
A chegada de um swell enorme na madrugada do último domingo no Tahiti esquentou os ânimos dos top 45 do WCT, que também chegaram no pequeno vilarejo de Teahupoo durante o final de semana para a disputa do Billabong Pro Teahupoo 2005.
Ondas de até 6 metros (cerca de 15 pés) explodiam na perigosa bancada na manhã do domingo, enquanto alguns dos maiores tube riders do mundo desafiavam a vida nos poderosos cilindros taitianos.
Sob os olhos de diversos representantes da elite do surf mundial, incluindo os irmãos Andy e Bruce Irons e o ex-top do WCT Shane Dorian e toda a mídia internacional, o consagrado local Raimana Van Bastolear chegou perto de

perder a vida em uma das cenas mais incríveis da história do surf.
Depois de ser rebocado em uma onda de cerca de 4 metros durante a session matinal, Raimana viu seu parceiro, o havaiano Reef Macintosh, ser pego pelo lip da onda e em poucos segundos o jet-ski despencou literalmente em cima de sua cabeça.
Bastolear só teve tempo de perceber o risco e desviar a cabeça da colisão certa, enquanto o jet explodiu contra o fundo.
“Pelo canto da minha visão senti a presença de uma coisa preta e grande, então abaixei rapidamente a cabeça e não sei o que aconteceu”, disse Raimana.
“Quando me dei conta que era o jet, pensei: ‘Cadê o piloto dessa coisa?’. Depois vi Reef subindo e percebemos que perdemos o jet, mas felizmente nada aconteceu conosco”, concluiu.
Mesmo depois de escapar milagrosamente da morte, o taitiano continuou a desafiar o perigo nas ondas, enquanto o swell continuava a subir assustadoramente em Teahupoo.
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Uma das testemunhas do inacreditável acontecimento foi o tricampeão mundial Andy Irons, que assistiu a tudo da segurança do barco ancorado no canal.
Depois de chegar ao Tahiti na madrugada, Irons aguardava para fazer sua primeira sessão de tow-in em Teahupoo e teve sua confiança levemente abalada pelo incidente com o jet-ski, mas mesmo assim foi adiante com bastante cautela.
“Aquela foi a cena mais bizarra que já presenciei”, disse Irons, amigo pessoal do piloto Reef Macintosh. “Foi uma loucura, era minha primeira sessão de tow-in no local e foi uma experiência inesquecível”, comentou o havaiano.

“As ondas não estavam totalmente perfeitas, tinha um balanço, mas quando entrava a série era absurdamente tubular e pesada, foi alucinante”, resumiu Irons.
O taitiano Manoa Drollet, vencedor da triagem que definiu dois convidados para a terceira etapa do WCT, ao lado do havaiano Liam McNamara, protagonizou um dos momentos mais marcantes do dia ao pegar uma onda considerada por muitos locais como a maior já surfada em Teahupoo até hoje – em parceria com Andy Irons.
A dupla agora irá se enfrentar na mesma arena na bateria de abertura do Billabong Pro. “Depois dessa sinto que superei todos os medos e aflições em Teahupoo. Manoa é um dos caras mais difíceis de enfrentar aqui e se eu conseguir passar por ele, sei que poderei avançar na competição. Mal posso esperar pelo início das disputas”, finalizou o tricampeão mundial.
Outro atleta que roubou a cena durante o swell foi o havaiano Shane Dorian, que chegou no sábado do Hawaii acompanhado pelo jovem parceiro Ian Walsh, de 21 anos. Desafiando o perigo ao buscar as ondas na zona mais crítica, Dorian pegou três tubos irados de backside antes de qualquer um surfar uma onda.
A previsão indica que as ondas devem abaixar para cerca de 2 a 3 metros no decorrer do período até o início da janela destinada ao Billabong Pro, no próximo dia 5 de maio.