Zeca Scheffer

Saudades de um big rider

Zeca Scheffer no Brasil Tow-in Pro, Laje de Jaguaruna (SC). Foto: Cristopher Arlington.

Este texto é uma pequena homenagem ao Zeca, em memória ao seu vasto trabalho e à lembrança da sua luminosa pessoa.

 

O dedico em especial, à figura deste grande homem que se encontra eterno onde estiver e à paz de sua família e amigos.

 

Algo que posso falar de Zeca Scheffer com propriedade, é sobre o trabalho que ele vinha desenvolvendo em volta do tow-in.

 

O que sei é o que presenciei e ajudei a por em prática. Por mais que fossemos uma dupla e decidíssemos em conjunto as ações a serem executadas, o Zeca era a liderança dentro de uma hierarquia natural baseada no respeito, na confiança e na amizade.

 

Desde o Elcio da Storm Surf Team e do primeiro jet-sky usado no estado para pegar onda com reboque, dois sonhos que nasceram das idéias dele, já dava pra perceber que em sua mente havia algo muito mais complexo do que apenas pegar onda. Algo que eu mesmo, só vim compreender algum tempo depois através da convivência.

 

Idéias como desenvolver Torres conscientemente através do surf e carregar a bandeira da preservação ecológica e do desenvolvimento sustentável, bem como balizar uma área própria para tow-in na Praia da Itapeva em Torres.

 

Assim como as de surf, pesca e banho também o são, ainda fogem do imaginário de muito tow surfer e já vinham entre seus planos originalmente.

 

Isso impediria a proliferação desordenada do esporte, auxiliaria no treinamento de resgates, não criaria conflitos com o surf na remada ou entidades ambientais, corresponderia em segurança e organização.

 

José Luis de Mattos Scheffer foi fundador e presidente da Associação Gaúcha de Tow-in, criada em 2002.

Eu lembro do Zeca comentando com o Capilé que queria montar essa entidade logo no primeiro dia do curso de tow-in que tivemos com ele e Rodrigo Resende naquele mesmo ano.

 

O Capilé olhou pro Zeca com uma cara de desconfiado e disse: “não seria melhor vocês terem um jet-sky antes??.

 

Atualmente existem duas organizações do esporte no Brasil, a AGT (associação gaúcha de Tow-in), filiada em Torres, em volta da Ilha dos Lobos e a Atowinj (associação de Tow-in de Jaguaruna) em Santa Catarina, em volta da Laje da Jagua.

 

Ambas são de iniciativas do Zeca, em ondas que ele foi o primeiro a desbravar com reboque e com estatuto baseado em suas idéias e intenções.

 

O lado do Zeca tow surfer eu não quero levantar agora, o que eu quero expor é o profissionalismo, o empreendedorismo e a visão humana e ecológica com que ele encarava o tow-in e a idéia de descobrir novos picos de ondas grandes na costa do Atlântico Sul.

 

Para os resgates que efetuava voluntariamente criou uma entidade especial, feita para servir como anjo da guarda dos surfistas na Ilha dos Lobos e da população civil em geral.

 

Seu nome é Jet Patrol e cumpre uma função de patrulha aquática onde os jets são utilizados nas piores situações de mar visando salvar vidas, mesmo de noite na escuridão profunda com ondas de ressaca.

 

Essa espécie de operação com visão ínfima é algo altamente desaconselhável, pelos órgãos responsáveis e realizadas por ele de todo coração, nos momentos cruciais em que a vida do próximo estava realmente por um triz.

 

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Zeca Scheffer, Laje de Jaguaruna (SC). Foto: Thiaguerah.

Em Torres ele detinha uma preocupação especial com a orla relacionada a uma famosa corrente marítima local denominada Marieta. Muitas foram as vezes que ele embarcou por essa correnteza adentro com sua prancha para surfar na Ilha dos Lobos.

 

Cabe salientar que o Zeca surfou lá por meados dos anos 90 até 2002, apenas com sua própria prancha. Sua relação com a Reserva e o Ibama local sempre foi tranqüila, natural de uma pacata cidade litorânea.

 

Quando o conheci, já me descrevia que sempre comunicava o órgão responsável antes de remar por lá para esclarecer quem estava surfando antes que as tiazinhas dos prédios começassem a ligar apontando pessoas em volta da reserva.

 

Esse procedimento rotineiro segundo ele relatava, evitava o deslocamento desnecessário de pessoal e equipamento por parte do Ibama, pois se sabia de antemão que os usuários da área não estavam alheios às regras que por ali vigiam.

 

A principal delas em relação ao surf é a de não subir nas pedras da Ilha, famosa lei expressa que se faz cumprir com o objetivo de não assustar os animais e interferir no seu descanso.

 

A posição bípede humana é sinal de ataque para lobos e leões marinhos, o que os faz correr para seu habitat mais seguro, o mar. Esse alerta constante pode pô-los em situação de estresse e atrapalhar o repouso de sua longa jornada.

 

O lado da segurança humana também era primordial na visão do Zeca. Muitas foram as vezes que treinamos os movimentos de resgate às vítimas conscientes e inconscientes.

