Sonhos cilíndricos em G-Land

Desde que foi descoberta, em meados da década de 70, por aventureiros surfistas que voavam de Jakarta (capital de ilha de Java) para Bali, Grajagan – ou G-land – tem sido considerada uma das melhores e mais perfeitas esquerdas do mundo.

Com 20 anos de surf, cresci dropando nos excelentes fundos de pedra capixaba e entrando nos profundos e potentes tubos de Regência.

 

Logo, minha intimidade com fundos de corais e ondas fortes vem de berço. Principalmente por ser goofy footer , sempre sonhei em surfar os cilíndricos tubos de Grajagan.

 

Quando a Quicksilver organizou os históricos campeonatos nas ondas de Grajagan, entre 1995 e 1997, as mágicas ondas daqueles eventos mudaram completamente o conceito de surf competição.

 

Até então, campeonatos somente aconteciam em fundos de areia com ondas medíocres. Se hoje os atletas do WCT competem em locais paradisíacos, com ondas de excelente qualidade, muito se deve às perfeitas esquerdas de G-land.

 

Como todos sabem, é bastante difícil sair do Brasil e viajar para a Indonésia (devido à distancia geográfica e altos custos da viagem).

 

Apesar de ter tido oportunidades de ir para o Peru, Califórnia, Nova Zelândia e Hawaii, meu sonho de conhecer a Indonésia continuava bem presente em minha mente. Então, em junho de 2001, fui morar na Austrália. 

 

Quase um ano e meio após minha chegada em Down Under, finalmente pisei pela primeira vez na Indonésia.

 

Na época, pude passar apenas duas semanas no arquipélago, e dez dias foram dedicados exclusivamente a G-land. A viagem foi fantástica.

 

Surfei altas ondas em Grajagan, mas talvez pelo fato de ser fim de temporada não tive o prazer de surfar as ondas que havia visto centenas de vezes nos filmes de surf.

 

Mesmo assim, não desanimei, pois tinha certeza que voltaria para aquele local maravilhoso. Prometi para mim mesmo que ainda veria aquela máquina de ondas perfeitas funcionar a todo vapor.

 

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Meu objetivo era voltar para Grajagan pelo menos uma vez por ano enquanto morasse na Austrália.

Graças a Deus, continuo morando na Austrália. Atualmente sou residente permanente, e tenho cumprido minha meta de ir para a Indonésia uma vez por ano.

 

Meu sonho de ver a máquina de tubos funcionar se concretizou (e como!) na minha terceira passagem por Grajagan, no mês de julho de 2005. Passei 19 dias surfando as mágicas ondas de G-land e, sinceramente, peguei as ondas da minha vida!

 

O reef de Grajagan é simplesmente indescritível. De formação vulcânica, a gigantesca bancada de G-land começa no Estreito de Bali (entre Bali e Java) e somente termina, em forma de arco, na baía de Grajagan.

 

Grandes swells oceânicos, geralmente criados na costa oeste Australiana, viajam pelo Oceano Ìndico centenas de quilômetros ate encontrar um porto seguro na perfeita bancada de G-land.

 

Entre março e outubro, uma combinação de freqüentes swells de sul ou sudoeste no Oceano Ìndico e constantes ventos terral fazem com que a máquina de tubos de Grajagan entre em operação.

 

Kong?s é a primeira sessão surfável desta extensa bancada. Esta sessão é a parte mais exposta do reef, e é muito difícil não encontrar ondas de 3-4 pés naquele pico, mesmo quando está flat.

 

Em swells médios de leste com 6 pés, excelentes tubos são oferecidos em Kong?s. Geralmente a galera surfa Kong?s na maré seca e em swell pequeno ou médio, pois a onda fica bem longa e manobrável.

 

Moneytrees é a sessão intermediária da onda de G-land e geralmente é a parte mais consistente de todo o reef. O pico funciona melhor em swells de sul ou sudoeste, e pode ser surfado de 2 a 10 pés+.

 

A onda de Moneytrees é muito longa e com diversas seções de tubo, dependendo da direção do swell.

 

Em dias maiores, a onda quebra numa bancada mais para fora do reef antes de re-formar um ?double up? bem cabuloso, o que proporciona tubos gigantes e quadrados ? espetáculo da natureza!

 

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A pérola de G-land, no entanto, é a sessão SUPER tubular e hiper rasa de Speedies (ou Speed Bowl).

 

O ?shape? da bancada é tão simétrico que ?paredes de água? de mais de 100 metros de extensão são oferecidos para os destemidos guerreiros que se aventuram a surfar rápidas e longas montanhas de água.

 

Speedies somente começa a mostrar o verdadeiro ar de sua graça em sólidos swells de sul (mínimo 6 pés), e geralmente só pode ser surfada com uma certa segurança na maré muito alta das luas cheia ou nova.

 

Ver (e principalmente surfar) Speedies é impossível de descrever ? quem já teve este prazer sabe do que estou tentando falar.

 

Mas todo cuidado é pouco, pois o reef não está muito longe da superfície: sonho e pesadelo ali moram lado a lado. Vários surfistas se machucaram nesta última viagem.

 

Um surfista alemão bateu seriamente a rosto no reef e se cortou bastante ? por sorte, um médico peruano estava no surf camp e prestou os primeiros socorros, mas provavelmente o surfista necessitará de plástica nos lábios e no nariz.

 

Em julho, na maior parte da minha estada em Grajagan, Moneytrees foi, disparado, a sessão mais surfada.

 

No entanto, quando pensei que voltaria para a Austrália sem surfar Speedies, um sólido swell de sul entrou na baía de Grajagan.

 

A proximidade da Lua Cheia trouxe a tão esperada maré alta e o vento terral mostrou o ar de sua graça desde cedo – o que fazia os tubos ficarem mais abertos e verdadeiramente ?quadrados?.

 

Em resumo, com minha 6?6 surfei durante os últimos três dias da minha estada em Grajagan ondas variando de 6 a 8 pés muito PERFEITAS – tubos da vida!!!

 

Grajagan é isso e muito mais – dormir com o barulho das ondas e acordar antes do sol nascer, a paz e tranqüilidade da selva, o clima de camaradagem e confraternização no surf camp e, lógico, os cilíndricos tubos ali oferecidos me fazem cada dia mais sonhar com aquele cantinho de terra onde a natureza mostra toda sua graça e potencial.

 

E como sonhos são o combustível da vida, peco a DEUS que continue me dando força e energia para poder continuar a alcançar meus sonhos ? e assim poder experienciar Grajagan novamente. Quem sabe não nos encontramos em Grajagan no ano que vem?

 

Boas sonhos e boas ondas!

 

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