
Apesar do surfe feminino ter crescido nos últimos tempos no Brasil, muitas garotas ainda penam para conseguir um patrocínio.
Algumas surfistas até recebem apoio de empresas, mas muitas vezes não é o suficiente para arcar com as despesas dos campeonatos e viagens. Entre essas atletas está a atleta de Saquarema, Taís de Almeida, 19 anos.
Mesmo apresentando bons resultados nos campeonatos, a atleta está sem patrocínio há mais de um ano.
?O que falta é um patrocinador principal para que eu possa correr o mundial. Com meus co-patrocínios, só consigo disputar os circuitos no Brasil, mas quero correr os internacionais?, comenta.

Para ela, falta incentivo para as atletas brasileiras viajarem para o exterior. Normalmente, a maioria das marcas brasileiras patrocina as meninas para correr os circuitos nacionais. ?Eles acham caro. Não valorizam o surfe feminino?, lamenta.
Comparando com as marcas internacionais, o mercado surfwear nacional deixa a desejar para as atletas.
?Em outros países, por exemplo, você vê marcas que patrocinam não só uma menina, mas seis. Na maioria, australianas ou havaianas. As meninas do Brasil têm a Jacque Silva, da Rip Curl, e a Tita que está sem patrocínio?.
Mostrando a que veio, em 2002, a surfista foi

vice-campeã brasileira com apenas 17 anos, ganhando três etapas do SuperSurf.
Em 2003, a atleta não venceu nenhuma, porém não deixou de subir ao pódio. ?Eu não fui muito bem, mas na etapa na Bahia fiquei em segundo lugar?.
Também no ano passado, ficou um mês na Europa, onde correu o circuito mundial WQS, divisão de acesso ao WCT.
?Foi o meu primeiro mundial. Passava duas ou três baterias, como aconteceu na Inglaterra, mas quando chegava nas Tops eu perdia. Também foi muito ruim de onda, estava muito pequeno. Se tivesse mais onda, acho que seria melhor?, esclarece.

Atualmente, a surfista está na corrida pelo título brasileiro. Depois da segunda etapa do SuperSurf, realizada em abril na praia de Maresias, Taís ocupa o quarto lugar, ao lado das cariocas Andrèa Lopes, Alessandra Vieira e Juliana Guimarães.
A surfista nasceu em Brasília, mas com apenas um ano foi morar em Saquarema, onde começou a surfar aos 10 anos.
Acostumada com o power das ondas de Itaúna, ela se tornou uma das promessas do surfe feminino brasileiro e se profissionalizou em 2001, quando começou a correr o SuperSurf e ganhou a etapa da Prainha.

Taís faz parte da nova geração que conta com grandes talentos, como Silvana Lima, Suelen Naraísa e Juliana Guimarães.
De acordo com a atleta, quando começou no esporte eram poucas as garotas que corriam os campeonatos.
?Eram basicamente a Andréa (Lopes), a Brigitte (Mayer) e eu, que era bem pequena. Agora é diferente, são várias meninas novinhas, tanto aqui no Brasil quanto lá fora?, comenta.
Na torcida pela surfista, sempre está uma pessoa muito especial. Dona Zélia, 75 anos, a vovó que mais vibra nos campeonatos. ?Ela quer ir em todos os campeonatos, eu é que não deixo?.
?Ela fica na areia gritando e eu não gosto. Prefiro que ela acompanhe de longe, pois tira um pouco a minha concentração?, brinca a netinha.