Vídeos de surf são lançados no mercado mundial constantemente e o nosso país evoluiu muito nessa área, com produções vindas de todos os estados, sem deixar muito a desejar quando comparados com os filmes gringos, a não ser pelas ondas.
Clique aqui para ver o trailer de The Division – Simple Math
Muito interessante destacar o valor que começaram a dar para alguns atletas nacionais, desconhecidos de revistas e campeonatos. Graças aos filmakers e aos produtores de vídeos independentes, isto está sendo possível e acaba abrindo portas para talentos desperdiçados, o que é ótimo!
Estes produtores estão aparecendo cada vez mais, dando espaço para quem merece e mostrando ao mundo de que nós surfistas brasileiros somos capazes de fazer em ondas tão pequenas, ou não!
Mesmo que o equipamento não seja top ou as ondas não estejam sempre boas, com dedicação, raça e alguns perrengues básicos dá para fazer um bom trabalho, principalmente se a pessoa tiver criatividade e atletas de alto nível para filmar. O mesmo vem acontecendo lá fora e há muitos anos e, em maiores proporções, não somente no surf, mas em diversos esportes de ação.
O DVD de surf virou algo comum e muita gente pode comprar pelo fácil acesso a esse tipo de mídia, tanto em lojas virtuais quanto em lojas de shoppings. E quem não tem condições financeiras, pelo DVD ainda não ter um preço tão acessível, acaba gravando do amigo, podendo então assistir com calma relaxado, dando câmera-lenta e pauses pensando em como parece fácil fazer tal manobra, mas que na verdade exigiu anos de treino, alguns cortes profundos, contusões e pranchas destruídas.
Na Califórnia, um dos berços do surf acima do lip, um seleto grupo de surfistas freestyle vem se destacando nos aéreos e manobras futuristas, algo pouco visto anteriormente, como no vídeo The Division Simple Math.
Filmado e dirigido por Jeff Simonson, muito atencioso e humilde por sinal, e edição de David Malcolm, feito pela Boost Productions, a produção documenta sete surfistas mostrando o que há de mais moderno a ser executado em ondas pequenas e médias, inovando em várias cenas com truques característicos e únicos.
Os aliens são Zach Reinhart, Derek Bockleman, Gavin Sutherland, Jeremy Sommerville, Eric Mchenry, Sean Murphy e Bill Bryan. Você provavelmente nunca ouviu falar nesses caras, mas se já vem flagrando a cena gringa underground e souber quem são pelo menos três, já é um grande motivo para se interessar!
Eles não são superestrelas de revistas famosas e muito menos tem ambições de chegar ao WCT, mas a técnica e fluidez com que completam os aéreos mais altos e complicados são de deixar qualquer um chocado e os transformam em heróis internacionais da juventude inspirada nos vôos.
Alguns truques você nem imagina que existam porque o Slater, Andy, Fanning e companhia não os executam. E por qual motivo, já que ganham a vida esmigalhando ondas com várias pancadas chutando a rabeta sem a perna tremer no final.
Porém eles e outros tops do mundo elogiam o surf desses gringos e com certeza sabem da dificuldade exigida nessa modalidade, mesmo que ainda falte um pouco de estilo em certos momentos.
A qualidade das filmagens e do resultado final pós filtros e ajustes é ótima. Nota dez! Não existem entrevistas ou momentos zens no filme, é surf sem ?embromation? do início ao fim.
Quanto ao som, bandas como Arctic Monkeys, The Faint e Sic Waiting ? a melhor das três em minha opinião ? dão vida ao filme, mesmo não me agradando muito. E o uso do botão ?mudo? pode ser útil dependendo do seu gosto musical!
Ângulos de dentro d?água e alguns tubos de base trocada adicionam ainda mais originalidade. Uma sessão num rio na Zâmbia, mega perigoso com direito a tubos e ollies também chama a atenção.
E o mais impressionante, Bill Bryan, o ?Beaker? como é chamado, entra de skimboard town-in nas ondas pesadas de Teahupoo, botando pra dentro sem medo, fazendo o vídeo valer a pena só por essas cenas.
?Beaker? é o melhor skimboarder da atualidade. E há anos tem um talento incrível para esportes com prancha e foi forte influência na evolução dos aéreos dessa geração de aerialistas!
Um ponto fraco do Simple Math é que não dura muito como nos vídeos de Taylor Steele. Mas me deixou ansioso pela segunda edição e que ainda não tem data de lançamento.
Nos extras e na seleção de capítulos disponíveis, Jeff fala que a pivetada toda deveria ver esse filme para saber qual direção o surf de aéreos vai tomar nos próximos anos. Eu recomendo!
Se estiver esperando ver vários “kerrupts flips”, esqueça! Esses freaks são originais e não seguem as tendências convencionais do surf acima do lip.
Clique aqui para saber mais sobre The Division – Simple Math.
