
Muitos já ouviram falar sobre o termo esporte adaptado. Muitos até conhecem pessoas que praticam o mesmo. Acredito que adaptação é algo que estamos vivendo a todo momento, o que facilita um melhor entendimento sobre o assunto.
Quem de nós não passou por uma crise financeira e foi obrigado a adaptar-se ao momento ou mesmo quando teve uma morte na família, e aquele momento foi crucial para uma mudança, uma “adaptação”?
Pois bem… Fatos radicais exigem mudanças e muitas vezes a adaptação é sinônimo de aceitação e superação. Isso acontece no esporte adaptado, que a cada dia soma mais adeptos no mundo todo.

São pessoas que adquirem ou que nascem com certo tipo de deficiência e que para iniciarem alguma modalidade são obrigadas a se adaptarem a realidade que vivem. Cegos, surdos, mudos, pernetas e cadeirantes, o esporte adaptado cada vez mais dá as caras…
O esporte adaptado surgiu no início do século XX. Na primeira década do século, iniciaram-se as atividades competitivas para jovens portadores de deficiências auditivas, especialmente em modalidades coletivas.
Por volta de 1920, tiveram início as atividades para jovens portadores de deficiência visual, especialmente a natação e o atletismo.

Para pessoas portadoras de deficiências físicas, o início do esporte oficialmente se deu ao final da Segunda Guerra Mundial, quando os soldados voltaram aos seus países de origem com vários tipos de mutilações e outras deficiências físicas.
As primeiras modalidades tiveram origem na Inglaterra e nos Estados Unidos. Na Inglaterra, por iniciativa do médico Ludwig Guttmann, indivíduos com lesão medular ou amputações de membros inferiores começaram a praticar jogos esportivos em um hospital em Stoke Mandeville.
Nos Estados Unidos, por iniciativa da Paralyzed Veterans of América (PVA), surgiram as primeiras equipes de basquetebol em cadeira de rodas e as primeiras competições de atletismo e natação. Tudo isto ocorreu entre 1944 e 1952.
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A partir daí, o esporte para portadores de deficiências físicas não parou de crescer e, desde 1960, ocorrem os Jogos Paraolímpicos, sempre alguns dias após e na mesma sede dos Jogos Olímpicos convencionais.
E o Surf Adaptado? Falar de surf é pensar em ondas, ou melhor, surfistas descendo elas. Mas, para isso, deve-se existir um bom preparo físico, uma boa coordenação dos movimentos, um eqüilíbrio entre corpo, mente e natureza.
Você já imaginou um surfista que consegue praticar o esporte na ausência de um desses quesitos? Bem, aí entra o surf adaptado.

Termo questionável, eu propriamente nunca imaginei que fosse possível conseguir voltar a surfar sem as duas pernas, como existem pessoas que não conseguem se adaptar a novas realidades.
Se nos basearmos que a adaptação começa no psicológico iremos conseguir entender todas as outras possíveis adaptações.
Alcino Neto, o “Pirata”, é um exemplo de surfista que pratica o surf adaptado, pois na ausência de uma das pernas adaptou o apoio de uma das mãos e consegue surfar normalmente qualquer tipo de onda.

Exímio tube rider, Pirata faz do surf uma rotina em seu cotidiano. Além de viajar pelo mundo atrás das melhores ondas, ainda tem tempo para ministrar aulas de surf no Canto do Maluf com sua Escola Pirata Surf, onde ensina e troca experiências com outros surfistas deficientes.
Eu mesmo fui orientado desde o ínicio pelo Pirata foi ele quem me deu os primeiros toques. Hoje acredito que sou um bom surfista merrequeiro!!! Hehehe
Outro exemplo de surfista que pratica o esporte adaptado é o nosso conhecido Octaviano ?Taiu? Bueno, que, mesmo com sua tetraplegia, ainda mantém o espírito do surf dentro de si.

Dias atrás foi visto surfando com uma bóia inflável na praia de Pitangueiras, no Guarujá, junto com o roqueiro Supla.
Róbson Careca, outro tetraplégico que graças a sessões de fisioterapia acabou recuperando os movimentos dos membros superiores, é mais um exemplo de surfista adaptado. Careca pega onda deitado em um longboard adaptado com alças onde ele mantém uma melhor firmeza na prancha.
Não podemos esquecer do grande Fabinho Anão, freqüentador assíduo das ilhas havaianas. Com 1,17m de altura e 48 quilos, é um exemplo de atitude ao vencer suas limitações físicas.
Esses e muitos outros anônimos participam e contribuem para a ascensão da categoria no País. A estréia da coluna Para-Radical no site Waves fortalece e ajuda para que cada vez mais novas pessoas deficientes se aproximem do esporte e possam mudar um pouco do contexto esporte adaptado no Brasil.
Querer muitas vezes é poder. Acredite nos seus sonhos, corra atrás dos seus objetivos, a vitória existe para aquele que nunca desiste!
Aloha!