
Cada vez mais o paulista Fábio Nunes, ou apenas Binho, como é conhecido, vem se tornando um multimídia no meio em que surgiu como um jovem e talentoso competidor, há quase quinze anos.
Aos 28 anos, depois de tentar a carreira como profissional o surfista natural de Itanhaém decidiu se dedicar ao free-surf e a outras áreas, como a música e o skate.
“Depois que perdi o interesse por baterias, comecei a encarar o surf como arte, e conseqüentemente a arte tomou conta da minha vida”, filosofa.

Atualmente, Binho é apresentador de televisão e criador de um reality show chamado ?Barca do Binho?, exibido pelo canal pago Sportv, além de possuir outros projetos nessa área.
Depois de três temporadas sem dar as caras no Hawaii, onde é respeitado pela atitude e pelo excelente desempenho em ondas como Pipeline/Backdoor, ele está de volta às ilhas.
Nesta entrevista para o correspondente Waves no arquipélago Bruno Lemos, ele fala sobre a vibração do North Shore e aconselha os colegas competidores a não desistirem de tentar um lugar ao sol.
Para finalizar, o carismático e performático surfista deixa seu recado: ?Cumpra sua missão na Terra, porque dela você só leva a vida que você leva?.
Há quanto tempo você não vinha para o Hawaii e o que está achando da temporada?
Estava há três temporadas sem bater o cartão nas ilhas. Minha impressão sobre este inverno está sendo positiva, apesar do crowd animal como sempre. Desde o primeiro dia que pisei aqui tem rolado Pipeline constantemente, o que já valeu minha viagem.
Como foi ficar esse tempo todo sem surfar Pipeline? Na sua opinião o crowd e o localismo aumentaram?
Fiquei quase doente esses invernos que perdi, pois investi muito tempo nessa onda desde 94. E Pipe não é brincadeira, então para ficar confortável no pico você deve surfar todos os anos sem intervalos, caso contrário seu ritmo vai diminuir e tem o risco de você ficar ausente alguns anos e na volta se sentir um estranho no ninho. Fiquei feliz em chegar no outside e vários caras falarem comigo, como o Derek Ho, Mikala Jones e Jason Magallanes. Estou trabalhando bastante para me acertar no crowd, mas foi melhor do que eu esperava. O localismo aumentou sem dúvida, mas consegui pegar uns tubos legais, tem mais gente dentro d?água do que fora, várias novas caras no pico e as velhas continuam sedentas como sempre. Então, resumindo, o crowd duplicou.
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Por um bom tempo você competiu no WQS. Como foi a transição de competidor para free-surfer e o que mudou na sua vida depois disso?
Competir é bom demais, por um certo tempo. Depois que perdi o interesse por baterias, comecei a encarar o surf como arte, e conseqüentemente a arte tomou conta da minha vida. Já faz muito tempo que consegui me desligar da alienação do mundo das competições. Agora tenho tempo de pensar com mais clareza, minha vida está em outra dimensão, tenho uma visão mais ampla de tudo e estou curtindo cada momento como se fosse o último.
Que conselho você daria para o atleta que rala no WQS e não consegue entrar no WCT, e que já está pensando em parar?

Todo mundo que surfa acima da média terá seu lugar ao sol um dia, basta ter paciência que o ano mágico baterá em sua porta. Um exemplo claro disso é o Marcelo Trekinho, um dos poucos surfistas completos que o Brasil já produziu e não está lá, por algum detalhe que não depende apenas do surfe. Então, espero que ele fique relax que a hora dele vai chegar, como chegou a do Chris Ward e de muitos outros que demoraram para entrar, mas fizeram o gol nos 45 do segundo tempo.
Você parece estar cada vez mais envolvido com a música e também com a carreira de apresentador de TV. Pretende ser um astro do rock ou celebridade do meio artístico?
Quero fazer um monte de coisas ao mesmo tempo, mas o mais importante pra mim agora é surfar todos os dias, pois me deixa mais criativo. Estou com projetos legais que pretendo concretizar dentro da Barca do Binho, este ?crazy reality show? que eu criei para o Sportv. Estarei gravando praticamente este primeiro semestre inteiro. Esses são meus planos por agora, mostrar o lyfestile do surf e skate do jeito que eles realmente são. Ah, fora o ?Rio Tavares Mother Fuckers?, um filme de uma galera que mora neste bairro que é movido a surfe, skate e rock?n?roll. Tem também um filme chamado ?Os Bitchinhos?, sobre coisas engraçadas da vida, em parceria com o Fábio Gouveia e toda sua família, mais amigos, cachorros, carros e churrasco… É isso.
Deixe um recado para os internautas.
Surfe, trabalhe, namore ou case na hora certa, coma e durma, ouça músicas todos os dias, seja solidário, fale com as pessoas olhando nos olhos, caso contrário não fale com essa pessoa, pois ela não deve ter boas vibrações. Respeite e será respeitado, cumpra sua missão na Terra, porque dela você só leva a vida que você leva. Paz.
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