Os acordes do Donavon pareciam combinar perfeitamente com aquele ambiente quase
surreal.

O céu limpo e as estrelas pictografando a escuridão.

 

A lua refletia o seu rastro prateado sobre as ondas do mar, com suas cristas sendo lambidas por um fraco e gélido terral, que ao amanhecer fazia a alegria de competidores, jornalistas e público, que tiveram a sorte de estar naquele éden perdido entre cidades durante quase uma semana.

 

O amor, a paixão, a raça e força de vontade de todos o organizadores e suas equipes
que trabalhavam por dias ininterruptos, por incontáveis horas, trazendo material,
montando som, palanque, organizando sala de imprensa (vale ressaltar que a nossa área estava muito boa, palanque, bebidas e visão ampla), segurança e muito mais.

Toda essa sinergia contou com a ajuda do Criador, que com seu toque
mágico, fez com que as chuvas, que caíam torrencialmente havia quarenta dias ininterruptos, parassem nos últimos três dias de

competição, e o que se pôde ver realmente foi um cenário de extrema beleza cênica.

 

Um complexo hoteleiro com hotéis cinco estrelas e pousadas aconchegantes cercados por belíssimos coqueiros, gramíneas rasteiras, arrecifes, praia limpa, água translúcida, com ondas de 1,5 metros, lisas e extensas fazendo a cabeça dos competidores que não cansavam de repetir que aquele era o paraíso.

 

Tailslides, reverses, of the tops, floaters, conexões e velocidade inimagináveis
completavam o show.

 

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O sol brilhava o dia inteiro e as lindas mulheres não paravam de aparecer, fazendo
com que o público dividisse a sua atenção entre a competição e o desfile na areia
(difícil decisão!).

 

Uma final brasileira entre Neco e Mineirinho decidida em uma onda polêmica, no
último minuto, a favor do Mineirinho, levou a galera ao delírio, e alguns até as
lágrimas.

 

O depoimento emocionado e comovente de Neco, falando sobre a necessidade de preservar o meio ambiente, aproveitar a vida

e amar as pessoas mostrava o amadurecimento de um atleta que já nos trouxe (e com certeza ainda trará) muitas alegrias, fechava com chave de ouro o evento.

A magia, o astral do lugar em simbiose com a competição me lembraram uma frase
poética que li em uma revista baiana (Swell) nos anos 80, e que jamais saiu da
minha memória: ?O surf é uma arte, o mar é a tela, a prancha o pincel, e nós os
surfistas somos os pintores?.

O Billabong Costa do Sauípe teve nível cinco estrelas como competição, mas no
coração, na memória dos baianos e de todos que lá estiveram teve um valor inestimável.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)