Surf seco

Será que ainda rola?

Esperança deve sempre ser o último suspiro. Transcender verdadeiramente a vontade de surfar é uma coisa que aconteceu na minha evolução durante estes 12 anos fora d’água.

 

Algo inimaginável para um rato do surf como eu, e que faz juz ao título Alma Guerreira, fazendo valer o ditado “não há nada que o tempo não cure”.

 

Do ultra fissurado garotão surfista ao mais diferente imaginável estado, consegui chegar a um nível de vida maravilhoso, independente da minha ‘aparente’ roubada.

 

Eu me classifico hoje como um tipo exemplar, do sobrevivente extremo, alguém totalmente único, que ignorou as barreiras impostas em seu caminho e vive uma só realidade: a felicidade.

 

Exemplificando, sou um ser oitenta por cento independente, posso passear, escrever, trabalhar e amar igual ou mais que muita gente perdida, sem rumo, que existe por aí.

 

Da realidade seca, e fora dos tubos (salões terapêuticos), honestamente eu nunca imaginei que sem a prática do surf alguém poderia ser feliz. Sabendo que aqui tudo é temporário e que a vida vai passar de qualquer maneira para todos, e nela os momentos e as oportunidades aparecem como as melhores da série, não há motivo para atravessá-la triste ou reclamando de algo.

Eu vivo sem ter medo dessa incrível velocidade, rumo a 2005…

 

Uso essa velocidade do tempo exatamente igual ao modo que eu sempre gostei de surfar, como se fosse mandar um manobrão, isso quando a parede não levanta, porque então é só colocar dentro do salão, sem medo de ser feliz. É claro que a prancha e o surfista têm que ser bons.

 

Quando você achar que o tempo está passando muito rápido, coloque a cabeça para fora da janela, sinta a força do vento da vida bater no seu rosto. Agradeça ao Todo e aproveite cada gesto, cada passada de parafina, cada posição do alongamento, cada braçada de remada, cada joelhinho, tudo é muito maravilhoso, sem falar da onda surfada.

 

A vida é um presente, junto com as coisas boas do planeta, as praias e as ondas. Quem sabe ainda pode rolar um surf para mim… Mas nesta altura da minha existência, por mim está tudo bem. Mas quem sabe? Se tiver que ir, eu vou.

 

E se alguém estiver andando por aí reclamando da vida?

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

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