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SUP Cangaço

Por Cissa Marback

Mais uma trip para conhecer um pedaço do “Velho Chico”. Dessa vez deslizamos pelas águas dos cânions do Xingó, na região do semiárido nordestino, onde o “sertão virou mar”.  Nosso grupo formado por 33 aventureiros de Salvador, entre remadores e acompanhantes, percorreu mais de 500k de estrada para chegar até a divisa entre Sergipe e Alagoas. Escolhemos como ponto de apoio e pouso, a cidade de Piranhas. Como sempre, o alto astral e a alegria foi a marca registrada da nossa viagem.

Os 18k do primeiro dia, eram para ser um downwind, mas o vento resolveu nos pregar uma peça e só deu “as caras” no final da remada. Mas apesar do calor e dá água pesada do rio, foi muito prazeroso remar num visual de tirar o fôlego. Não era uma competição, e sim uma contemplação, realização de cada remador. O apoio dos que não remaram e foram de lancha nos acompanhando foi fundamental. Saímos da localidade de Karranca´s por volta das 9h, indo até o Talhado e finalizando a nossa remada às 12h30. Fizemos algumas paradas para banho e reposição de água e lanches. O apoio de André e Vinícius do Xingó SUP, não poderia ter sido melhor. Além da energia boa, eles conhecem muito bem o local e deram várias dicas importantes durante o trajeto. Para finalizar, o visual das grutas nos ajudou a esquecer todo o cansaço.

Para quem achou o percurso menor do segundo dia, em direção ao Angico, iria ser um passeio leve, se enganou. Pegamos vento contra, redemoinhos, pedras e uma correnteza de respeito. Em alguns trechos, era quase impossível remar em pé na prancha, ou sentava para vencer a força da água ou era a certeza de uma queda. Foram 9k com muita dificuldade, mas muito recompensadores. O visual é tão lindo quanto o dos cânions. As várias “prainhas” que fomos encontrando pelo caminho dão vontade de aportar e nunca mais voltar. Finalizamos essa aventura com 2h20 e ainda fizemos uma trilha até a Grota do Angico, local onde Lampião foi morto.

Para encerrar a nossa SUP trip, mais 10k no terceiro dia. Novamente o ponto de partida foi o terminal turístico do Karranca´s. Remamos até uma ilha que fica na mesma direção de quem vai para os cânions.  Os remadores apelidaram o local de “ilha do vento virado na zorra”. O ventão fez graça e se divertiu com a cara da galera na hora da volta.  Foram 5k só remando de um lado. Se não tivesse braço forte, não voltava.  Com um saldo de quase 40k de remadas durante três dias pelo “Velho Chico”, finalizamos o “SUP Cangaço”.

Essa viagem foi muito além de uma remada bacana, ela teve história, cultura e gastronomia. Nos rendemos aos encantos do sertão alagoano e sergipano. Nos deliciamos com o casario colorido da cidade de Piranhas, cravada em meio à geografia acidentada do lugar. Nos emocionamos e nos arrepiamos na Grota do Angico, ouvindo a história de um dos nordestinos mais conhecidos do Brasil, o cangaceiro Lampião. Subimos muitos mirantes espalhados pela região. Tiramos muitas fotos lindas. Saboreamos a deliciosa culinária sertaneja. Demos muitas risadas com o nosso grupo de amigos. Fizemos novos amigos e trouxemos na bagagem um pouco mais de cultura e muitas lembranças boas. Como se diz por aí: “viajar é mudar a roupa da alma.”

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