Surfe sem crowd no Tahiti

Atóis de Tuamotu, Tahiti. O nome você pode não reconhecer, mas certamente já viu altas fotos de lá. Em recente reportagem publicada na Fluir, Raoni Monteiro, Mick Fanning e Nathan Hedge aparecem surfando altas ondas em “algum lugar da Polinésia Francesa”.

 

O segredo que vinha sendo guardado na medida do possível está sendo descoberto. Tuamotus, situado a nordeste da ilha do Tahiti, na Polinésia Francesa, poderá se tornar num futuro próximo o que foi as Mentawaii nos anos 90.

 

O Waves.Terra já apresentou um especial na sessão “Expedição” Waves Tahiti, em 2002, com um grupo de amigos vivendo uma barca de sonho sem ninguém ao lado para dividir as ondas. O hot site da expedição pode ser conferido na sessão Especiais na home do site.

 

Em janeiro de 2002, o australiano Chris O’Callaghan e o tahitiano Moana David (irmão de Vetea David) iniciaram as expedições para as Tuamotus no barco Cascade, um iate de luxo de 64 pés com cinco cabines para grupos de oito a dez surfistas.

 

Os felizardos que tiveram a oportunidade de fazer a primeira viagem àquela região têm muito o que contar. CJ Hobgood, Cory Lopez, Andy Irons, Joel Parkinson e Mick Fanning surfaram uma direita da “região das direitas” (“The rights zone”) que descreveram como uma mistura de Backdoor com Burleigh Heads.

 

Até Marty Dale, capitão do Indies Trader – barco que deu a volta ao mundo patrocinado pela Quiksilver – disse que de todos os lugares que ele visitou, foi em Tuamotus que ele viu mais ondas perfeitas e tubulares quebrando sozinhas, além de uma esquerda muito parecida com Padang.

 

Cobrindo uma área maior do que a Europa Ocidental, o arquipélago de Tuamotu consiste de um grupo de atóis que vai de noroeste a sudoeste do Oceano Pacífico Sul. São 78 ilhas ao norte do Tahiti (41 não habitadas), formando a maior cadeia de atóis do mundo.

 

Apesar da quantidade de ilhas e da enorme área total que ocupa (equivalente à Europa Ocidental), a área terrestre do arquipélago é de apenas 3.800 Km quadrados. A população inteira é de apenas 12.000 pessoas, e talvez 10 surfistas.

 

No inverno, de abril a outubro, as mesmas ondulações de sul/sudoeste que atingem Teahupoo, na ilha do Tahiti, chegam com força havaiana nos reef-passes de Tuamotus voltados para o sul, freqüentemente entre 6 e 8 pés. Nesta época a predominância é de esquerdas fortes e tubulares.

 

No verão, de novembro a março, as ondulações que quebram no North Shore havaiano continuam viajando em direção ao sul e, em cinco dias, chegam com metade do tamanho nas perfeitas bancadas de Tuamotus, normalmente com 4 a 6 pés.

 

Nesta época é que funciona a região que os pros chamam de “The rights zone”: são três direitas excelentes em atóis relativamente próximos uns dos outros. Neste dezembro, o barco estará ancorado em frente à mais longa delas, uma das ondas preferidas de Kelly Slater segundo ele mesmo.

 

O clima é quente o ano inteiro, mas entre maio e outubro é um pouco mais fresco e seco. A estação das chuvas é de dezembro a fevereiro. A temperatura da água é de cerca de 26 graus no ano inteiro. No verão, nem precisa levar roupa de borracha. No inverno, um short-john para o surfe do amanhecer pode ser útil. Mas a camisa de lycra para proteger do sol é fundamental.

 

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Como ir

 

Voando Lan Chile para Papeete-Tahiti, com pernoite opcional na ida e obrigatório na volta em Santiago-Chile. A passagem aérea custa entre US$ 1.200 e US$ 1.400, dependendo da época do ano. É possível arrumar um hotel em Santiago por US$ 50 a noite.

 

Se você escolher pegar o vôo de domingo, sairá daqui às 8 horas da manhã e chegará no Tahiti às 23 horas do mesmo dia, sendo 16 horas de vôo e cerca de 5 horas de espera no aeroporto do Chile.

 

Chegando na ilha do Tahiti, a galera vai para um hotel próximo ao aeroporto, que pode custar de US$ 60 a U$ 120, só para passar a noite. Bem cedo, na manhã seguinte, pega-se um vôo de uma hora até o atol onde o barco estará ancorado. O pessoal do barco estará à espera no aeroporto e, em poucos minutos, você estará dentro d’água num pico com altas direitas e esquerdas, tendo o barco ancorado há poucos metros dali, caso queira dar uma descansada ou fazer um mergulho irado, certamente o melhor de sua vida.

