Quando viajei ao Chile pela primeira vez em 1990 para disputar um campeonato de surf em Punta Lobos, Pichilemu, fui convidado pelos chilenos a esquiar nas montanhas do Valle Nevado.
Foi paixão à primeira vista, ou melhor, ao primeiro drop. Como surfista, foi relativamente fácil descer as montanhas esboçando curvas estilosas. Depois de anos no país como turista, resolvi fazer um curso de instrutor de snowboard para passar uma temporada de quatro meses por lá.
Como instrutor presenciei alguns surfistas nacionais se aventurando pelas montanhas. Inclusive vi os primeiros passos de José Carlos Maiel Rennó, o Zecão, na neve. Hoje o danado é campeão brasileiro master na categoria Slalon Gigante. Valeu Zecão!
Outra boa semana que passei no Chile foi com Romeu Bruno, Dereck Deonner e com o meu padrinho de montanha Jean Robert, precursor do snow na Europa e um dos que introduziram o esporte na América do Sul, além de deter o recorde mundial de velocidade.
Com este time desfrutamos uma semana nas montanhas virgens do Chile. Também trocávamos ideias de como usar o conhecimento do surf para descer as montanhas melhor e como levar esta experiência de volta ao surf.
Esta troca contribuiu muito para a evolução da prática dos boardsports, mesmo que a biomecânica seja bem diferente. O surf e o snow se completam. A meu ver, todo surfista profissional deveria ter esta experiência algumas vezes para o aprimoramento de suas técnicas.
Na semana seguinte fomos à província de Iquique surfar. O Chile é mesmo perfeito para isso. É ali do lado, barato, língua fácil e surf garantido.
O oceano Pacífico e as montanhas da Cordilheira dos Andes estão sempre lá, ou você prefere as marolas e a água quente da Costa Rica?
Saulo Lyra é tow-surfer, bicampeão catarinense de surf profissional, bicampeão brasileiro master de surf e instrutor de snowboard formado pela Federação Internacional de Esqui. Com 20 anos de montanha e 38 passagens pelo Chile, o atleta tem apoio da Oceano, academia do Açaí, Energéticos Black Moon e pranchas Sergio Emilio.







