SuperSurf estréia com atletas de 14 Estados

Surfistas de quatorze Estados do país iniciam nesta quarta-feira (19/03), em São Sebastião (SP), a corrida pelos títulos brasileiros de surfe profissional e a estréia do SuperSurf 2003 deve ocorrer em grandes ondas na praia de Maresias.

 

As ondulações passavam de dois metros nesta terça, último dia de treinos livres para a primeira das cinco etapas da temporada. Mas as condições não eram ideais, pois a maioria das ondas fechava rapidamente e pouca gente quis se arriscar na véspera da competição, que promete ser emocionante.

 

Um novo formato será inaugurado no SuperSurf de São Sebastião, com a nova elite nacional masculina subindo de 46 para 74 atletas e a feminina de 16 para 22, com outros oito surfistas (6 homens e 2 mulheres) participando da prova como convidados.

 

O evento será encerrado no domingo e o prêmio para o campeão será uma Saveiro Volkswagen, com outros R$ 60 mil divididos no evento principal da categoria masculina, e R$ 20 mil na feminina.

 

Além das baterias, algumas atrações extras estão programadas para entreter o público. A nova patrocinadora TIM vai promover um luau na quarta-feira com show da banda Detonautas Roque Clube e outro no sábado, embalado pelo grupo Aliados 13, ambos na enorme arena instalada em Maresias.

 

Na sexta-feira à noite, tem a festa oficial do SuperSurf de São Sebastião na casa noturna LAO e no sábado rola o Cinema da Volkswagen com o filme Ultimate X, exibido em um telão gigante na área do evento.

 

Veja abaixo as principais atrações de cada um dos quatorze Estados representados no SuperSurf 2003:

 

Rio de Janeiro
 
O Rio de Janeiro dominou o SuperSurf em 2002, com os cariocas Leonardo Neves e Andréa Lopes conquistando os títulos brasileiros da temporada. Além disso, foi o Estado que teve mais reforços e vai apresentar onze novos nomes em 2003.

 

O carioca Yuri Sodré encabeça a lista de novidades na elite masculina para este ano e Luana Prado é a grande surpresa entre as meninas, pois com apenas 15 anos de idade será a mais jovem integrante feminina do SuperSurf 2003. Além dela, Ana Paula Mello volta à elite nacional, com a tricampeã brasileira Andréa Lopes e mais Taís de Almeida, Juliana Guimarães, Brigitte Mayer e Alessandra Vieira completando a equipe de sete atletas do Rio de Janeiro, o maior grupo feminino do SuperSurf neste ano.

 

Na categoria masculina são dezenove surfistas, mesmo número de participantes do Estado de São Paulo. Leonardo Neves, Marcelo Trekinho, Alexandre Almeida e Pedro Muller terminaram a temporada no seleto grupo dos top-16 da ABRASP. Victor Ribas, Anselmo Correia, Daniel Hardman, Raoni Monteiro, Leonardo Trigo e João Gutemberg, se mantiveram na elite entre os 46 que permaneceram no SuperSurf.  E pelo Super Trials se classificaram Yuri Sodré, André Gioranelli, Pedro Henrique, Gustavo Fernandes, Leonardo Lemos, Alexandre Herdy, Rafael Guimarães, Bruno Santos e Ronnie Martins. Em São Sebastião, ainda terá Guilherme Herdy participando como convidado.
 

São Paulo

 

Com apenas 15 anos de idade, o guarujaense Adriano Mineirinho se tornou o surfista mais jovem a se tornar profissional em toda a história do surfe brasileiro. Ele e o ubatubense Hizunomê Bettero, 16, são os mais novos do grupo masculino do SuperSurf em 2003. Além deles, o Estado de São Paulo terá mais seis novidades na elite nacional do ano que vem: Renato Galvão, Alex Godoy, Gilmar Silva, Marcos Quito, Piu Pereira e Bruno Moreira.

 

Eles reforçam a equipe paulista que competiu em 2002, formada por Eric Miyakawa, Wagner Pupo, Beto Fernandes, Costinha, Odirlei Coutinho, Tadeu Pereira, Tinguinha Lima, Jair de Oliveira, Renato Wanderley, Cristiano Guimarães e Edgar Bischof.

Na categoria feminina, Alice Santos recuperou o seu lugar na elite feminina, conquistando a última vaga do Super Trials 2002. Além dela, mais cinco paulistas permaneceram na divisão principal: Suelen Naraisa, Francisca Pereira, Cláudia Gonçalves, Renata Franco e Liza Monteleone.
 
Santa Catarina

 

O Estado de Santa Catarina será a terceira força no SuperSurf 2003 com onze atletas e duas novidades, Thiago Machado e Juliana Quint. Guga Arruda competirá como convidado da ABRASP por ter se contundido no meio da temporada passada e Andreas Eduardo, Pedro Norberto, Diego Rosa, Raphael Becker e Fábio Carvalho completam a lista dos catarinenses que vão disputar o título brasileiro em 2003.

