Suporte faz diferença

A perna européia do circuito mundial trouxe dois excelentes resultados para o Brasil.

 

Ao final das principais etapas do WQS no Velho Continente, Silvana Lima garantiu seu passaporte para o WCT feminino em 2006 e Pedro Henrique emplacou a sexta colocação do WQS, ficando a um passo da elite mundial.

 

O que os dois atletas têm em comum – e pouca gente sabe – é o técnico, Pedro Robalinho, idealizador do Cades (Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento do Surfe).

 

Esse carioca de 29 anos está vivendo o auge de sua carreira e já encara 2006 como o ano do WCT. “É o sonho de qualquer técnico ter seus

principais atletas disputando a primeira divisão do surfe mundial”, reconhece Robalinho.

 

Robalinho já fez as contas: para que Pedro Henrique assegure definitivamente sua vaga no WCT sem depender de terceiros, ele deve trocar dois resultados menores do que 1.000 pontos.

 

Na prática, isso significa que no próximo evento 6 estrelas ele teria que chegar ao round 48 e no 4 estrelas teria que fazer final. Restam três eventos 6 estrelas e um de 4 estrelas.

 

Essa análise mostra que somente uma catástrofe pode tirar a vaga de Pedrinho. Pedro Henrique começou a trabalhar com Robalinho ainda como amador, dos 16 aos 18 anos. Depois o atleta migrou para outro treinador por conta do contrato de patrocínio e acabou obtendo o título mundial Junior, sob os cuidados de Eduardo Resende, o Truta.

 

Seu reencontro com o atual técnico se deu na França, em 2004, quando Robalinho já trabalhava com Silvana e Thais de Almeida. A partir de então começaram a trabalhar juntos. Já com Silvana Lima, o técnico vem trabalhando desde 2002, sempre seguindo a filosofia de trabalho do Cades.

 

A recompensa por tanta dedicação chegou na forma do bicampeonato brasileiro conquistado por Silvana há uma semana, na etapa final do circuito brasileiro SuperSurf, em Ubatuba.

 

Segundo Robalinho, seu trabalho como técnico pode ser dividido em algumas frentes.

Suporte logístico: o técnico cuida de todos os detalhes da viagem, como passagens, reservas de hotel, deslocamentos, horários de saída e chegada, vistos, etc.

 

Essa atividade é importante porque evita o desgaste do atleta com questões administrativas e burocráticas. Por dominar a língua inglesa, Robalinho pode também assumir o papel de intérprete e mediador de seus atletas durante viagens ao exterior.

 

Cabe ressaltar que tanto Pedro como Silvana têm suporte da Ability, empresa que os empresaria, negocia contratos de patrocínio e gerencia suas viagens. Porém, na prática, quando os atletas estão soltos no ?mundão?, quem cuida de todos os detalhes práticos é o técnico.
 
Suporte técnico e tático: preparação física desenvolvida especialmente para as necessidades do atleta, orientação nutricional, fisioterapia com profissionais parceiros do Cades, preparação técnica através de análise de fitas de vídeo dos atletas filmadas pelo próprio Robalinho, intermediação com os shapers e estudo de táticas de competição para as baterias.

 

Acompanhamento durante as competições: Robalinho orienta o atleta na hora do aquecimento, na escolha da prancha, melhor posicionamento dentro d?água e durante a bateria vai passando informações ao atleta.

 

Clique aqui para ver a galeria de fotos de Robalinho e seus atletas.

 

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“Há uma série de sinais que definimos para que o atleta saiba sua situação na bateria”, explica Robalinho.

 

Quanto ao posicionamento dentro d?água, ele faz questão de citar uma bateria em Hossegor em que optou por colocar Pedrinho um pouco mais afastado do pico.

 

“Eu havia contado oito ondas quebrando naquele local na bateria anterior, por isso apostei que se ele corresse ali, teria liberdade para mostrar seu surfe.

 

Apenas tive o cuidado de avisar ao juiz chefe sobre o posicionamento do atleta”. A estratégia deu certo e PH venceu a bateria sem ser perturbado.

 

Aliás, a relação com os juizes-chefe é um capítulo à parte e exige um cuidado especial, que faz parte do trabalho de técnico.

 

“É importante se apresentar com humildade para ter maior receptividade nas minhas colocações. Não convém ferir egos, isso só dificultaria a situação”. O uso da filmagem da bateria é de fundamental importância nesse tipo de argumentação.

 

Suporte emocional e psicológico: como em qualquer esporte, o técnico cumpre um importante papel no suporte emocional e psicológico.

 

No caso do surfe, o relacionamento se aproxima mais dos técnicos de tênis, na medida em que o relacionamento é mais individualizado e o convívio mais intenso, já que o técnico tem sua atenção focada totalmente num atleta ou em poucos.

 

Esse pacote de serviços desempenhado pelo técnico faz parte da filosofia de trabalho do Cades, fundado por Pedro Robalinho e seu sócio Henry Ajdelsztajn. Além de funcionar como escolinha de surfe, o Cades busca desenvolver atletas de ponta e, após sete anos e meio, o projeto vê dois de seus atletas ingressando na elite do surfe mundial.

 

“Com certeza nos sentimos recompensados pelos anos de dedicação e pela crença em nossa filosofia de projeto”, reconhecem Henry e Pedro Robalinho. Porém, mesmo no ano que obtiveram grande retorno de seus atletas, os patrocinadores não têm valorizado a importância do técnico.

 

Essa indiferença causa estranheza em Robalinho. Em 2005, Silvana venceu 100 % das etapas em que o técnico esteve presente. Os atletas parecem concordar com ele, uma vez que optaram por contratar o técnico independentemente da vontade dos patrocinadores.

 

Curiosamente, não há nenhum contrato regulamentando a relação entre o técnico Robalinho e os atletas. A remuneração dele é baseada em um percentual sobre a premiação recebida pelo atleta. E durante a perna européia é comum ver outros atletas interessados em contratá-lo para tentar obter melhores resultados.

 

A equipe “oficial” atualmente sob o comando de Robalinho inclui, além de Pedro Henrique e Silvana Lima, os cearenses Claudemir “Bibi” Lima, Lucinho Lima e Adilton Mariano.

 

Em 2006 o Brasil torce por Pedro Henrique e Silvana Lima, que ao lado do técnico Robalinho, têm tudo para arrebentar no circuito mundial.

 

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