Um grupo de deficientes físicos de Florianópolis (SC) aceitou o desafio de experimentar o stand up paddle adaptado na Lagoa da Conceição. No começo, alguns tiveram um pouco de medo e aflição, mas logo que dominaram o remo em cima da prancha adaptada com uma cadeira, a sensação de liberdade tomou conta dos participantes que remaram até cansar. O dia com sol e nada de vento colaborou, deixando as águas da Lagoa lisinhas.
Acostumado a enfrentar mares agitados a até fazer travessias, o jovem Thiago Aguiar, 12 anos, adorou a oportunidade de praticar uma nova atividade. O menino nasceu com mielomeningocele, uma má formação congênita na coluna vertebral que, entre outras coisas, o impede de andar. Mas, isso nunca foi motivo para ficar longe dos esportes: desde os dois anos ele faz natação por indicação médica, está se profissionalizando e já participa de competições, inclusive fez a travessia da Ilha do Campeche acompanhado do pai. O garoto tirou onda, literalmente, no SUP: “No começo eu fiquei com medo, tive a sensação que ia cair, mas depois eu gostei tanto, que queria até ficar mais”, comentou animado.
Acompanhado da amiga Beatriz Cunha, os dois remaram em toda a extensão de segurança permitida, e só saíram para dar oportunidade para outros amigos. Uma van com cerca de 10 pessoas veio da Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos (Aflodef) especialmente para o dia de SUP na Lagoa.
Beatriz, que é atleta paralímpica de tiro, também adorou a atividade, que praticou pela segunda vez. Segundo ela, ainda quer voltar mais vezes: “Adoro esporte, não gosto de ficar parada. O SUP libera muita adrenalina, tem que fazer muita força no braço. O vento, o balanço, é tudo uma sensação maravilhosa”, falou.
SUP Inclusivo – O diretor de esportes da Aflodef, Antônio R. Silva, reuniu o grupo que foi praticar o SUP nesta sexta. O tempo todo ele incentivava os jovens e adultos a se arriscarem na água: “Sempre buscamos coisas novas para o pessoal fazer, e este esporte, em contato com a natureza, traz muitos benefícios. A gente faz as adaptações necessárias para a necessidade de casa um, trouxe um caiaque também para quem quiser praticar. Este é o 1º SUP Inclusivo, um piloto para realizarmos um projeto maior”, explicou.
O proprietário da SUP Lagoa, Roberto Vicentin, que cedeu as pranchas e convidou os deficientes para o projeto, conta como tudo começou: “Uma vez convidei um amigo meu cadeirante para dar uma volta, adaptamos um cadeira na prancha, e durante o passeio ele me emocionou muito quando falou que os deficientes eram esquecidos, e que além de fazer o bem eu poderia ter clientes dessa área”, comentou.
Roberto explica que a principal preocupação é a segurança dos praticantes, então, todos utilizam equipamento salva-vidas e recebem toda atenção do instrutor. ?
Benefícios físicos e mentais – Além dos benefícios mentais, o fisioterapeuta do esporte Kairé Escobar vê inúmeras vantagens na prática: “O esporte é bom para qualquer pessoa. No caso de cadeirante e pessoas com outras deficiências, o trabalho é muito intenso e importante, já que trabalha o fortalecimento da região do abdômen, treina o equilíbrio, a respiração e toda a consciência corporal, além de ser um estímulo diferente daqueles em que estão acostumados no dia a dia”, explica.
Escobar destaca ainda que o sistema nervoso central é muito inteligente e acaba buscando o estímulo em todas as partes do corpo, inclusive naquelas prejudicadas pela deficiência, onde não é possível sentir a força.
Fonte: Diário Catarinense