
Vou dar um breve parecer do meu ponto de vista sobre a atual situação do cenário do surf mundial. Hoje o sistema de realização dos campeonatos está bem ‘saturado’, produto de anos de repetição do velho formato.
Esse formato, num dia perfeito com os Tops mundiais na água, ainda é alucinante, mas quando o mar está ruim não é mais tão atrativo.
O big surf foi expandido a um outro limite, com a ajuda do jet-ski. Eu, pessoalmente, odeio o cheiro de diesel das embarcações. Os gringos estão desenvolvendo uma competição envolvendo times (ligas) com técnicos, equipe e confrontos (jogos) de três horas de duração.

O surf hoje continua com sua forte raiz na essência da remada, mas isso deu cria nos últimos 40 anos. Na busca de ultrapassar os limites surgiu o Tow-in, que está roubando a cena, pelo menos no “Fantástico” (programa de domingo da Rede Globo).
Isso está incomodando muitos surfistas de remada, mas essa variante do ‘surf-mãe’ está rendendo ondas absurdas. Surfar uma onda sendo rebocado por um jet-ski, qualquer um com um surfe de base vai… Agora, surfar bem, fazendo curvas lá embaixo, rabiscadas e tubos… Aí sim, estamos falando de grandes surfistas.
Quando o surf começou a se tornar uma sub-cultura, nos anos 60, surfar na Califórnia, em Malibu, Huntington, Rincon ou The Ranch era o mais sonhado cenário. Hawaii, J-Bay ou

Burleigh Heads eram os sonhos da imortalizada “alegria de verão”.
No final dos anos 60 e durante os anos 70 nasce a pranchinha, para tomar o lugar dos longboards e radicalizar as manobras. Pipeline, Sunset, Waimea, Burleigh e J-Bay eram o auge das revistas da época. O crowd em Pipeline era de no máximo 20 cabeças, entre elas Lopez, Russell e Crawford.
O tradicional campeonato Pipe Masters, Smirnoff ou Cuervo Classic, em Sunset, com direito a ir para Waimea, tornava o esporte um dos mais adrenalizantes, e volta e meia estava no Fantástico.

O ser humano não se contenta com o que tem… Depois da triquilha, inventada em 1981, nada de muito diferente aconteceu com o equipamento a não ser o refinamento. As manobras evoluíram, mas a prancha “modelo básico” triquilha 6’0″ ainda não mudou.
Na busca da evolução e do surf imaginário, assim como surgiu o skate, surgiram vários outros ‘filhos’ do surf. O que está mais próximo dos surfistas é o Tow-in, porém, quando usado para dropar as ondas gigantes – porque sem o jet para resgatar o ‘maluco’, surfar em outer-reefs não é uma boa idéia.

Se algum dia você remar até Phantons (outside de V-Land, Hawaii) com 15 a 18 pés, você terá uma idéia do que é ser uma ‘casca de noz’ no oceano. Sem o jet-ski facilmente a investida pode ser fatal.
O tow-in, tirando a ‘zica’ do cheiro de óleo diesel, está trazendo imagens absurdas para quem está só observando. O havaiano Garrett McNamara que o diga. Parabéns por ter sobrevivido neste salãozaço, amigo…
O kitesurf é a outra variante que considero impressionante. A vantagem é que dia de praticar kite é o dia que está ruim para o surfe (vento forte e mar mexido).

Quem já viu um bom kiter voando e surfando, tirou suas próprias conclusões. Também chega a ser demais o sofrimento do iniciante até ele dar a primeira deslizadinha. Para dominar então… Trabalho duro.
Hoje, com todas estas opções e com esse crowd crescente do surf de remada, você é livre para tentar escapar para outro divertimento de alguma forma…
Aloha!