Jacqueline Silva, Camila Amarante e Priscila Lobato também integram a elite feminina, mas a vice-campeã mundial Jacqueline Silva não poderá participar desta etapa inaugural em São Sebastião (SP). 
 
Paraná

 

O Paraná foi muito bem representado no SuperSurf em 2002. Os irmãos Peterson e Maicon Rosa e Jihad Kohdr brigaram pelo título brasileiro até a última etapa e terminaram a temporada no seleto grupo dos top-16 da ABRASP. Os três agora terão um novo companheiro em 2003, Alessandro Puga, que ficou em 15o lugar no ranking do Super Trials e garantiu a sua entrada na lista dos 28 surfistas da divisão de acesso.
 

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Rio Grande do Sul

 

O Rio Grande do Sul fechou a temporada no alto do pódio, com Daison Pereira vencendo a etapa final do Super Trials 2002, em Balneário Camboriú (SC). Ele continua sendo o único gaúcho na elite nacional do SuperSurf, mas Rodrigo Dornelles pode competir como convidado em algumas etapas em 2003, menos na abertura da temporada, em São Sebastião (SP). Em cada prova, seis surfistas serão chamados para completar o novo grupo de oitenta atletas que vão competir no SuperSurf 2003.
 
Espírito Santo

 

O Estado do Espírito Santo está de volta ao grupo principal do surfe brasileiro. Três capixabas da nova geração conquistaram suas classificações pelo Super Trials. Leandro Moulin e Michel Gratz estão na lista dos 74 competidores da categoria masculina e Yries Pereira representará o Espírito Santo na relação das 22 surfistas que vão disputar o SuperSurf em 2003, mas vai desfalcar o time capixaba em São Sebastião (SP), pois está representando o Brasil no Pan-americano. 
 
Bahia

 

Os mesmos quatro atletas que representaram o Estado da Bahia no SuperSurf em 2002 mantiveram os seus postos na elite nacional. Com um nono lugar na classificação geral, Jojó de Olivença foi o maior destaque baiano do ano, batendo o recorde de número de temporadas no seleto grupo dos top-16 da ABRASP: 11 anos. Além dele, Armando Daltro, Flávio Costa e Cristiano Spirro, também garantiram suas permanências no grupo masculino da divisão principal do circuito.
 
Alagoas

 

Além do campeão brasileiro do SuperSurf 2001 e do Super Trials 2002, Tânio Barreto, o Estado de Alagoas também terá uma representante na elite feminina da divisão principal em 2003. Pelo segundo ano seguido, a alagoana Karina Barbosa conquista uma vaga pelo ranking do Super Trials. Em 2002, ela preferiu dispensar a classificação para pegar mais experiência, mas agora confirmou sua participação no SuperSurf.
 
Pernambuco

 

Sávio Carneiro e Bernardo Pigmeu serão os únicos representantes do Estado de Pernambuco na elite nacional do SuperSurf em 2003.
 

Paraíba

 

Depois de muitos anos representada apenas por Fábio Gouveia e Otávio Lima, a Paraíba tem um novo nome no grupo. Jano Belo garantiu a sua entrada na elite nacional que vai disputar o SuperSurf em 2003 com o 14o lugar no ranking de acesso.
 
Rio Grande do Norte

 

Com um 13o lugar na classificação geral, Fabrício Júnior foi o maior destaque potiguar na última temporada. Além dele, Joca Júnior, Danilo Costa e Marcelo Nunes também garantiram suas permanências na elite masculina da divisão principal. Na feminina, a revelação da temporada, Viviane Maria, quarta colocada no ranking final do SuperSurf 2002, e Alcione Silva estão na lista das 22 surfistas que vão disputar o título brasileiro no ano que vem.
 
Ceará

 

Apesar da ausência de Fábio Silva e Tita Tavares, o Ceará foi o Estado que proporcionalmente mais aumentou o número de participantes para o SuperSurf 2003. Além de Dunga Neto, Lucinho Lima e Claudemir Lima, mais seis cearenses aparecem na nova elite nacional. O maior destaque é Silvana Lima, campeã brasileira do Trials, ranking que também classificou Duda Carneiro, Adilton Mariano, André Silva, Thiago de Souza e Michel Roque, um dos mais jovens integrantes do grupo de 96 surfistas do SuperSurf 2003. Mas, Tita Tavares deve receber convite para a maioria das etapas e já está confirmada na abertura da temporada.
 
Sergipe

 

Devido a uma contusão no meio da temporada passada, a ABRASP (Associação Brasileira de Surf Profissional) garantiu a participação do sergipano Romeu Cruz, que vai competir com um convite especial em todas as etapas do SuperSurf 2003.
 
Maranhão

 

O maranhense radicado em Florianópolis (SC), Álvaro Bacana, recolocou o Maranhão no grupo principal do circuito brasileiro. Ele garantiu o seu retorno na última etapa do Super Trials 2002, na praia Central de Balneário Camboriú (SC).

 

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.