Mal passava das seis horas da manhã e o meu celular já estava tocando. Era o meu pai, fissurado para aproveitar seu dia de folga.
Da janela de casa, era possível ver que as ondas estavam pequenas, porém, o banco de areia parcialmente exposto por causa da maré seca, transformava o fraco swell de Sudeste em perfeitas marolas que quebravam do outside até a areia.
Devido ao tamanho das ondas, trocamos as pranchinhas pelo stand up paddle. Em um deles acoplamos uma micro câmera e fomos registrar a brincadeira.
Surfamos sozinhos durante toda a sessão e vi meu pai pegando altas ondas, se divertindo como uma criança em um parquinho, e eu era a própria criança, dava para ver pela cara que ele estava amarradão.
A queda se estendeu até a hora do jogo, quando fomos pra casa ver o Brasil golear o Chile por 3×0, pela Copa do Mundo de 2010.
Dizem, que na vida, “certas coisas não têm preço”. Depois de um dia assim, descobri que dividir uma onda com o meu pai certamente é uma dessas.