Como esta é minha primeira matéria, e espero que não seja a última, gostaria de agradecer ao Waves.Terra por novamente demonstrar a todos que quem realmente se importa com o esporte, estimula diretamente seu núcleo a expor suas idéias, ou seja, os surfistas.

 

Admiro e me identifico muito com os textos polêmicos de Fábio Franco, não apenas por ele ser um grande amigo meu, mas devido à sua habilidade em fazer as pessoas pensarem e abrir os olhos às novas tendências do surf.

Lógico que, ao me referir às novas tendências, estamos falando de surfistas jovens, que infelizmente na grande maioria não contam com apoio ou espaço suficiente para mostrar seu estilo e forma de surfar.

 

E bota espaço necessário nisso, pois se fosse dada a devida atenção aos surfistas inovadores, provavelmente teríamos que mudar até o formato das páginas de revista, para poder caber toda a criatividade dos surfistas que têm mente aberta. Ou seja, mais ou menos como funcionam os outdoors, com aplicações que ultrapassam o seu espaço.

 

No meu ponto de vista, o surf praticamente originou outros esportes radicais. Contudo, percebemos que a maioria dos boardsports como snow, skate, wake e muitos outros, sofreram um processo de evolução que ultrapassa mais fronteiras a cada dia.

 

É uma pena que isso não seja valorizado no surf pela grande massa. Ou seja, as pessoas acabam se acostumando ao surf como ele está, com campeonatos quadrados e atletas que evitam tentar coisas novas.

 

Outra coisa pior ainda é o fato de o pessoal se transformar em patriotas, fechados ao fato de não assumir que lá fora o surf está tomando outras proporções, e evoluindo num ritmo acelerado.

 

O que seria um ato de patriotismo é conscientizar-se a respeito do assunto e fazer algo, e não criticar as pessoas que mostram o que está sendo feito lá fora – para benefício do esporte aqui. O surf é um esporte sem fronteiras. Se você for nigeriano e mandar um flip, você contribuiu com o esporte.

 

Algumas pessoas discordarão da relação que acabo de fazer do surf brasileiro com o internacional, mas é comprovado que com maiores estímulos da mídia, circuitos com outros formatos, especialistas em aéreos e manobras inovadoras, filmes diferentes, o reflexo será instantâneo.

 

E, se pararmos para pensar… Qual desses ítens acima dominamos no Brasil? Infelizmente, temos que nos contentar em ver o amigo mandando um “superman”, ou “varial”, ou algo parecido num mar crowdeado e cheio de gente – que provavelmente nunca viu nada parecido.

 

Por isso, para começar a “tridimensionalizar” o surf, ou seja, sair dos modelos estáticos, superficiais, e ver o surf como algo mais real, sem fronteiras, com profundidade, temos que aproveitar e utilizar de várias maneiras os quase 2 metros de prancha. Para isso, é preciso um apoio total da mídia e dos atletas.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)