Surfe contra a malária

Alguns anos atrás, o médico e surfista neozelandês Dave Jenkins fez uma viagem às ilhas Mentawaii em busca da perfeição que tornou o arquipélago famoso. Apesar de surfar ondas perfeitas naquele paraíso na companhia de amigos, Dr. Jenkins não se sentiu bem com a realidade que viu em terra.

 

Enquanto ele e seus amigos desfrutavam de ondas perfeitas e a mordomia de um iate com serviço 5 estrelas, pessoas que viviam em terra, não muito longe do local onde o luxuoso barco atracava, sofriam e morriam com a epidemia de malária que assola o local.
 
“Essa viagem me mostrou a grande diferença entre a vida rica dos surfistas ocidentais, que visitam e se divertem nesses reefs, e dos locais que estão sofrendo e morrendo a apenas alguns metros dali. O que poderíamos fazer para ajudar? Será que, com dedicação e suporte financeiro, poderíamos fazer

alguma diferença?”, questionou Dr. Jenkins. 
 
Foi dessa questão que nasceu a idéia de criar a “Surf Aid International” (Surfaidinternational.org), uma organização não-governamental sem fins lucrativos dedicada a ajudar o povo das Mentawaii a combater a malária e outras doenças. A SAI começou seu trabalho em 99, com uma pequena clínica na vila de Katiet, em Sipora, uma das principais ilhas das Mentawaii.

 

Quatro anos mais tarde, com apoio de empresas ligadas ao surfe e principalmente de surfistas que visitam as Mentawaii, a SAI atende centenas de pessoas em quase todas as ilhas do arquipélago.

 

“Nosso principal objetivo é educar a população das Mentawaii sobre prevenção e cuidados médicos com relação à malária. Não queremos apenas abrir uma clínica aqui e ali para atender os doentes, mas ensinar ao maior número possível de pessoas como se

prevenir contra a malária. Prevenção é a única maneira de diminuir o sofrimento que domina a vida de tantas pessoas que vivem nas Mentawaii” diz Dr. Jenkins. 
 
Em estudos iniciais, a SAI constatou fatos alarmantes sobre a situação da saúde local. A mortalidade infantil, por exemplo, é de 32% nas ilhas Mentawaii, e em algumas vilas 65% das famílias perderão ao menos uma criança para a doença.

 

Nas vilas mais afetadas, metade das crianças nascidas morrerão antes de completarem 5 anos de idade. Dr. Jenkins explica que o maior problema é o conhecimento limitado que a população local tem sobre a doença.

 

Pouquíssimas pessoas, por exemplo, sabem que a malária é transmitida por um mosquito, e que uma simples picada pode ser fatal. Outro problema é a dificuldade de acesso e transporte de remédios e médicos a muitas das ilhas, assim como barreiras culturais e lingüísticas. 

 

Apesar de todas as dificuldades, a SAI tem atingido resultados muito positivos. No último ano, por exemplo, a ONG imunizou mais de 1.300 pessoas contra hepatite B, tétano e pólio, entre outras doenças. Também foram distribuídas mais de 1.500 redes de mosquito tratadas com inseticida. Mais de 300 famílias receberam treinamento básico na prevenção e tratamento da malária.

 

Um comitê de saúde local foi formado, com oito enfermeiras treinadas pela SAI e o apoio de lideres locais chamados Shamans. Com apoio de entidades como a Organização Mundial de Saúde, e empresas como Lonely Planet Publications, Gret Banks International, ABN Amro Central Finance, Mitchell Surfing Foundation, Rip Curl International, entre outras, e principalmente de surfistas que fazem pequenas mas importantes doações quando

visitam as ilhas, a SAI  só tende a crescer a ajudar mais ainda a população local.

 

“Durante a criação da Surf Aid International,” conta Dr. Jenkins, “Eu conheci inúmeras pessoas e percebi que aquelas que eram as mais altruístas, que sempre doavam uma quantia, por menor que fosse, e assim ajudavam a população local, eram as mais felizes. Não é sempre fácil, mas sim, eu acredito, muito simples.” 
 
É bom ver que em alguns lugares a popularização do surf consegue, ao invés de produzir crowds e localismo, ajudar a população local e contribuir para que eles tenham uma vida melhor. Então, na próxima viagem às Mentawaii, faça uma doação para a SAI. Os locais agradecem.   

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