Surf seco

Taiu abre a alma guerreira

O surfista vive agora uma nova fase na vida dele. Foto: Munir El Hage.

Morra havaiana na década de 80. Foto: Site Taiu Surf.

Taiu no Abras, Fernando de Noronha. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Taiu entre Jorge Pacelli e Murilo Brandi (direita). Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Botton com pressão em Banzai Pipeline, Hawaii. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Estolada em Maresias (SP). Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Mais um tubo de responsa em Maresias. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Taiu bate continência a caminho de uma ilha no litoral capixaba. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Taiu, a mãe e o irmão Totó. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Taiu e o quiver para a temporada havaiana, em V-Land. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Virada em Sunset, Hawaii. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Mais um drop atrasado em Sunset, Hawaii. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Taiu era um assíduo frequentador de Sunset. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

World Cup em Sunset, no ano de 83. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Rasgada com força e estilo. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Taiu durante o Alternativa. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Entocado no Backdoor, Hawaii. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Taiu dropa uma da série em Waimea Bay, Hawaii. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Taiu também arriscava manobras modernas, como esse aéreo na ilha de Trindade (ES). Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Mais um moment irado em Trindade. Foto: Arquivo pessoal Taiu.

Um dos maiores especialistas nas ondas de Maresias, Taiu prestigiou a etapa do SuperSurf realizada lá. Foto: Ricardo Macario.

Recebi com todo o prazer a incumbência feita pelo próprio Taiu para escrever uma introdução à altura de sua alma guerreira. Conheci Taiu quando eu tinha uns 10 anos no calçadão da praia das Pitangueiras – Guarujá, no meio de outras lendas vivas como Jorge Pacelli, Flavius Cinira, irmãos Brandi e Curi, querendo absorver os toques que ele sempre fazia questão de dar.

 

Tanto que ele foi o autor do shape da minha segunda prancha e até me pagou a inscrição para alguns campeonatos mirins com sua marca Blue Barrel. Minha primeira barca para Maresias foi à convite do “batatinha”, como eu carinhosamente o chamo.

 

Meu pai não ficava muito contente com a amizade pela diferença de idade entre nós. Mas, com o passar dos anos, tornou-se grande amigo e admirador do Taiu. Campeão brasileiro profissional, pioneiro no circuito mundial e no free-surf em ondas grandes, Taiu influenciou também grandes nomes como Carlos Burle, Eraldo Gueiros, Eduardo Fernandes, entre outros.

 

Burle não saía do apartamento do Taiu, onde ficava entre uma viagem e outra. Aliás, no seu apê do edifício Vila Pinhal passaram amigos que são lendas do surf internacional, como Martin Potter, Ross-Clark Jones, o falecido Mark Sainsburry, entre outros. Taiu também sempre foi querido pelos gringos.

 

Vocês terão a oportunidade de dividir com ele nessa coluna toda a experiência adquirida por ele dentro e fora d’água. Hoje ele mostra toda força e determinação ao transcender de uma vida material diretamente para a espiritual, porque é assim que ele surfa hoje… Com sua alma nas direitas de Sunset, onde foi criado, e também em Jaws… A alma guerreira não tem limites!

Aloha, meu irmão!!!

 

Quando você começou a surfar e como era?
 
Eu comecei a surfar em isopor (em pé no outside) em janeiro de 74. Em janeiro de 75, no reveillón, comecei com prancha de verdade. Acho que daquele verão em diante minha vida foi de alguma maneira totalmente direcionada para o surf. Naquela época, anos 70, existiam poucos surfistas. Pranchas gringas eram o auge. Eu tive a sorte de ir para o Hawaii em julho de 1976, com 13 anos, e peguei altas no South Shore: Kaiser’s, Number Three’s, Pop’s… Ala Moana não muito porque já era crowdeadasso… Pior que o Arpoador… Vi havaianos fumando pakalolo… Deu pra sentir as vibes pesadas da ilha naquela época.