 

 

Aí é show de surfe por 10 ou 14 dias. Na tarde do último dia a galera é levada ao aeroporto do atol. De lá, voam para o Tahiti e, em seguida, basta esperar no aeroporto até a hora de embarcar para o Chile, às 24 horas. No vôo aproveite a qualidade dos vinhos chilenos para sonhar com a próxima trip…

 

Caso a galera queira conhecer Teahupoo, é só guardar os últimos dias para isto, saindo um pouco antes do atol.

 

Onde ficar

 

Ficar hospedado no barco Cascade é a boa. O Cascade é um Iate de luxo de 64 pés, com cinco cabines para até 10 surfistas e conta com dois motores V8 550 Turbo com velocidade cruzeiro de 11 nós e máxima de 17 nós. Inclui os seguintes equipamentos: um bote de 14 pés e 25 CV, um jet-ski, dois caiaques e material para mergulho ou para pesca de delícias como Marlin, Wahoo, Sailfish, Atum e Dourado. Ar condicionado em cada cabine, DVD, stereo e telefone via satélite (US$ 5 o minuto).

 

É fundamental ficar no barco Cascade, pois as condições para boas ondas quebrarem em cada atol são muito específicas. Freqüentemente, as ondas estão pequenas e mexidas em um atol e bombando com tubos clássicos no outro. Assim, a mobilidade do barco e a experiência da tripulação em encontrar as boas ondas podem salvar sua trip.

 

Tripulação

 

Chris O’Callaghan é o líder da expedição. Explora as Tuamotus desde 1995 e pega altas ondas. De uns anos para cá, vem sendo o diretor de prova do Billabong Pro Teahupoo, ou seja, o cara que decide em que momento as baterias entram na água. Não é preciso argumentar sobre seu know-how de previsão de ondas naquela área…

 

Eventualmente, Moana David estará ocupando o lugar de Chris. Moana é conhecido no mundo todo como a pessoa que melhor conhece os picos do Tahiti, tendo sido guia de surfe naquelas águas por mais de 10 anos.

 

Stanley Chave ou Can Can Sanphord se revezam como capitães. Naquelas águas, por melhor surfista que você seja, comandar a navegação requer experiência. Juntos, Stanley e Can Can emprestarão seus mais de 30 anos de experiência em navegação na Polinésia Francesa.

 

Outros três ajudantes fazem tudo ficar tranqüilo. Um cozinheiro francês arrebenta no rango e dois tahitianos que ficam sempre à disposição pra levar a galera pro pico, para uma pescaria ou para um rolê de jet-ski fazem a viagem ficar mais diversificada, não dependendo apenas das ondas para ser alucinante. 

 

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Outras atrações

 

Os principais Atóis de Tuamotu têm excelentes operadoras de mergulho submarino. Em alguns, é possível visitar fazendas de pérolas negras e pequenas ilhotas desertas e de águas calmas. A pesca nos Atóis de Tuamotu está entre as melhores do mundo e certamente você irá presenciar a captura e saborear um grande Dourado, Marlin ou Wahoo. No Tahiti, vale uma ida a uma das cachoeiras, ao mercado local, ao Jardim botânico e ao Museu Gauguin.

 

Custo da estadia

 

A diária no Cascade é de US$ 250 e inclui três refeições por dia e cerveja à vontade. Os pacotes geralmente são de 10 a 14 dias. Especialmente em dezembro de 2003 não há permanência mínima, podendo você se hospedar no barco por apenas 3 ou 4 dias, por exemplo, uma vez que o barco ficará ancorado em frente ao pico mais constante nesta época (uma direita e uma esquerda clássicas). Dependendo da disponibilidade de vôos, pode ser necessário permanecer dois dias na ilha do Tahiti, com a diária de cerca de US$ 100. Para confirmação da reserva é necessário um depósito inicial de 25% do total.

 

Contato

 

Deve ser feito com Luiz Garcia (Luli) através do e-mail [email protected] ou pelo telefone (0xx21) 9917-4373.

 

Os interessados em assistir um vídeo sobre as ondas e o lifestyle dos Atóis de Tuamotu devem entrar em contato com Luli para reservarem suas cópias. O DVD será lançado em novembro.

 

Dicas

 

Leve apenas duas pranchas, que dependendo de sua forma e disposição podem ser 6’2 e 6’8 ou 6’4 e 6’10 (pois o pequeno avião que faz o trajeto para o atol pode recusar de carregar mais de duas pranchas). As ondas de Tuamotus dificilmente passam de 8 pés e não exigem pranchas grandes.

 

Não se esqueça de levar muita parafina, cordinha extra, protetor solar, camisa de lycra, chapéu ou boné, óculos escuros e até um óculos de natação para apreciar a beleza dos corais a qualquer hora. Apesar de os mosquitos não serem um problema, é sempre bom levar um repelente, principalmente para a ilha do Tahiti.

 

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