Recentemente, depois de dois dias de vento forte, chego em casa de madrugada e percebo que o mar deu uma reagida. Fui dormir exausto, mas agradecido por morar em um local tão lindo e tranquilo.
Acordo de manhã, bem cedo, e a primeira coisa que noto é o rugido do mar, intermitente e alto. Pouco tempo depois, aparecem no quintal de casa dois moleques da nova geração de surfistas de Garopaba, Cassius Lise e Lucas, amigos da época da Kombi do Gugu (esta história fica para outra matéria).
Os dois passam entusiasmados e avisam que o mar subiu bastante. Vejo que ambos estão com pranchas pequenas, na hora peguei meu equipamento de fotografia e fomos à praia.
Chegando lá, uma serie monstro entra na segunda laje e brinco com os moleques: “Não querem pegar uma 7’4” que tenho lá em casa?”. Noto um risada nervosa e o Cassinho brinca: “Minha 5’9”do Tokoro tá de bom tamanho”.
Não havia mais ninguém no mar e as séries entravam cada vez maiores. Cassius tentou entrar duas vezes e foi literalmente cuspido para fora do mar. Como conheço melhor o pico, fui mostrar o caminho pelas pedras mais de trás para entrar no outside.
Cassius e ficamos impressionados com o tamanho das ondas, algumas perfeitas, outras fechando e algumas abrindo mais para o meio da praia. Lamento estar fora de forma e admito não ter condições de encarar as morras, mas Cassius não intimidou-se e ficou ali, nas pedras, esperando o momento certo de pular.
Depois de meia hora chegaram Eninho e Felipe Ximenes. Botamos pilha no Felipe para ajudar o Cassius e pular da pedra também, já que está mais acostumado.
Algumas séries deixam um bom intervalo, mas a corrente empurra para praia. Enquanto me concentro em fotografar a força das ondas batendo no costão e subir a dezenas de metros, Lucas registrava a ira de Netuno com uma filmadora.
Nete momento, pilhado pelo Felipe, Cassius se joga e rema no gás. Entram algumas ondas, mas ele consegue ir até o outside. Quando estava chegando, entrou uma série enorme e ele passou no limite. Se tivesse perdido alguns segundos, poderia tomar a série na cabeça e ficar em péssima situação, visto que a Silveira tem uma qualidade peculiar de prender você em baixo da água por um bom tempo.
Minutos depois, Marquito chega de jet-ski com dois amigos. Vieram de Garopaba pelo mar e largaram um deles, o Macaco, ao lado do Cassius, na altura da segunda laje.
Demorou uma meia hora para os dois pegarem a primeira onda na remada, enquanto a galera do jet já havia dropado várias mais para o meio da praia.
Macaco foi o primeiro a dropar, uma direita de bom tamanho, mas não das graúdas. Pouco depois entra uma série perfeita e Cassius se joga em uma morra. Estava concentrado fazendo fotos de um casal de Quero-Quero e só tenho tempo de desviar a máquina e clicar a sequência.
A onda é grande, com aproximadamente uns 4 metros. O moleque, de 5’9”, consegue fazer o drop e vai parar no meio da praia, fazendo a onda em toda sua extensão. Um herói, o único que conseguiu entrar no braço depois que o mar ficou gigante.
Tinha compromissos em Garopaba e infelizmente não pude fotografar o surf do final de tarde, quando Marquito puxou a galera para dentro de jet-ski.
Só fiquei sabendo que pegaram altas ondas e que Roni Ronaldo e o Dr. Morongo passaram um perrengue para sair do mar depois de terem suas cordinhas arrebentadas por uma série grande. Porém, todos terminaram o dia de cabeça feita depois desta ondulação alucinante na Silveira!
Marcelo Pereira tem o apoio da Graphite Pizza Bar. Para obter mais informações sobre o trabalho do fotógrafo, envie mensagem para [email protected].



















