
Enquanto a Guarda Costeira dava sinal de alerta aos navegantes, um pequeno bando de malucos tentava arrumar um barqueiro ainda mais doido para uma missão urgente. Pegar o secret mais casca de São Paulo. Igapenunga.
Desde o momento em que os mapas e previsões começaram a indicar o tamanho e direção do swell gerado pelo ciclone extratropical, que parece ter virado moda nos últimos tempos, nosso Aquaman Aleko iniciou a correria para produzir a barca.
Dois dias e mil e quinhentos telefonemas. Depois amanheceu. Estávamos no litoral norte a espera do barco de alumínio. Insegurança total. O swell não parecia tão grande, a chuva não dava trégua desde a madrugada daquela quarta-feira.

Natalino, nosso ?barqueiro topa todas? insistia em dizer que não haveria tantas ondas. Mas estávamos com a prancha atrás da orelha. Danilo Grilo, Sobral, Peninha e Sávio Carneiro saíram de barco meia hora antes da gente. Não voltaram. Danilo é um dos maiores experts do pico, conclusão: deve ter onda. Altas.
No rádio os noticiários continuavam avisando: ?Pedimos às embarcações que permaneçam em terra?. Zarpamos.
Maré super baixa, mais baixa que salário mínimo! Sávio Carneiro enfrentou as ondas com Natalino no barco enquanto Aleko, Renato Wanderley, Diego e eu fomos obrigados a atravessar a rebenta nadando para embarcar no outside. Fantinha já estava com seu jet-ski na beira do rio. Nos encontraria no meio do caminho.

Surpresa. Ao chegarmos no pico a situação não tinha nada a ver com nenhuma das previsões. As ondas não estavam tudo isso. Séries demoradas. Nem uma gota de chuva, mormaço, quase sol. Aliás, nem sinal de ciclone. Terral leve.
A galera levou um quiver para mar grande. Não precisava. Mesmo assim a potência das ondas fez as pranchas funcionarem.
Bom, surf é assim. Nada daquilo que esperávamos, mas um point gringo, só com amigos na água é sempre convidativo. Tem picos que mesmo quando não estão ?do jeito? ainda são melhores do que muitas praias nos seus melhores dias.
O resultado está aí nas fotos do Aleko e, claro, na cabeça da galera que se divertiu apesar da fraude ciclônica. No país do meio metro, ondas como aquelas são como pizza. Mesmo ruim…
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