Swell de agosto desperta o North Shore

O mês de agosto normalmente é um dos meses de menos onda no North Shore. É claro que nao poderíamos esperar muito do fim do verão havaiano, quando as condições para o surf são melhores no South Shore, que geralmente recebe as rebarbas dos swells vindos do hemisfério sul.

 

Durante o verão passado, tivemos altas ondas no North Shore durante os meses de junho e julho, por coincidência ou não, bem na época da lua cheia. Mas, sem querer ser redundante, não houve nada em agosto.

 

Neste ano, mesmo sem muitas ondas durante o verão, parecia que agosto passaria em branco, assim como os meses anteriores. Já estávamos quase nas últimas semanas do mês e nada. Alguns já estavam até amarradões pela proximidade com o mês de setembro, principalmente porque as condições começam a melhorar depois da primeira quinzena.

 

Mas para a surpresa e  felicidade de muitos, durante a última semana dois swells atingiram as bancadas ainda cheias de areia do North Shore. Realmente havia previsão de ondas pequenas para a segunda-feira, dia 23.

 

Só que no domingo pela manhã, marolas de 2 pés, com excelente formação já alegravam alguns grommets e longboarders em Chun’s Reef , Val’s Reef e outros picos de ondas pequenas.

 

Com o passar das horas, as ondas aumentavam a cada série. Até que no início da tarde resolvi conferir as bóias e  percebi que o swell realmente tinha potencial, pois a bóia do meio dia já estava marcando 9 pés, com intervalos de 17 segundos.

 

Para quem não entende muito de bóia, o tamanho das ondas pode ser baseado na medida dos  pés (9 neste caso). Mas, dependendo do intervalos em segundos, podemos saber a real intensidade do swell.

 

Geralmente um bom swell tem intervalo de 14 segundos, mas quando começa a atingir a casa dos 17 ou 20 segundos  isso significa que o swell é realmente potente. Quanto maior o intervalo melhor, mas independente, disso a real era a de que daria altas ondas, pelo menos uns 8 pés sólidos.

 

Na verdade, até o fim de tarde foram vistas séries de quase 10 pés em Sunset e Phantoms. Havia ondas e crowd, claro, em quase todos os picos do North Shore. De Haleiwa a Turtle Bay estava dando onda.

 

Mas sem dúvida os dois melhores picos do dia foram V-land e Sunset. Durante o dia inteiro um crowd com cerca de 30 a 40 pessoas se divertia em V-land. Impressionante, porque apesar do número de cabeças na água todos saíam felizes do mar.

 

Tinha muita onda, uma atrás  da outra. No crowd havia brasileiros surfistas e bodyboarders. Entre eles, Cezinha, Ed Picollo, Guga Loureiro, Daniela Freitas e Claudia Sabóia.

 

Mas, por volta das 3 da tarde, uma turminha da pesada chegou para dominar o pico: Kai Garcia, Eddie Rothman, Makua Rothman, Perry Dane, Braden Dias, Myles Padaka e Sunny Garcia lideravam o grupo.

 

Ficou difícil surfar depois da chegada dos donos do pico. Só eles pegavam onda, mas passado algum tempo, séries maiores começaram a varrer a bancada e eles, assim como muitos outros, saíram do mar.

 

Foi nessa hora que as atenções se voltaram para a praia de Sunset, onde rolou um fim de tarde épico lembrando o inverno. No dia seguinte ainda tinha altas ondas e condições semelhantes, só que um pouco menor, mas bem constante e perfeito, com ondas em todos os picos exceto aquela área de Off The Wall, Rocky Piles e Pipeline – devido à grande quantidade de areia acumulada durante o verão.

 

Mesmo assim, um bodyboarder ou outro se atirava nos caixotes fechados que apareciam. Depois do swell diminuir mais ainda, as bóias se manifestaram novamente no fim de tarde da terça: 10 pés a cada 17 segundos.

 

O mar subiria de novo, só que daquela vez o auge foi durante a noite. Uma pena, mas apesar disso, na quarta-feira  pela manhã estava novamente clássico, entre 5 e 6 pés perfeito para mais uma vez fazer a alegria dos surfistas.

 

Mas como diz o velho ditado, tudo que é bom dura pouco. Depois que as ondas abaixaram, ficou aquele gostinho de “quero mais” e uma pergunta no ar: será que a temporada começou mais cedo?

 

Acho que a resposta depende do que nos aguarda em setembro. Mas, se depender dos surfistas, estamos prontos. “Bring it on”…

 

Clique aqui para ver a Galeria de Fotos.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.