
Segunda-feira 13. Essa seria a melhor definição para detalhar os acontecimentos no primeiro dia útil desta semana no Hawaii.
Um inesperado swell atingiu a costa havaiana com ondas de até 5 metros. A previsão era de que o swell atingisse apenas 2,5 metros, mas com a proximidade do storm com relação a costa, os 6 metros com 14 segundos de intervalo durante a noite implicaram em um alerta de “high surf advisory” (condições perigosas).
A Baia de Waimea já quebrava com algumas séries atingindo os 5 metros logo cedo, enquanto os outros picos como Sunset e Pipeline fechavam tudo.
Eu, Eraldo, Jorge, Haroldo e Burle combinamos uma saída de tow-in na bancada de Hammer Heads. Eu, Jorge e Haroldo usamos o jet-ski Gzero do salva-vidas Vitor Marçal, e Burle e Eraldo o do amigo Luis Fernando. Isso porque nossos jet-skis estão em Maui na espera de um big swell que ainda não mostrou as caras nessa temporada.
Ao chegar no outside de Hammer Heads nos deparamos com um visual lindo, com altas direitas e só três duplas de tow-in se revezando o outside. João Maurício e Pato, Edison e Daniel, e Ace Cool, Ron Barron e um gringo deconhecido.
Logo na chegada a adrenalina correu em nossas veias, porém, de um modo negativo. O gringo desconhecido nunca havia feito tow-in e vinha sendo rebocado por Ace Cool. Mas, ele perdeu o controle antes da entrada na onda e foi de encontro ao jet-ski de Edison e Daniel, que estava parados no outside. O gringo entrou de cabeça no casco, numa batida seca e dura, e apagou.

Com o gringo apagado e sangrando na prancha de resgate do jet de Ace, após ser resgatado por ele e Edison, o experiente ex-salva-vidas, Edison de Paula, aplicou o ressuscitamento (CPR) no gringo. Segundo ele, “O cara estava com pulso, mas apagado. Assim, eu só fiz respiração boca-a-boca durante alguns minutos até ele abrir os olhos novamente”, explica.
João Maurício ligou com seu celular da água para o telefone de emergência e depois de alguns minutos a ambulância já esperava o acidentado na marina de Haleiwa. Devido a gravidade do acidente, os médicos no local chamaram um helicóptero para agilizar o atendimento.
Até agora não temos notícias reais do trauma. A pancada foi tão forte que abriu um buraco no jet-ski de Edison. Havia ainda cabelos amassados no meio das fibras de vidro. Voltando às ondas, elas pareciam com Jeffreys Bay, abrindo por cerca de 200 metros na bancada mais infestada de tubarões do North Shore. O nome Hammer Heads foi dado pela forte presença de tubarões cabeça-de-martelo no local.
Tubos e altas rasgadas foram rolando durante a session e todos tinham um sorriso estampado no rosto, com o pico somente sendo revezado por nós e séries de 3 a 4 metros constantes. As pranchas de tow-in passam por grandes mudanças, e hoje usamos pranchas entre 5’10 e 6’2, feitas pelo shaper brasileiro Ricardo Martins e pelo legend havaiano Dick Brewer.

Para completar esse dia “negro”, no final da tarde Burle e Eraldo foram os primeiros a avistar um dentuço dos grandes. Na hora que eles começaram a gritar eu não entendi nada, mas quando cheguei mais perto e me toquei o que rolava, gritei para o Jorge que estava na água e não demorou mais de cinco segundos para subir no jet para não virar comida de tubarão.
No final de tarde Pipeline quebrou no Banzai pesado e Kelly Slater e seu companheiro, o mega star músico Jack Jonhson, quebraram suas pranchas ao meio na queda.
Pelo telefone Romeu Bruno me informou que Jaws quebrou com 5 metros também. Ele, Rodrigo Resende e Alfredo Vilas-Bôas também curtiram essa vibração de segunda-feira 13. Depois de perder a prancha, Resende foi buscá-la nas pedras de frente ao pico e na volta foi arremessado por uma onda de volta aos pedregulhos, o que acarretou num corte profundo em seu tornozelo. Alfredo teve que levá-lo às pressas para o hospital, acabando com a participação verde e amarela no pico.
A previsão é de mais um bom swell na quinta. Se Deus quiser, sem essa vibração pesada.
Aloha!