 

Ele fazia questão de repetir com austeridade todos os procedimentos da maneira mais real possível.

O Zeca chegou a organizar uma aula de ressuscitação cardio-pulmonar com o pessoal da Cruz Vermelha Internacional, específica para atletas em situações de mar.

 

Seu conhecimento de mecânica náutica envolvendo jet-skys era incrivelmente elevado e foram incontáveis as vezes que ele reparou algum equipamento que sem sua presença teria encerrado a sessão antes mesmo dela começar.

 

Ele estava sempre atento aos inúmeros reparos constantes que um jet-sky, principalmente os modelos mais antigos e acessíveis, como os que utilizava necessitam.

 

Logo no nascimento da equipe, antes mesmo do tow-in ser colocado em pratica realmente nas sessões off-shore de Torres no ano de 2003, ele já vinha buscando uma parceria com mecânicos náuticos a fim de coletar informações e conhecimento a respeito da manutenção e reparo desse tão frágil equipamento, que indiscutivelmente é a mais ágil e eficaz maquina em serviço na zona de arrebentação de ondas.

 

A vontade que o Zeca se empenhava em surfar ondas tão grandes e fortes, que poucos anos atrás eram sequer imagináveis na costa brasileira, e que verdadeiramente pediam a utilização de jet-skys para realização do surf, fez com que todo o esporte nacional colhesse frutos do seu trabalho.

 

Hoje já se fala em Circuito Brasileiro de Tow-in, em colocar o Brasil no mapa das grandes ondas mundiais e em descobrir novas bancadas inimagináveis até pouco tempo atrás.

 

O primeiro campeonato brasileiro do esporte foi realizado seis quilômetros mar adentro, graças à sua obstinação e inteligência e agora a futura Confederação Brasileira de Tow-in Surf receberá como base o estatuto que ele criou para a AGT.

 

O fato de ter crescido surfando as ondas da Ilha dos Lobos na remada, mesmo em dias extremos, dava a ele, propriedade para freqüentar qualquer pico de ondas grandes do planeta.

 

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Zeca Scheffert – Ilha dos Lobos, Torres (RS). Foto: Pedro Weinschenck/Maloca Video.

Não é à toa que as duas maiores ondas do Brasil têm seu nome gravado subliminarmente nos seus tubos. A pessoa do Zeca era uma legítima autoridade quando o assunto era big surf, já que ele detinha o conhecimento empírico dos riscos envolvidos nessas situações baseado nas diversas vezes em que participou de raríssimas movimentações descomunais de água.

 

A que hoje é considerada a mais incrível onda do planeta, chamada Teahupoo no Tahiti, foi a primeira e inevitável comparação que se fez à onda de Torres quando essa veio a publico realmente em 2003, tamanha familiaridade. A relação do Zeca com a Ilha dos Lobos, muito faz lembrar a de Jeff Clark com Mavericks, na Califórnia.

 

O dia em que desbravou de tow-in na Laje da Jagua foi algo realmente mágico. Ele, Rodrigo Resende, e Dê da Barra vinham de Florianópolis diretamente em direção a Ilha dos Lobos quando o reboque que carregava o jet-sky teve um dos rolamentos da roda estourada em movimento.

 

Após efetivar o conserto e constatar que o tempo perdido tornava inviável a chegada em Torres antes da noite cair, ele se convenceu que aquele tinha sido um aviso de Deus e que a tal laje que se encontrava ali perto, famosa por nunca ter sido descoberta pelos surfistas e que hoje é conhecida como Laje da Jagua, poderia ser surfada pela primeira vez com reboque e ter seu potencial revelado.

 

Saindo da orla com seu jet-sky e o parceiro Rodrigo Resende, já com o sol se pondo atrás das montanhas da serra, sem saber a localização correta da bancada que se encontrava 6 km mar adentro, eles ainda tiveram tempo de surfar três ondas cada um.

 

Zeca teve a honra de ser o primeiro a fazer tow-in no pico e Resende, apos pegar um tubo enorme, logo comparou a Laje da Jagua com Back Door, no Hawaii.

 

Ao retornarem, na quase escuridão total, se valeram dos faróis do carro que piscavam na praia indicando a localização do porto seguro que os aguardava. Ao chegarem em terra, concluíram ter descoberto o que chamaram de a direita da Ilha dos Lobos.

 

As duas maiores reuniões de tow surfers no Brasil foram à volta da sua pessoa, na Ilha dos Lobos em 2003 e na Laje da Jagua em 2006. O real tow-in praticado nos pais, em bancadas off-shore com ondas oceânicas, será para sempre a continuidade do seu trabalho.

 

Explorar lajes, desbravar novos picos em dias de swell extremo, o que os pescadores chamam de ressaca e os surfistas de storm. Achar as ondas perfeitas perdidas pela costa justamente nos dias que todas as praias estão com tamanho acima do permitido e colocar o Brasil no mapa mundial das ondas grandes.

