Depois das festas de fim de ano na Tailândia, era hora de preparar o barco para a reta final: teríamos os oceanos Índico e Atlântico pela frente este ano, em uma das etapas da viagem que exigiria mais preparo.
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Em Langkawi, uma ilha da Malásia, tiramos o “Canela” da água para dar um trato nele. Com tudo pronto, era hora de partir e voltar para o surf depois de um intervalo de dois meses.
Nosso próximo destino era o Sri Lanka. Partimos da Malásia em fevereiro, tivemos uma travessia tranquila de uns nove dias, com bons ventos.
Nosso porto de entrada foi Galle, na costa Sudoeste, onde deixamos o barco (pois uma vez no país, não podíamos mover o barco do porto) e rumamos para Hikkaduwa por terra, a região mais consistente deste lado da ilha. O surf lá não foi nada de especial, mas foi bom para entrar no ritmo de novo. A próxima parada seriam as Maldivas,
Depois de quatro dias de travessia, chegamos ao extremo Norte do país, no atol de Haa Alifu. Já de chegada a beleza do local impressionou. Navegávamos a uma profundidade de 20 metros e era possível enxergar o fundo de coral.
O lugar com água mais limpa e cristalina de toda a trip. Fomos recepcionados por dezenas de arraias-jamanta, gigantes.
O Norte das Maldivas não é muito consistente, o negócio era ir para o Atol de Male, o mais consistente e famoso das Maldivas. Foi nessa região que passamos a maior parte do tempo e onde surfamos as melhores ondas.
Cokes, Chickens, Sultans, Jailbreaks, todas essas opções, esquerdas e direitas, em poucas milhas de distância uma da outra. Foi quando estávamos ancorados atrás da ilha, onde há a onda de Cokes, que recebemos o alerta de tsunami.
Um dos lugares mais seguros para se estar numa hora dessas é em um barco em águas profundas. Foi o que fizemos, levantamos ancora e fomos para alto-mar. No final das contas esse terremoto na costa da Sumatra não gerou um tsunami, ainda bem. Passamos a noite à deriva em alto-mar e voltamos para a ancoragem na manhã seguinte, quando o alerta já havia sido retirado.
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Nosso amigo Rodrigo Dalcol, que é de Paranaguá (PR), mas mora em Sidney, veio nos visitar. Pegamos ele em Male, surfamos alguns dias na região e logo começamos a rumar para os atóis do Sul. Pegamos boas ondas em Ying Yang no atol chamado Laamu. O próximo atol era Gaafu Alifu, surfamos Tiger Stripes, Love Charms e Blue Bowls.
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Nas Maldivas é um pouco difícil encontrar uma boa ancoragem. Devido a sua formação, as águas são muito profundas, mesmo estando bem próximo as ilhas. Então começamos a ancorar nos passes entre as bancadas de coral, bem ao lado das ondas.
Todo surfista deveria ter a oportunidade de pelo menos um dia da vida acordar, botar a cabeça pra fora do barco e ver uma onda perfeita quebrando ali, no quintal de casa. Passamos dois meses nesse paraíso.
Hora de partir para as ilhas Maurício. Doze dias de travessia nos separavam da lendária esquerda de Tamarin Bay, que ganhou fama com o filme de surf The Forgotten Island of Santosha nos anos 70. A travessia foi cansativa, um sistema de baixa pressão estava bem próximo, trazendo mal tempo e diversas tempestades. Por outro lado garantiu bons ventos e completamos a travessia são e salvos.
Em Mauricio existe um localismo chato. Os “White Shorts”, como os locais se autodenominaram “inspirados” nos Black Trunks do Hawaii, nos deram trabalho. No melhor dia do swell conseguimos surfar por umas três horas, até que esses caras chegaram e nos mandaram embora.
Sem problemas, já estávamos de cabeça feita e a onda é simplesmente demais, uma das melhores da trip. Nos dias que se seguiram era brincadeira de gato e rato. Ficávamos no barco cuidando quem estava na água, saíam os malvados, a gente entrava, até chegar alguém e nos mandar embora.
Próxima parada: Ilha Reunião. Aqui o problema na água não eram os surfistas locais e sim os tubarões. Nas duas primeiras semanas em que estávamos na ilha foram dois ataques a surfistas, sendo um deles fatal, e ambos foram em praias onde nunca havia ocorrido nenhum ataque antes, assim como a onda em que estávamos surfando, em Saint Pierre.
Aproveitamos esta tensão para fazer um trekking pelas montanhas da Ilha que são alucinantes. A ilha é conhecida como mini-Hawaii, devido a sua formação vulcânica e as belas paisagens.
Depois da ilha Reunião partimos para Madagascar. Nosso plano era ir para a costa Oeste, na região de Vezo Reefs, onde ficam as ondas. Infelizmente tivemos um problema no motor que nos atrasou e tivemos que cruzar para a África do Sul, onde estamos agora, nos preparando para passar pelo cabo das tormentas e rumar para o Brasil.
Claro que antes disso ainda temos algumas boas ondas pelo caminho.
Bruno Corino é integrante do Projeto Destino Canela. A bordo de um veleiro, eles têm o objetivo de dar a volta ao mundo parando em portos do mundo inteiro. A conclusão se dará quando os tripulantes, depois de quatro anos de viagem, tiverem chegado à cidade gaúcha de Canela.
A expedição conta com o apoio da marca de pranchas Tricoast. Para saber mais sobre o projeto, acesse Destino Canela.
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