Esgoto em São Conrado

Surfrider Foundation participa de audiência pública

Cláudio Falcão é o diretor-presidente da Surfrider Foundation Brasil. Foto: Darcy.

A Surfrider Foundation Brasil, representada pelos diretores Cláudio “Cacau” Falcão, Sergio Lindemann e pelo líder comunitário e instrutor da Rocinha Surfe Escola, Ricardo Ramos “Bocão”, marcou presença na audiência pública sobre a ETE de São Conrado, da CPI de crimes ambientais instaurada na ALERJ.

 

A ineficiência do saneamento de São Conrado entrou em pauta há cerca de um mês, após denúncia do jornal O Globo, alertando que, desde a inauguração da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE), em 2005, a qualidade da água da praia de São Conrado havia piorado sensivelmente.

 

A audiência foi aberta pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alerj, deputado estadual André do PV, e contou também com a presença de representantes da Cedae, Subsecretaria Municipal de Águas (Rio Águas), Feema, Comlurb, Amasco (Associação de Amigos e Moradores de São Conrado) políticos, imprensa, entre outros.

Qualidade da água de São Conrado tem piorado sensivelmente desde a inauguração da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE). Foto: Julio Cavalleiro.

Nenhum representante da Serla compareceu, o que foi comentado durante os trabalhos. O deputado André, do PV, criticou veementemente todos os órgãos responsáveis pela má gestão e péssima administração na operação da ETE e da elevatória da Cedae, principalmente a Serla e a DT Engenharia, empresa contratada pela Serla para operar a unidade de tratamento. Logo após, os diretores das empresas públicas foram ouvidos.

 

O diretor de grandes operações da Cedae, Jorge Briard, fez uma explanação detalhada com exibição de slides sobre mapeamento e operacionalização do sistema de saneamento de São Conrado e o bom funcionamento da elevatoria.

 

Em seguida, o Sr José Britz, presidente da Amasco, soltou o verbo contra tudo e todos, mencionando ainda o TAC, termos de ajuste de conduta elaborado pelo Ministério Público Estadual, assinado em 2004 pelos gestores dos órgãos responsáveis na época e esquecido pela atual gestão.

 

Houve uma seqüência de depoimentos e explicações, onde foram ouvidos os representantes de todos os órgãos públicos, e os principais assuntos discutidos nas reuniões anteriores foram colocados na mesa. A grande surpresa e constatação da audiência foi a descoberta, segundo a Cedae, que o grande responsável pela corrosão da tubulação que transporta os esgotos ao emissário submarino de Ipanema foi o cloreto férrico usado no tratamento dos rejeitos.

 

Na ocasião do uso do químico, a gestão da ETE estava sob responsabilidade da Serla. Conforme informou o subsecretario de Águas Municipais Alexandre Pinto, a gestão da ETE de São Conrado está sendo realizada pela secretaria de Águas Municipais desde janeiro deste ano, e, depois de oito meses inoperante, entrará em funcionamento dentro de 15 dias.

 

Solicitamos a palavra e, em nome da Surfrider Foundation Brasil, contestamos a declaração do diretor da Cedae sobre o bombeamento do esgoto pela elevatoria para o emissário de Ipanema em tempo seco, comentamos que na prática isso não ocorria, pois o esgoto vem saindo em qualquer tempo pelo costão da Niemeyer em direção ao mar.

 

Criticamos o péssimo funcionamento e subdimensionamento da ETE, alertando que não comportava o volume de esgoto que desce do rio da Rocinha, no que fomos contestados pelo diretor da Cedae, que mencionou ter a ETE de São Conrado capacidade perfeitamente suficiente para tratar o volume recebido. C

 

obramos uma data de previsão de quando a ETE voltaria a funcionar, sugerimos também um plano bem executado de monitoramento para se detectar as ligações clandestinas dos condominios de prédios que despejam esgoto no rio da Rocinha entre o trecho da ETE e a praia, e a troca urgente dos equipamentos danificados por novos para que se inicie o mais breve possível o bom funcionamento tanto da ETE quanto da elevatória.

 

Logo após, foi dada a palavra ao nosso querido Bocão, que criticou severamente a altíssima poluição que vem castigando os surfistas e frequentadores do canto esquerdo da praia de São Conrado, as precárias condições dos equipamentos das unidades de tratamento e bombeamento dos esgotos, a dificuldade que tem tido para execer seu trabalho, não poupando também a péssima gestão do recursos públicos.

 

Cobramos dos diretores presentes que fossem fornecidas a todos, informações sobre o andamento de todas as providencias a serem tomadas. Nos oferecemos para atuar como agentes de informação sobre as condições gerais da praia, despejo de esgoto no costão da Niemeyer e funcionamento da ETE e elevatoria. Ficou acertado também que o Bocão será um dos principais agentes de informação para a Cedae e Subsecretariade águas Municipais, pela sua presença diária no local.

 

Ao final da sessão ficou acertado entre os órgãos quais medidas serão tomadas. Com a constatação de que, além da areia, era o cloreto férrico, usado na estação de tratamento para promover a flutuação dos efluentes, que atacava e corroía as estruturas da elevatória e da tubulação, foi providenciada a troca do produto químico para o sulfato de aluminio, que é inerte, segundo Briard, diretor da Cedae.

 

Segundo informações da Cedae, a tubulação que leva o esgoto pela Av. Niemeyer até a  elevatória do Leblon para ser bombeado para o emissário de Ipanema está com 66% de sua espessura corroída. André do PV relatou que a simples troca do produto aumentou o custo de operação da estação para R$ 130 mil por mês.

 

Ficou decidido também que a Cedae e a Subsecretaria de Águas Municipais irão informar cada passo dado no saneamento para a Comissão de Meio Ambiente, para a Amasco, para a Surfrider Foundation Brasil e para O Instrutor e Líder Comunitário Ricardo “Bocão” Ramos.

 

No cômputo geral, foi muito positiva a participação da Surfrider na audiência, pois, não só como representantes legítimos dos surfristas, banhistas e amantes das praias e do mar, pudemos desempenhar um ativo papel como representantes da sociedade civil cobrando, exigindo, fiscalizando, discordando e colaborando de uma forma geral para que possamos melhorar efetivamente a qualidade das águas e praias cariocas.

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