
A edição de maio da revista californiana Transworld Surf traz uma interessante análise dos top 45 do circuito mundial WCT 2004. Matérias dessa natureza já são tradicionais na mídia do surfe, afinal todo ano sai uma nova lista de atletas da elite do surfe mundial.
Porém, a novidade dessa vez é que análise é feita por Sunny Garcia, uma das personalidades mais marcantes do surfe profissional e há quase duas décadas na estrada.
Campeão mundial de 2000, título conquistado durante a etapa brasileira do tour, e vencedor de quatro Tríplices Coroas, este havaiano de 34 anos sabe as dificuldades de correr o circuito mundial.
Na opinião dele, normalmente essas análises dos integrantes do WCT são feitas por pessoas que não entendem realmente do assunto e acabam adotando posturas críticas sem que tenham um verdadeiro embasamento. “Por isso, aceitei prontamente esse convite”, afirma Garcia.
“Quero falar coisas boas sobre os atletas, pois eu sei o quanto é difícil estar no circuito mundial. Não quero ser como esses caras, que ficam aí criticando os atletas sem jamais terem sido surfistas profissionais de verdade”, alfineta o veterano competidor, que faz questão de citar os nomes de seus desafetos: Sam George, Matt George, Matt Marshaw, Ross Garett e Nick Carroll.

“Para mim, vocês não passam de uns pregos!”, desabafa o havaiano, sobre os redatores de duas das mais tradicionais revistas de surfe norte-americanas. Além de ser concorrentes da Transworld, elas sempre se manifestaram de forma reservada sobre os surfistas brasileiros que disputam o circuito mundial.
Outro aspecto a ser observado é a linha editorial da revista Transworld. Como o nome sugere, a publicação caracteriza-se por apresentar uma abordagem mais aberta em relação ao mundo do surfe, um esporte cada vez mais internacional e com novos centros de força além da Califórnia e Austrália.
Em vez de apenas tratar os Estados Unidos e Austrália como centros do universo do surfe, a Transworld mostra-se generosa em dar crédito aos surfistas das mais diversas partes do mundo, inclusive do Brasil. Na presente edição, por exemplo, há um perfil bastante positivo de Pedro Henrique, primeiro brasileiro a conquistar um título mundial Junior, em 2000 no Hawaii.
Abaixo seguem os comentários de Sunny publicados na matéria da Transworld sobre os atletas brasileiros no WCT desta temporada.
Guilherme Herdy: “É um cara que apresenta muitas oscilações. Possui um estilo pouco ortodoxo e surfa com muita força. Apesar de várias vezes dar a impressão de que vai cair da prancha, ele sempre acaba dando um jeito de completar a onda. Diria que é um cara que tem na irregularidade uma marca forte de sua performance.”
Previsão: “Guilherme é capaz de ganhar alguns eventos, porém devido a sua inconsistência, diria que ele terminará 2004 entre os 20 primeiros. Seu resultado final dependerá de quanto ele será afetado pela irregularidade.”

Victor Ribas: “Ele compete no circuito há muito tempo e já ficou em terceiro lugar no WCT (em 99). Eu sempre achei que ela era um dos melhores surfistas de onda pequena no mundo, se não o melhor. Lembro-me que em todas etapas em que as ondas estavam pequenas ele era quase impossível de ser vencido.”
Previsão: “Victor surfa realmente bem, porém não há etapas de ondas pequenas em número suficiente para garantir que ele fique no topo do circuito. Minha aposta é de que ele ficará entre a 15º e a 25º posição.”
Peterson Rosa: “O Bronco está no circuito há muito tempo. É um cara pequeno mas com um coração enorme. Muito consistente como surfista e muito fissurado. É difícil encontrar alguém no circuito com mais disposição de vencer do que ele. Toda vez que corre uma bateria, ele dá tudo de si. Com certeza, um cara muito difícil de ser vencido.”
Previsão: “Creio que Peterson terminará o circuito entre a 10º e a 25º posição, ele tem plenas condições para isso.”
Paulo Moura: “Não sei porque, mas acho que esse cara vai ficar abaixo da 20º posição no circuito. Só digo isso porque o Paulo é um cara mais quieto, que parece não ser tão agressivo como os demais brasileiros no WCT. Pipeline, Teahupoo, Tavarua e Mundaka são etapas onde ele tem condições de obter bons resultados. “
Previsão: “Definitivamente afirmaria que ele deve ficar abaixo da 20º posição.”

Neco Padaratz: “Outro incrível atleta do Brasil. É um cara com plenas condições de ganhar uma etapa. Se as ondas estiverem pequenas ele fica realmente difícil de ser vencido. Também é um cara que gosta muito de estar em casa com a família. Seu surfe em ondas grandes tem melhorado muito com o passar dos anos e ele surfou muito bem em Sunset na última temporada.”
Previsão: “Creio que se Neco quiser realmente permanecer focado no tour, ele poderá obter um resultado realmente muito bom. Estou falando de ficar entre os cinco primeiros colocados do WCT. Porém, focar no circuito durante o ano inteiro é realmente muito difícil e não tenho certeza se Neco será capaz disto devido ao seu forte apego com a família.”
Armando Daltro: “Ele está na área há bastante tempo e é um surfista realmente muito bom. Ele é mais um surfista de competição do que um daqueles caras que chegam e destroem as ondas. É o tipo do cara que entra na água e pega três ondas boas até a beira. É realmente um surfista consistente.”
Previsão: “Sei que ele lutou muito para se requalificar para o WCT. Aliás, me parece que ele sempre volta ao WCT através do WQS. Creio que nesse ano ele permanecerá abaixo da 20º posição.”
Raoni Monteiro: “É sempre bom ver caras novas no circuito, especialmente vindo do Brasil. Esse país vem realizando um grande esforço na formação de novos talentos e eles têm um monte de surfistas realmente bons e que são bastante difíceis de serem vencidos. Todo ano parece surgir um novo atleta brasileiro que chega arrebentando.”
Previsão: “Sendo seu primeiro ano no circuito, vou considerar que ele terá um ano difícil.”
Marcelo Nunes: “Até onde eu sei, trata-se de um jovem surfista que pega muito bem e que está aí para lutar por bons resultados. Não é fácil participar do circuito mundial.”
Previsão: “Ele lutou muito para se requalificar através do WQS, portanto acredito que terá um ano difícil na busca de sua classificação nesse circuito.”