 

No Brasil, Ubatuba era o cenário competitivo, junto com Saquarema e Arpoador, onde rolava o Waimea 5000, campeonato internacional da época. Gringos como Joey Buran, Cheyne Horan, Jimmy Banks, Dane Kealoha e os brasileiros Daniel Friedman, Rico, Bocão, Cauli, Otávio Pacheco e Pepê Lopes eram os ‘caras’ que representavam… Daniel ganhou em 77 e Pepê em 76… Isso já é lenda…

 

Aquela época era bem menos crowd e, para ir para Maresias, tinha que ir por Bertioga (balsa), São Lourenço, Boracéia, tudo pela praia e por estradas de terra. Era selvagem. A serra de Boiçucanga era junk, uma hora para passar, e no pico em Maresias, os carros paravam na areia, em frente à onda… Bons tempos, começo dos anos 80… Foi lá que conheci o Claudjones (Claudio Martins de Andrade).
 
Quais momentos você considera “legends” ter vivido?
 
Alguns, tipo… Assisti o primeiro Eddie Aikau em 86; ter ido ao Hawaii no verão de 76; passei minha primeira temporada no Hawaii com ajuda espiritual de Roberto Valério e Valdir Vargas; perceber o amor e a irmandade que existe na galera do surf depois do acidente; o prêmio que recebi representando a revista Inside Now em 99 no Hawaii, com direito a discurso em inglês; a temporada de Bali em 85 com Martin Potter; as trips e campeonatos que corri em parceria com o Carlos Burle; as ondas que surfei no Hawaii (todas), o mar que peguei em Desert Point; a locução que fiz em Maresias durante o Sea Club de 93, onde rolou o episódio do bode entre Victor Ribas e Todd Holland; lançar o livro Alma Guerreira… Sei lá se isso tudo é legends…
 
E o livro, vende bem?

 

Não. Se eu dependesse dele para viver estaria passando fome. Na verdade, esse livro tem um conteúdo e capa muito surf, apesar da mensagem espiritual que é bem forte. Acho que o grande público não compra talvez por achar que é algo de surf, tipo uma revista. Estou eu num tubo noturno na capa. As vendas rolaram mais no começo, no lançamento. Uma rede de lojas de surf comprou 500 (a STComp) e agora eles também estão à venda na livraria La Selva, nos aeroportos. Acho que agora vende um pouquinho mais…
 
E o tal Teatro Alma Guerreira?
 
Isso é uma lenda se tornando uma realidade. Esse projeto, idealizado pelo diretor teatral Sergio Mariah, já tem três anos. Na semana passada, por muita graça de Deus, saiu a Lei do Ministério da Cultura, em Brasília, aprovando a peça de teatro Alma Guerreira. Não é fácil arrumar isso. Agora temos todos os incentivos para arrumar patrocínio. É muito difícil conseguir e nós conseguimos. De 600 projetos, oito foram aprovados. Agora, quem quiser patrocinar terá tudo que investir abatido do imposto de renda.  
 
Quais surfistas ou pessoas que te influenciaram?

 

Pude acompanhar vários exemplos na vida. Um deles foi a garra, determinação e seriedade do saudoso Roberto Valério, que conseguiu várias conquistas, tanto em campeonatos e no Hawaii, como também no papel de empresário. Admiro pessoas como Jeff Hackman, Bruce Raymond e Michael Tomson, que conseguiram migrar da vida alienante de surfista profissional para o topo do mundo como empresários. Alguns brasileiros têm essa visão. Ainda não vi nenhum ex-top profissional brasileiro arrebentar no mundo dos negócios, tirando o Valério. Na vida, o sucesso não é apenas o dinheiro ganho… Isso tem que rolar também… Porém, amizades, felicidade interna, estilo de vida, tempo para curtir, casamento certo ou individualidade sadia e feliz… Tudo faz parte de um todo.      
 
Quem da nova geração você aponta como futuro top mundial?
 
Hoje dá pra sacar que os tempos são outros. O Brasil possui talentos em todo lugar, de tudo. No surf nós conquistamos o mundo. Estamos presentes fortes, junto com Austrália, EUA e Hawaii. A nova geração vai pesar para os gringos. Temos inúmeros potenciais: Jihad, Pigmeu, Silvana Lima, Marcondes Rocha, Mineirinho, Hizunomê Bettero, sem falar nos demais. Eu nunca havia lido uma matéria na Surfing (surfingthemag.com), em que o autor só falou do Adriano Mineirinho, chamando-o The Giant (O Gigante), depois da sua participação no 40th Anual East Coast American Amateur Contest. Eram US$ 80 mil de premiação. Ele começa falando da humildade e simplicidade do garoto que não fala inglês e termina dizendo que, se ele que é o mero décimo do ranking amador brasileiro e já deixou os marmanjos dos anos 90 parecendo uns pregos, é melhor eles (os americanos) começarem a aprender o nosso português.
 
