
Saímos de São Paulo no último dia 2 de junho com destino ao Peru, sabendo que um swell de 15 a 18 pés entraria entre sábado e domingo, mas o pico do swell seria no sábado.
Luis Roberto Formiga, Jorge Pacelli, o fotógrafo Anselmo “Cachorrão” Venansi e eu saímos com a meta de chegar a Lima e ser recebido por Juan, motorista da van que nos levaria até Punta Hermosa, mais ou menos 45 minutos da capital Lima.
Nosso destino final era Pico Alto. João Capilé e Luisfer, fundadores do Ocean Riders South América, primeira equipe de tow-in do Peru, esperavam para levar Pacelli e Formiga logo para a primeira sessão no mesmo dia que saímos do Brasil. Essa é a vantagem de vir para o Peru, você chega ao mesmo dia e já pode pegar onda, com tamanho e força diferentes do Brasil.
Capilé e Luisfer já estavam cansados da session da parte da manhã e dos outros swells que já estavam quebrando desde o dia 29 de maio, então apenas Pacelli e Formiga foram fazer a session do final de tarde. Eu e o Cachorrão ficamos no cliff de frente para Pico Alto fazendo as primeiras imagens e já percebemos que as imagens boas seriam de dentro da água, mas o nosso problema era que os jets já estavam escassos, pois eram três jets para um total de 10 surfistas.
À noite começamos a preparar os equipamentos para o dia seguinte, que prometia boas ondas. Luisfer agilizou um barco para no dia seguinte fazer as imagens de dentro d?água. Quando acordamos no sábado de manhã a famosa neblina já estava tomando conta de Punta Hermosa.
Fomos checar o mar e vimos que ainda estava grande, mas na hora que vimos a nossa embarcação surgiu um certo medo, pois as ondas estavam grandes e tinha a forte neblina.
Por isso Cachorrão, eu, Enrique do Jornal El Comercio, o principal do Peru, Paco, um surfista local das antigas de 56 anos, o capitão e seu marinheiro tivemos que sair do porto de Pucusana, um porto mais seguro para sair mar à dentro e demoraria uns 50 minutos para chegar até Pico Alto.
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Na chegada vimos que as ondas estavam grandes, cerca de 15 a 18 pés. No outside, três jets e mais uns cinco surfistas lutavam para não tomar uma série na cabeça, e dois desses surfistas conseguiram dropar duas bombas no braço.
Já no tow-in a coisa ficou “biscoitinhos Mabel”, como dizia Capilé. Ele foi o grande incentivador e, com tantas temporadas e conhecimento do local, já estava desde o dia 30 de maio pegando ondas entre 12 a 15 pés direto e deu o aviso desse swell grande para Pacelli e Formiga.
Capilé, Luisfer, Kiki, Flávio Caparoli, Guilhermo, Ilan, Aron, Pacelli e Formiga se revezavam entre os três jets ou sentados no canal esperando a vez.
Aron e Ilan eram dois brasileiros que estavam hospedados no hotel de Luisfer, Aron estava em viagem com os filhos de carro vindo do Brasil e Ilan veio por causa do swell. O local Luisfer foi um dos destaques da session e pegou uma onda que tinha uns 20 pés, cavou na base com muita tranqüilidade e mostrou que conhece como ninguém Pico Alto.
Formiga também teve um momento incrível após rasgar a parede de uma bomba de uns 18 pés, quando chegou na base da onda ela esticou um braço que Formiga não teve dúvida e mostrou atitude colocando para dentro, mas como os tubos em Pico Alto são raros a onda acabou fechando.
Mas o momento que marcou essa session foi no final de tarde, após decidirmos que iríamos voltar um por um de jet-ski até a praia em frente a Pico Alto. Quando saiu o primeiro a ir embora, Enrique, do jornal peruano, começou a entrar a série lá fora e toda vez que as maiores entravam a visão do barco para o line-up sempre ficava com uma marola na frente.
Depois que essa marola passou surgiu Pacelli na base de uma onda com uns 30 pés, todos nos no barco ficaram impressionados com o tamanho da onda, pois as últimas séries que tinham entrado não passavam dos 20 pés. Pacelli chegou a comentar que quando começou a dropar a onda e chegou à base ficou impressionado com o tamanho. Pacelli dropou praticamente as maiores, mas essa realmente foi uma das bombas.
Pela distância, o Peru mostrou ser mais uma rota para os tow surfers brazucas que buscam ondas grandes. Agora, é sempre ficar atento à internet e quando outra bomba estiver por vir e só pegar um vôo de quatro horas e surfar ondas de até 20 pés.
Agradecimentos a Ocean Riders South América, Luisfer e a todos que participaram dessa trip que com certeza entrará para a história de Pico Alto e do tow-in sul-americano.
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