Divisa de Capão da Canoa e Atlântida: à direita, em Capão, é área de surf. À esquerda, área de pesca com calão. Foto: Alexandre Bidart.

Na última terça-feira uma inesperada notícia chocou a comunidade gaúcha de surfistas e simpatizantes e moradores e freqüentadores da praia de Atlântida, um dos mais tradicionais e movimentados picos do Sul do Brasil.

 

A Prefeitura e a Secretaria de Turismo de Xangri-Lá consideraram inconstitucionais todas as leis e demarcações referentes às áreas de surf e pesca do estado em Atlântida.

 

Um novo espaço foi demarcado como área de

pesca com calão, um tipo de rede que é considerada a mais perigosa, tanto para surfistas como para banhistas.

 

A área escolhida compreende as proximidades da Saba (Sociedade Amigos do Balneário Atlântida) até a divisa com o município de

Cópia do mapa de Atlântida: são cerca de 270 metros para surf entre a plataforma e a Saba, contra 700 da área de pesca. Foto: Alexandre Bidart.

Capão da Canoa.

 

Pela nova demarcação, o surfista que entrar no mar ao Norte da plataforma tem apenas cerca de 270 metros para surfar antes de passar pelas redes de calão.

 

A nova área de pesca ocupa 706 metros em direção a Capão da Canoa. A questão reaviva um verdadeiro pesadelo vivido nos últimos 20 anos pelos gaúchos.

 

Um levantamento, recentemente destacado pelo deputado estadual Sandro Boka (PMDB), aponta que, desde 1980, mais de 45 jovens morreram por afogamento presos às redes no estado.

 

Em 1987, por iniciativa da Associação dos Surfistas de Capão da Canoa, em parceria com a Prefeitura, foi elaborada e sancionada a primeira lei municipal de área de surf e pesca do litoral Norte do Rio Grande do Sul.
 
A área segura para o surf e lazer foi demarcada entre a avenida Boainoviski em Capão da Canoa e a Plataforma de Atlântida, que na época era jurisdição do Município de Capão da Canoa.

 

?Depois de tropeçar em duas cordas atravessadas na praia, durante uma despretensiosa caminhada em Atlântida, fui até a Prefeitura de Xangri-Lá e descobri que tudo que já foi feito até agora para que surfistas e pescadores convivam em harmonia foi por água abaixo?, declara com indignação Alexandre Bidart, instrutor de surf em Capão da Canoa.

 

?A Secretaria de Turismo, responsável pelo tema, disse que demarcou as áreas com anuência de surfistas, pescadores e órgãos envolvidos no assunto. Será que agora teremos que esperar mais uma morte para começar tudo de novo??, questiona Bidart.
 
A lei municipal foi elaborada em função do crescimento do número de praticantes do esporte, a eminente ameaça de acidentes com redes de calão e o principal, o crescimento da cidade de Capão da Canoa e a movimentação socioeconômica na baixa temporada.
 
Com a emancipação do Município de Xangri-Lá, vários administradores passaram nestes últimos 20 anos pela Prefeitura e a área de surf e lazer no eixo Capão da Canoa / Atlântida sempre foi mantida.

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