Qual seu voto para presidente e a sua opinião sobre a eleição?

 

Essa é uma questão delicada. Espero que o nosso país retome o crescimento e que o próximo presidente seja patriota, capaz, e que nos leve para frente. Quem vai ganhar? O seu Creysson já ganhou. Aqui é o país da piada em plena desgraça sócio-econômica. O Lula tá foda… Só espero que, se for ele, não se lambuze com o “mel” do poder…  Sei lá… A bucha pode ser grande e nessa hora o presidente tem que impor um nível (tipo nossos WCT) para o mundo. É nível world-class. Falar três a quatro línguas, sei lá, vamos aguardar e ver o que vai rolar.

 

Quanto aos outros candidatos, para deputado Estadual o Turco Loco. Apesar de muito criticado na sua entrevista aqui no Waves, acredito que ele é alguém que nós pelo menos temos acesso. É jovem e seria interessante ele se manter ali para representar o interesse dos jovens.
 
Como você encara a vida depois do acidente?
 
Pqp, imagine, faz 11 anos agora em novembro. Fiquei afetado quando percebi que nem dava pra coçar meu nariz no hospital. Não poder fazer um monte de coisas… No começo é mais doloroso. Depois, você vai se adaptando. Quero agradecer ao meu brother de coração pela minha cadeira de motor, porque sem ela eu já teria pirado de tanta dependência. Hoje eu tenho 80 % da minha liberdade por causa dessa cadeira. Também rola a irmandade dos irmãozinhos do Guarujá, todo esse tempo, são gerações de ajudantes voluntários, sem falar nas minhas amigas. Sem elas eu estaria um revoltado. Amo vocês TODAS, especialmente as do SURF.
 
Como é ficar sem surfar?
 
Uma merda. Nunca pensei que passaria por isso, mas, tenho que passar por esse CASTIGO. Tem outras coisas ainda piores, tipo levantar da cama, dar um rolê caminhando, malhar, alongar… E por aí vai…
 
Qual sua maior frustração?

 

Ver a miséria de alguns nas ruas de São Paulo e saber que não existe solução…
 
O que faz para sobreviver nesses 10 anos?

 

Escrevo colunas e tenho meus patrocinadores, sempre com o logo nelas e me que ajudam mensalmente (Hang Loose, Reef, Spy, St Comp), além de cuidar do site www.badboysurf.com.br e das vendas da loja virtual da Bad Boy. Nestes 11 anos aprendi algumas coisas no computador, sites, páginas, pôr no ar, trabalhar imagens no Photoshop, Corel Draw, logos. Organizei alguns campeonatos (uns vinte), tive uma escolinha de surf no verão de 95… De tudo, o que eu mais curto são as locuções como comentarista nos campeonatos ou na TV, como já fiz alguns anos na ESPN-Brasil.

 

Rádio seria show, se alguém tiver um canal, estou disponível. Agora, ao vivo no palanque… Eu já fiz vários anos. É uma pena eu estar de fora do SuperSurf. Modéstia à parte, pelo carinho e disposição que tenho para fazer esse trabalho, acho que o surf está perdendo um pouco nessa minha ausência. Talvez alguma mudança espiritual aconteça na cabeça de quem lidera e eu volte a participar. Tem a SMF também… Só marketing e muito forte também, afinal a SMF somos nós contra os australianos, americanos e o resto do ‘pack’.
    
Qual a mensagem para a galera?

 

Não deixe passar nenhuma oportunidade. Aproveitem cada movimento. Alonguem-se, malhem, surfem. Mas, no outside, no quebra-côco, se você for o felizardo, nem queira saber…

 

Para entrar em contato com Taiu mande mensagem para [email protected] ou acesse o site Taiu Surf.

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.