
O internauta Ricardo Maier enviou a sugestão de pauta sobre projeto que pretende captar energia das ondas e que será implantado na ilha do Arvoredo, Guarujá. A notícia foi publicado nesta sexta-feira (25/10), no Jornal do Comércio.
Essa idéia foi um dos destaques do Global Conference, quarto Seminário Internacional de Meio Ambiente Industrial (Simai), realizado entre os dias 23 e 25/10, no Expo Center Norte.
Nelson Parente Júnior, diretor técnico da Empresa Brasileira de Reciclagem (EBR), é responsável pelo projeto. O engenheiro santista explicou que o potencial energético das ondas no Brasil é de 120 milhões de quilowatts, quantia que corresponde a capacidade de oito ou dez Itaipus.
Segundo Parente, a idéia é utilizar pelo menos 20% dessa capacidade e o primeiro projeto será implantado na Ilha do Arvoredo, localizada na praia de Pernambuco, Guarujá.
Nessa primeira etapa, o objetivo é gerar energia para cerca de 15 pessoas que vivem na ilha, ou o equivalente a três famílias.
A energia das ondas será captada por intermédio de bóias de superfície, onde não há arrebentação, ou utilizando águas submersas, com vasos comunicantes para levar a energia diretamente para uma fábrica próxima às praias.
O custo de implantação desse sistema é de US$ 2 mil o kw. O projeto experimental está sendo encaminhado para a Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), para ser executado.
Em Portugal, na Ilha do Pico, um sistema semelhante abastece cerca de mil famílias. De acordo com Parente, o ideal é trabalhar paralelamente com diversos sistemas de “energias limpas”, como também a eólica (vento) e a solar.
Confira a íntegra da matéria.
“O clima e a geografia brasileiros favorecem a utilização de energias renováveis, como a de biomassa e até de ondas do mar. Esse foi um dos destaques, ontem, do 4o Seminário Internacional de Meio Ambiente Industrial (Simai), que termina hoje no Expo Center Norte, em São Paulo.
Segundo o engenheiro Nelson Parente Júnior, diretor técnico da Empresa Brasileira de Reciclagem (EBR), “o potencial energético das ondas disponível na costa brasileira é de cerca de 120 milhões de quilowatts (kW), algo em torno de oito a dez Itaipus. Desse total, seria razoável utilizar pelo menos 20%”, defende.
Através de uma parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) e Fundação Fernando Eduardo Lee, a EBR está desenvolvendo o primeiro projeto para aproveitamento da energia de ondas no país.
O projeto piloto deverá ser instalado na Ilha do Arvoredo, em frente à praia de Pernambuco, no Guarujá, litoral de São Paulo, onde a Fundação Eduardo Lee já mantém fontes de energia eólica e solar.
“A idéia é analisar essas três fontes, com alta disponibilidade no litoral brasileiro, em conjunto”, diz.
Parente conta que o aproveitamento da energia das ondas já é utilizado em países como Japão, Noruega e Índia e que as ondas brasileiras, com altura média entre 1,5 a 2,5 metros, são baixas, mas constantes durante todo o ano, o que é uma vantagem para seu aproveitamento.
Essa utilização pode ser feita através de bóias de superfície, onde não ocorre arrebentação, ou utilizando as águas submersas, através de vasos comunicantes, levando a energia diretamente para uma fábrica, por exemplo, em regiões de praias.
O custo de implantação desses sistemas, conforme o engenheiro, seria de US$
2 mil o kw. O projeto experimental no Guarujá está sendo encaminhado
para a Financiadora de Estudos e Pesquisas (Finep), para entrar em execução.
Outro projeto apresentado foi a utilização da biomassa do capim elefante como fonte energética. Conforme o pesquisador Vicente Mazzarella, do IPT, essa fonte renovável tem o potencial de suprir entre 5% a 10% do consumo energético brasileiro em até dez anos, com uma área plantada de 1.700 mil hectares, 70% da área plantada com cana-de-açúcar somente no Estado de São Paulo.
Desenvolvido há três anos, com recursos da Finep, o projeto envolve, além do IPT, o Instituto de Zootecnia, a Embrapa/Rio de Janeiro e a Unicamp.
Segundo as pesquisas, a produtividade energética do capim elefante, que cresce cinco metros em um ano, é de quase o dobro da cana-de-açúcar, além de capturar mais carbono. Pode competir também com o eucalipto na produção de carvão.
O pesquisador afirma que o capim elefante pode ser usado ainda em usinas termelétricas.