Por Gui Bomeny
Após 1 ano de planejamento, coloquei em prática com meu amigo Jonatan Santos, o sonho de descer o Velho Chico em apenas 5 dias seguidos. Nosso ponto de partida seria a cidade histórica de Piranhas e o nosso destino, a belíssima Foz do Rio São Francisco em Piaçabuçu.
Dividimos o nosso percurso em 5 cidades e dormimos em pousadas e casas de família na beira do rio, que facilitaram o transporte das pranchas após as longas travessias.
Tive conhecimento que alguns remadores percorreram alguns desses trechos isolados, mas nunca remando por dias seguidos, sempre alternaram entre os finais de semanas. O nosso maior desafio então seria o desgaste físico e mental, uma vez que passaríamos entre 6 e 12 horas na água por dia acumulando sempre o cansaço do dia anterior.
Chegamos em Piranhas no domingo a tarde, fomos até o porto analisar o cenário e respirar um pouco aquela vibe! A adrenalina tomava conta porque no dia seguinte desceríamos o rio sem barco de apoio e com algumas tralhas amarradas no bico de nossas races.
Acordamos as 05:30, tomamos café e fomos encontrar a equipe da Globo que fez a cobertura da nossa saída e da chegada! Com o carro no porto ainda nos livramos de algumas tralhas, demos a entrevista e partimos!
Nesse trecho de Piranhas existem fortes corredeiras com muitos redemoinhos e pedras, mesmo com a água transparente a adrenalina foi grande. Logo na primeira balançada eu perdi o meu capacete e as bananas do dia. A beleza desse trecho é impressionante, várias praias se formam ao longo do trajeto e basta escolher uma para tomar banho, suplementar ou simplesmente não fazer nada.
Nossas paradas eram feitas da seguinte maneira: remávamos 20km direto num ritmo moderado. Fazíamos a primeira pausa para suplementação e depois só parávamos de 5km em 5km, após os sprints que eram feitos contra o vento. Os intervalos ajudavam a aliviar as dores nos pés e também a relaxar a musculatura.
O único trecho que gostaria de ressaltar como o mais perigoso foi entre Pão de Açúcar e Traípu. Foram 62km remados por quase 12 horas e com um vento sinistro contra. Chegamos anoitecendo no porto de Traípu e fomos acolhidos na pousada Minha Casa Sua Casa, que fica na beira do rio. Se você não estiver em dia com seu condicionamento físico e não levar a suplementação correta não completará esse percurso com segurança.
Essa rotina se repetiu durante 5 dias: acordar ainda de noite, tomar um café reforçado e remar nas águas do Velho Chico. Cada trecho tem a sua beleza particular, mas o rio como um todo está morrendo. Vi poucos peixes e o assoreamento em determinados trechos é tão grande que a gente tinha que descer da prancha e caminhar pelos bancos de areia.
TRECHOS PERCORRIDOS
Piranhas – Pão de Açúcar (42km / 8:00 hrs)
Pão de Açúcar – Traípu (62km / 11:45 hrs)
Traípu – Propriá (38km / 6:30 hrs)
Propriá – Penedo (35km / 6:45 hrs)
Penedo – Foz (42km / 7:00 hrs)
O QUE LEVAR (POR TRECHO)
5 litros de água (1 camelbak com 2L e 2 garrafas de 1,5 l)
6 a 8 bananas
ração preparada com granola, uva passas, castanhas do pará e aveia
20 saquinhos de mel
protetor solar
DICAS IMPORTANTES
O rio está muito assoreado, portanto não conte que descer o Velho Chico significa ficar em pé na prancha e deixar a correnteza levar porque essa informação é falsa! São dezenas de quilometros sem a menor força d’água e 80% do trajeto com vento contra, muito forte.
Leve uma luva, calos e bolhas são inevitáveis.
Simule esses tempos de remada em seu ambiente antes de sair remando por aí. O rio não te ajudará a fazer o que você não fez antes.
Procure na internet ou google earth as referências de cada lugar, pousadas, atalhos e particularidades de cada trecho. A chegada em Pão de Açúcar foi desastrosa por conta dos quase 2km de areia entre o rio e a pousada. Isso após remar por 8 horas pode ser fatal.
Mantenha sempre o bom humor, ele te ajudará a transpor com mais facilidade esses trechos difícies.
Acerte na escolha do parceiro, remar com gente competitiva e bad vibe pode estragar seu programa. Você conhece um verdadeiro amigo nessas horas de dificuldade e superação. Jonatan se mostrou um guerreiro durante todo o percurso, sem contar que me deu muita segurança remar com alguém que foi criado em Penedo, já conhecia o rio e ama a natureza. Ganhei um irmão!
Quem quiser dicas ou as telas do garmin mande um email: [email protected]
Quem quiser fazer esse passeio procure o Jonatan Santos ([email protected])
Aloha, Gui