Por trás das notas

Surfe também é uma onda cultural

#Sinceramente não gosto de achar que o surfe está na moda, pois toda moda passa. Mas o nosso esporte parece ter sete vidas e volta e meia ele renasce, trazendo à tona o estilo de vida que nasceu na Califórnia nos anos 60, e vem ditando o comportamento entre os jovens nos quatro cantos do planeta.

Nos últimos anos, temos visto os surfistas como personagem de várias campanhas publicitárias. Isso indica que nós temos um produto desejado pelas marcas que querem atingir essa fatia do mercado.

Neste ano, o surf está presente em vários lançamentos como o desenho da Disney Lilo & Stitch, a produção de Hollywood Blue Crush, o modelo de carro 206 da Peugeot em parceria com a surfwear Quiksilver.

Além do clip da cantora Cherril Crow e do desenho animado Rocket Power, já lançados, que me levam a crer que uma nova onda está voltando.

A imagem dos surfistas está mudando e o mercado percebe, nós não somos mais os marginais da sociedade. Nosso esporte é símbolo de saúde e de liberdade numa sociedade que venera o prazer e que vive presa ao sistema.

O problema está em criar um esteriótipo, pois geralmente vem carregado de pré-conceitos e recalques. Não se pode definir o surfe em simples palavras ou associações de imagem.

#Outro problema é o uso desta imagem sem um efetivo apoio ao esporte. As campanhas publicitárias usam o surfe sem investir na estrutura do esporte. Parece que viramos as mulheres peladas do segmento, todos usam para atrair atenção dos jovens que já não se interessam pelos esportes convencionais.

No Brasil, tivemos o lançamento do filme Surfing Adventures, que levou nosso esporte para além da praia, e nos últimos meses empresas como Petrobras e C&A fecharam patrocínios nos circuitos profissionais.

Realmente não podemos reclamar, vários avanços foram feitos e o nosso esporte está começando a dividir o bolo de verbas que as empresas investem em esporte, mas para chegarmos lá, temos que desenvolver produtos que sejam atrativos para a televisão.

Devemos acertar o calendário de eventos para que os principais surfistas brasileiros possam participar e trazer o interesse da mídia. Não pode ter uma etapa do SuperSurf junto com o Us Open, em Huntington Beach, por exemplo.

Nosso esporte tem tido uma exposição que certamente levará a um outro crescimento em massa, de forma que acabará criando raízes mais profundas na sociedade. Os #surfistas hoje são empresários, pais de família e até avôs.

Nossa semente já foi plantada e disseminada em todos os cantos do planeta, tem gente surfando até no mar Negro, e não tem mais volta. Por isso não somos uma moda e sim uma realidade. Assim como as ondulações, nós sempre voltamos, só que cada vez mais fortes.

Boas ondas.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)