci aqui. Foi no Hawaii que comecei a surfar e evoluir. Por isso represento o Hawaii, onde ganhei várias etapas do circuito havaiano e também do americano, da National Scholastic Surfing Association. Represento o Hawaii, mas tenho o Brasil no coração.
Quais seus principais títulos na categoria Júnior?
Primeiro no National (NSSA), campeão do estadual havaiano 2006, vencedor do Haleiwa International Open, segundo na França King of the Groms.
Quais são os surfistas do futuro do Brasil?
O Mineirinho (Adriano de Souza) já é uma realidade. O Wiggolly Dantas, Alejo Muniz, o Ian, filho do Fábio Gouveia, Cauã Wood, Jessé Mendes, Ian Guimarães, Jerônimo Vargas e o Gordo.
O que havaianos e americanos falam sobre os brasileiros?
Infelizmente, é aquilo que todo mundo sabe. Os surfistas brasileiros são muito bons em ondas pequenas, mas em onda boa não tem nível para disputar um título. E os gringos também são muito bons em onda pequena, então a disputa fica meio difícil.
Você acha que teremos um campeão brasileiro do WCT?
Enquanto os atletas vierem para o Hawaii e não ficarem um bom tempo, não acho que vai rolar. A galera vem para cá e quando perdem as baterias voltam para o Brasil. Eles precisam treinar muito em onda boa, o que conta hoje em dia no WCT.
As pranchas Al Merrick são uma ajuda e tanto, não?
Eu adoro as pranchas e com certeza é fundamental ter um bom shaper acertando-as. Mas, seja o shaper que for, se estiver ajudando na evolução do surfista está ótimo.
Você quer ser campeão mundial?
É o meu sonho.
Quais são os pontos positivos e negativos no caminho para concretizar este objetivo?
A experiência de correr os circuitos havaiano e americano joga ao meu favor. Não vejo muita dificuldade.
Você gosta de viajar bastante, curte o clima de competição nos locais de evento?
Com certeza. Eu adoro tudo isso.
Tem saudade do Brasil?
Muita, dos amigos, da comida e de açai.

