A previsão de entrada de alguns swells nos próximos dias no arquipélago havaiano pode finalmente dar início à tão aguardada segunda edição do Tow In World Cup nas temidas ondas de Jaws, na ilha de Maui.

 

Considerando que a modalidade exige cuidados especiais, a segurança é um dos itens mais importantes do evento. O experiente salva-vidas Romeu Bruno, um dos pioneiros na introdução do tow-in no Brasil e um dos primeiros brasileiros a surfer Jaws, fala sobre o assunto.
 

Quais são as medidas essenciais para oferecer segurança em um evento realizado em ondas gigantes?
 
Alguns equipamentos de segurança não podem faltar. Cinco jet-skis 1200 (com motor dois tempos para ter mais arranque), munidos com prancha e corda de resgate, rádios a prova d’água, um barco com um médico a bordo, equipamentos de primeiros socorros (com colares de pescoço, prancha de imobilização, etc) e unidade de oxigênio. Todos os competidores são obrigados a usar colete salva-vidas.
 
Como é feito o preparo das equipes de resgate?
 
É muito importante ter um tempo mínimo de duas semanas de treinamento entre os pilotos de resgate e os competidores, além de treinar com o helicóptero dos bombeiros e a lancha médica. No dia do campeonato é essencial ter um técnico de resgate em cima do penhasco, para ter uma visão mais ampla, com um binóculo e um rádio orientando os pilotos dos jets sobre onde resgatar os atletas.
 
Na primeira Tow-in Word Cup correu tudo como programado?
 
Sim, foi excelente.
 
Quais são os verdadeiros perigos a que os atletas estão sujeitos?
 
Desmaiar por falta de ar e conseqüentemente morrer afogado, cair de mau jeito a 80 km por hora na água e deslocar ou quebrar algum membro, bater no fundo de coral e sofrer lacerações, rodar com o lip e no impacto contra a água quebrar o pescoço ou qualquer osso do corpo.
 
O que é preciso fazer para estar no rip e manter o preparo físico?
 
Fazer natação, apnéia, yôga, alongamento, corrida, bicicleta, musculação, alimentação planejada, massagem recuperadora e acupuntura.

 

Há algum seguro para os surfistas pela organização ou eles assinam um termo de responsabilidade?

Eles assinam um termo de responsabilidade, mas não sei se há também um seguro pago pela organização do campeonato. Esse é um dos itens que a Confederação Brasileira de tow-in Surf tem como meta, trabalhar em prol do seguro de saúde e de vida para os atletas profissionais de tow-in.
 
Quais brasileiros você considera preparados para pegar essas ondas?
 
Carlos Burle, Eraldo Gueiros, Rodrigo Resende, Danilo Couto, Silvio Mancusi, João Capilé, Everaldo Teixeira (Pato), João Mauricio, Alfredo Villas Boas, Edison de Paula, Jorge Pacelli, Aroldo e eu.
 
Este número é igual ao dos outros países ou os brasileiros estão em vantagem?
 
Quando Jaws quebra gigante somos maioria. O mesmo acontece em Waimea, metade ou mais dos que estão no pico são brasileiros. Somos mais atirados.
 
Como é feita a escolha dos participantes?
 
Até agora não foi apresentado publicamente nenhum critério de escolha. Deveria ser feito um conselho com no mínimo dez pessoas (diria até quinze) que entendem de surf de ondas grandes para votar. Neste caso eu colocaria Ricardo Bocão, Rico de Souza, Adrian Kojin, Paulo Lima, Romeu Andreatta, Rosaldo Cavalcanti, Morongo, entre outros. Não colocaria nenhum surfista competidor para evitar interesses pessoais, e sim uma lista com sugestões da Confederação Brasileira de Tow-in Surf.
 
Nesse trabalho de dupla, quem tem mais responsabilidade: o piloto ou o rebocado?
 
Os dois. Cada um tem suas regras que devem ser seguidas para evitar sérios acidentes. A falta de comunicação é fatal.
 
Como você define o tow-in?
 
É um esporte de equipe, a fórmula 1 do surf.

 

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