A história a seguir comecou em dezembro de 2004, quando Guilherme Tâmega e eu decidimos fazer uma trip para a ilha de Maui para treinar e monitorar um mega swell para o GT encarar Jaws.

 

Chegamos na casa de nosso amigo e xerife local Jimmy Huttaf, bodyboarder competidor das antigas, um legítimo dinossauro, que também estava fissurado com a entrada do swell.

Todos os picos que checamos apresentavam condições de surf. Fomos até Jaws, mas havia uns 30 jet-skis no outside e ficou impossível pedir para algum surfista amigo puxar o Guilherme.

 

Nisso, apareceu um rapaz magrinho e deu a dica de um pico secreto que provavelmente teria altas ondas. Jimmy explicou por alto como era a onda e nos deixou empolgados.

Acordamos na madrugada e Jimmy disse ter checado a bóia e tinha certeza de que havia altas ondas em toda a costa.

 

Checamos Wind Mills, tinha boas ondas e decidimos ir até o secret, que só rola em condições específicas – exatamente como naquele dia.

 

Mas o pior aconteceu, nos perdemos dos nossos guias e não tinha jeito de chegar no pico sem a ajuda deles. Dirigimos por mais de uma hora, olhando ondulações, viajando no visual do oceano pela estrada que costeia a ilha de Maui.

Chegamos então em uma parte da estrada mais fechada e por sorte eu estava olhando para a encosta. Vi uma espuma pelo meio da mata e, por uma brecha, consegui ver uma direita perfeita rolando em uma baía.

GT parou o carro e fomos checar o pico, pelo meio do mato. A surpresa foi a visão de um pico de direita perfeito, rolando uma onda atrás da outra. Só não sabíamos como descer lá.

 

Demos a volta na encosta e vimos o carro da galera lá embaixo, achamos a entrada e descemos o morro até encontrar a galera e partir pro que interessa, as ondas.

 

Chegando no pico percebemos que a direita era muito boa, mas o “mel” era a esquerda no fim da baía, que rolava um tubo de gala e sem crowd até então. Junto com o primeiro raio de sol, procurei posicionamento pra fazer as fotos da barca, afinal sou pago pra isso.

Arrumei um point na estrada e de lá tive tive uma visão diferente da onda. O tubo era bem maior do que parecia. A ondulação vinha e quebrava a esquerda absurda, então ela entrava na baía e rolava a direita tambem excelente. Mais perto da praia, uma esquerda boa completava o serviço de forma “fun”, boa para longboard.

Uma verdadeira Disneylândia para surfistas, com ondas para todos os gostos no mesmo lugar.

Depois de uma hora e meia de fotos, encosta uma picape e descem quatro locais com cara de mal amados e me encaram sozinho no meio do nada. Eles me “pediram” para guardar o equipamento, o que fiz imediatamente. Só a lente custa US$ 10 mil!

 

Fui encontrar com a galera saindo do mar, fomos pra casa felizes por mais um dia de surf, fotos e camaradagem. Me pediram para não divulgar o nome ou localização do pico.

 

Mesmo os surf guias só falam da esquerda na beira, nenhuma menção à direita e à esquerda no outside. E se depender de mim, o segredo continuará bem guardado.

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)