
Existe um questionamento sobre o que é real e virtual no surf. Mas, sem dúvida, estando à distância, vamos de virtual em tempo real.
As transmissões online de campeonatos a cada dia ficam mais acessíveis e aprimoradas. É a melhor forma de atingir grande audiência e popularizar o surf com interatividade.
Este dois de novembro é uma data exemplar, uma quarta-feira e dia seguinte da transmissão da primeira fase do Nova Schin Surf Festival.
Como as ondas estão menores, houve adiamento pela manhã e uma nova chamada ao meio-dia.
“Você precisava ter visto”. Foi frase ouvida quando os surfistas paraibanos voltaram do Hang Loose 86, empolgados com as históricas ondas do marcante campeonato na Joaquina, Florianopólis, capital de Santa Catarina, hoje novamente palco principal de prova brasileira da elite mundial.
Hoje o campeonato é o Nova Schin Surf Festival, evento que vencido por Kelly Slater há dois anos na praia da Vila, na também catarinense Imbituba.
Na época em que a etapa do WCT acontecia no Rio de Janeiro, e sofria da constante mudança de patrocinador, também não vi ao vivo a onda nota 10 surfada por Slater, que mais à frente garantiu a primeira vitória nas ondas brazucas.
Slater, “virtual” campeão sete vezes, também esteve na Vila na temporada passada de tri para o arqui-rival Andy Irons. Neste ano o havaiano ainda é candidato a zebra, mas, muito mais, também candidato a vice.
Gostaria muito de ter estado no lugar do governador catarinense Luís Henrique, quando ele, “ao vivo e a cores”, presenciou, ano passado, o 10 imbitubense de Slater na praia da Vila.
Meu consolo neste ano, com transmissão online, é que se o outro carequinha botar “pra dentro”, vou estar no terceiro melhor lugar para assistir a cena.
O primeiro lugar é o do próprio Slater, na prancha e no tubo. O segundo melhor local, o do público na areia da praia onde o evento estiver rolando.
O terceiro melhor lugar será no grande universo da rede mundial, em frente à telinha do computador globalizado pela internet, no qual eu surfo pensando em virtudes e realidades, mas principalmente em ver um brasileiro repetir, agora nas ondas catarinenses, a vitória brasileira de Peterson Rosa em ondas cariocas.
Quem sabe esse brasileiro não venha a ser o próprio Rosa, ou Pablo Paulino, que este ano foi o melhor sub 20 do mundo, o que foi possível acompanhar online.
Ou, quem sabe, o também jovem Adriano de Souza, vencedor em ondas francesas do inédito Super Series para tornar-se o “virtual” campeão mundial do WQS ao mostrar que a realidade do surf brasileiro é de contínua evolução.
E a mobilidade, social ou dos eventos, é parte importante dessa evolução, a exemplo das transmissões online, uma bem-vinda realidade.