
Show de surf. Foi o que se viu na última sexta-feira e sábado em Sunset Beach, durante e depois do último dia da penúltima etapa do WCT.
O campeonato começou logo cedo na sexta com as baterias restantes das oitavas-de-final e só foi encerrado às 16 horas.
A disputa do título mundial entre Kelly Slater e Andy Irons era o que mais se comentava nas rodinhas. Depois que Slater perdeu nas quartas-de-final, todas as atenções se voltaram para Andy Irons, primogênito de uma das mais tradicionais famílias do surf no Kauai.
Um detalhe curioso é que nessa mesma época no ano passado a pressão para que Andy conquistasse o seu primeiro título mundial era enorme, tanto que Luke Egan, que

disputava o caneco com Andy, recebeu diversas ameaças dos locais e foi intimado várias vezes em Pipeline. Esse ano a coisa mudou bastante e Kelly não passa pela mesma pressão que Egan.
Assisti a todas as baterias do dia final do evento na casa em que Carlos Burle e Eraldo Gueiros estão hospedados, de frente ao point. Foi um dia muito especial e presenciei um dos maiores shows de surf da minha vida. Andy pegou cada tubo que ficava difícil acreditar que alguém colocaria uma pedra em seu sapato na corrida pelo título.
Guilherme Herdy foi o melhor brasileiro no evento, mesmo surfando de backside, e Neco Padaratz arrebentou em sua bateria, mas infelizmente só teve um high score.

Neco apresentou surf de top 5 do WCT em sua melhor onda durante as oitavas.
Já o aussie Jake Paterson arrebentou e merecidamente venceu o campeonato. Logo que terminou o evento, eu, Burle e Eraldo corremos para a água junto com toda a “torcida do Flamengo”, um baita crowd.
Mas Sunset é que nem coração de mãe, sempre cabe mais um. Tinha onda para todo mundo, com séries de até 10 pés perfeitas e um inside bowl daqueles.
Todas as gerações estavam na água, desde John John Florence, de apenas 9 anos, passando por Andy Irons e Tom Carroll, até legends como Roger Erickson e Peter Cole, este com 69 anos. Não caberia nesse texto a lista de todos

os brasileiros na água, porém, Fábio Gouveia, Trekinho, Pigmeu e Bruno Santos foram destaques.
Uma das ondas mais lindas do final de tarde foi pega por Gary “Kong” Elkerton junto com seu parceiro Ross Clark-Jones.
Eles vieram rasgando a onda desde o outside e bem na hora que a onda envelopou no inside, o Kong mandou uma daquelas rasgadas que lhe renderam alguns dos títulos nos anos 80, nos eventos da Triple Crown em Sunset, e Ross no mesmo instante deu uma puxada muito estilosa para dentro do pico colocando para dentro de um tubo lindo, ao mesmo tempo que Kong despencava da rasgada. Impressionante.

Eraldo também pegou um lindo tubo no inside, onde as pedras quase ficaram para fora tamanha a envelopada do lip da onda.
Surfei boas ondas e fiquei até escurecer, só mais um cara dividia comigo o line-up naquela hora. Na minha última onda mal conseguia enxergar a parede devido a escuridão.
O show não poderia parar e no sábado as ondas continuaram perfeitas, com 10 pés. Eu, Pacelli, Eraldo, Burle, Haroldo, Pato, Pigmeu, Pedro Henrique, Jean da Silva, entre outros brazucas, curtimos mais uma vez toda a perfeição da praia e do pôr-do-sol mais famoso do Hawaii.

Tubos e mais tubos. Impressionante. Tom Carroll e Michael Ho pegaram os dois tubos mais profundos que eu presenciei. Mais de 15 fotógrafos e cinegrafistas concentrados no final do inside bowl voltaram com ótimas imagens congeladas.
Surfei duas vezes. Uma queda de quatro horas pela manhã e mais uma de duas no final de tarde. Tinha esquecido do verde esmeralda do tubo no inside, mas nesse final de tarde matei a saudade por três vezes.
O pôr-do-sol nesses dois dias foi sensacional…
Estou indo dormir pela segunda noite amarradão com o show de surf em Sunset Beach. Tomara que o evento em Pipeline tenha a mesma estrela desse… Boa sorte Slater e Andy! Que vença o melhor.