O surf hoje é o esporte náutico mais praticado no mundo. No Brasil são 8 milhões de praticantes.

 

Hoje a modalidade é a segunda mais praticada no país, perdendo apenas para o futebol.

 

Esses dados colocam a comunidade do surf em destaque no cenário desportivo nacional, porém o desenvolvimento deste esporte poderia estar muito mais adiantado se não fosse a questão da segurança.

Com a mudança do perfil da preferência esportiva dos jovens e adolescentes pelos esportes de “adrenalina”, ou de “endorfina”, notamos uma grande evolução nos últimos anos dos esportes ditos radicais.

 

Paralelo a esse crescimento do interesse pelo “perigo”, pelo desafio, uma estatística
surge e nos coloca diante de um impasse. O Brasil é o local do mundo onde mais morrem surfistas praticando o esporte.

 

Morrem mais surfistas no Sul do Brasil, em virtude das redes de pescadores, do que com os tubarões, corais ou ondas gigantes.

 

No Rio Grande do Sul, desde de 1984, ocorreram uma média de 2,5 mortes por ano de surfistas em redes de pescadores. Diante dos acontecimentos, foi criada uma lei no RS delimitando áreas de surf e de pesca. Porém, como grande parte das leis no país, ela não é cumprida e ainda possui falhas.

 

Uma lei meramente burocrática, ou “burrocrática”, como queiram. Existe uma delimitação de 500 metros de praia para pesca, e 500 para surf, só que o mar no RS é aberto e favorece uma grande influência das correntes.

 

Em dia de corrente forte esse percurso é feito em poucos minutos pelo surfista, ele cruza toda a área para surf antes mesmo de conseguir entrar no mar. E acaba  tendo que, inevitavelmente, passar por cima das redes.

O último incidente ocorrido, a pouco mais de um mês, vitimou uma surfista de 19 anos de idade aficcionada por esportes. Júlia Rosito surfava com seu namorado e outros amigos quando foi pescada e, agonizando, morreu em uma das muitas redes da Praia de Cidreira, a praia que mais vitimou surfistas.

Cidreira é a “Faixa de Gaza” do surf mundial. Diante dos últimos acontecimentos, a comunidade gaúcha se mobilizou como nunca e resolveu dar um basta nisso. Uma audiência pública foi realizada em Porto Alegre no dia 07 / 06 / 05 para tratar da demarcação das áreas de pesca e de lazer no litoral gaúcho.

O debate, que teve mais de 4 horas de duração, foi muito rico e ouviu as duas partes de forma democrática e harmoniosa. Diagnosticou-se o descumprimento da lei por negligência dos municípios litorâneos na demarcação. Esses alegam o engessamento político da lei de responsabilidade fiscal como o principal fator para a inexecução das

determinações.

 

Fora isso é lógico o impasse já criado entre as duas comunidades que passaram a desafiar-se na disputa por um espaço na orla marítima. E tudo isso, até agora não resultou em nada, e, provavelmente, não resultará, como nos outros casos onde ocorreram audiências para tratar do assunto.

 

Para evitar que mais pessoas se afoguem, e para que os surfistas saibam como proceder em casos de acidente no mar, a empresa de projetos esportivos Podium Esportes, em parceria com o Salva Surf Brasil, criou cursos específicos para surfistas sobre segurança e resgate aquático.

 

O curso é de extrema importância, pois mesmo sem as redes, o surfe continua

sendo um esporte perigoso, e a questão da segurança é o fator mais negligenciado.

Se o surfista souber as técnicas de salvamento pode facilmente salvar a vida de outra pessoa que se acidentar no mar. Essa pessoa pode ser um amigo ou algum banhista.

 

Em países onde a cultura “lifeguard” já existe, como Califórnia e Austrália, os incidentes fatais são praticamente inexistentes, e o número de afogamentos com banhistas é muito pequeno. E isso por causa da atuação dos surfistas.

 

Em Santa Catarina, o Projeto Salva Surf Brasil já conseguiu inserir na cultura local os princípios da segurança de praia. O objetivo do Curso de Salvamento Aquático para Surfistas, ocorrido em Porto Alegre na semana passada, foi justamente diminuir a triste estatística de campeão em mortes relacionadas ao surf. A primeira turma de 20 pessoas, em sua maioria surfistas, está apta a prestar os primeiros socorros em caso de
afogamento.

 

Desde a retirada da vítima da água, consciente ou inconsciente, até a massagem toráxica e respiratória em caso de parada cardio-respiratória. Com isso, as chances de uma vítima vir a óbito, cai drasticamente.

 

Durante o curso, os socorristas realizaram simulações de salvamento utilizando longboard, prancha de surf e também com body board. O projeto pioneiro no RS foi um sucesso e o próximo curso já esta com as inscrições abertas.

Segundo o Sargento Hamilton, especialista em salvamento aquático e coordenador do Salva Surf Brasil, “os conhecimentos adquiridos no cursonão se limitam ao salvamento aquático, mas principalmente no caso de emergências que ocorrem em nosso cotidiano, seja no trabalho , na escola, no lazer e em nossas casas.

 

Salva Surf

Data do próximo Curso 19 a 21 de julho

Descrição Curso de Salvamento Aquático para Surfistas com palestra do Sargento Hamilton Fernandes

Coordenador do Projeto Salva Surf Brasil, Segurança oficial do WQS e do WCT

Conteúdo Noções de Primeiros Socorros; Noções de Salvamento Aquático; Técnicas de Desvencilhamento ou Judô Aquático; Técnicas de aproximação e abordagem

Avaliação Noções de Parada Respiratória; Noções de Parada Cardíaca e RCP; Uso de equipamentos; Redes de Pesca                 

Local Aula Teórica, Hotel Continental; Aula Prática, Academia Épico

Contato Franciele Hochmuller [email protected] , tel 51 8132.0153.

 

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