 

Catalogar e surfar as bancadas que seguram as maiores ondulações, fundos de pedra, montanhas submersas, picos desconhecidos. Esse era seu foco principal, organizar o esporte era a forma de alcançar esse objetivo mais rapidamente.

 

No verão de 2005, em Torres, a Jet Patrol trabalhou em conjunto com a Brigada Militar na operação Golfinho. Foi a introdução do jet-sky em salvamentos no estado e o resultado foi perfeito, já que nenhuma morte foi registrada por afogamento durante a empreitada.

 

Atualmente o Zeca estava fazendo aulas de inglês para ir à Califórnia treinar com Shawn Aladio, a maior autoridade em resgates aquáticos com uso de jet-skys do planeta. Ele tinha a intenção de implantar o uso dessas máquinas nas principais praias do Rio Grande do Sul e diminuir o numero de afogamentos na temporada de verão gaúcha.

 

Quando havia uma onda nova, prestes a ser descoberta ele ia ao encontro do pessoal local para expor suas intenções e fazia questão de levar os nativos (que se encorajavam) nas barcas para não os deixarem de fora do seu próprio pico. Usando técnicas de busca que ele mesmo maquinava, já tinha descoberto mais de cinqüenta lajes catalogadas no Sul do Brasil, visando as grandes ondulações.

 

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Zeca Scheffer, Laje do Jagua (SC). Foto: Formiga / XTreme TV.

Uma de suas principais intenções atualmente era uma busca que estava sendo organizada em conjunto com a aeronáutica e estudada com bons olhos por autoridades competentes para fazer-se uma confirmação fotográfica off-shore de uma montanha marítima, mãe da possível Jaws brasileira.

 

A Furgs, de Rio Grande, também já havia sido contatada para realização de pesquisas visando a veracidade de real situação em águas nacionais.

 

No maior swell já registrado nas bóias oceanográficas do país, em 14 de Novembro de 2004, a Storm Surf Team estava na água o dia inteiro e com um jet-sky reserva na areia caso necessitasse de uma troca. Especularam-se séries de 18 a20 pés no beach break do Cardoso, Farol de Santa Marta/SC.

 

Quanto à preocupação ecológica referente ao jet-sky, o Zeca era um cara extremamente consciente e prudente. Quando muitos condenavam o uso dessa máquina em meio aos animais marinhos da Ilha dos Lobos ele abraçou a dúvida e retirou seu equipamento de perto até ter a confirmação necessária.

 

Logo de inicio enviou um aviso a todos tow surfers do país para fazerem o mesmo. O respeito que desperta em seus pares fez com que até hoje nenhum caso de violação referente ao esporte fosse registrado no local que ele tanto amava.

 

Em 2003, quando a Storm Surf Team foi atacada publicamente em meio ao surf na Ilha dos Lobos, José Luis de Matos Scheffer teve o bom senso de aguardar respostas e buscar uma solução ecologicamente correta para o caso.

 

Zeca Scheffer foi o representante local do surf na Assembléia Publica de Recategorização da Ilha dos Lobos, ocorrida em 2005 e em todas demais relações envolvendo o assunto e as entidades competentes.

 

Seu nome é a linha de frente no processo de liberação ordenada do esporte no local e seu vasto trabalho, serve como essencial ferramenta de consulta a qualquer um que deseje efetuar uma abordagem seria e coerente envolvendo o assunto, principalmente quando se diz respeito à futura feitura do Plano de Manejo que esta por ocorrer.

 

Enquanto os críticos apenas falavam e nada faziam, Zeca foi atrás de um estudo de impacto ambiental referente ao uso dos jets e ajudou a concluí-lo, algo que ocorreu nesse último ano de 2006.

 

A pesquisa foi feita pelo oceanógrafo João André de Mendonça Furtado, em parceria com a UNIVALI de Itajaí (SC) e sobre a supervisão do Ibama de Torres.

 

O resultado foi o que já se esperava. Ficou comprovado que o impacto gerado pelo tow-in no Refúgio da Vida Silvestre da Ilha dos Lobos é irrelevante para a vida marinha local, o que não foi grande surpresa no meio especializado.

 

Muitas foram as vezes que os surfistas de Torres se dirigiram às furnas, cavernas rochosas localizadas entre os morros e o mar, para retirar voluntariamente o lixo que ali se depositava em ações conjuntas promovida pela AST.

 

Como presidente da AST, Associação dos Surfistas de Torres, por dez anos que foi, esta era apenas uma de suas iniciativas positivas perante a comunidade, pois a Jet Patrol, que desempenhava também uma função ecológica no município, se prontificou a repetir a ação valendo-se do jet-sky como forma de agilizar o processo e acrescentar segurança aos desportistas.

 

O resultado foi surpreendente e dez sacos de cinqüenta litros contendo detritos indesejáveis ao meio ambiente, foram recolhidos em algumas horas de trabalho. A limpeza das furnas pelos tow surfers chamou a atenção da mídia gaúcha e virou matéria do Programa Patrola da RBS TV.

 

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Homenagem a Zeca Scheffer, Ilha dos Lobos (RS). Foto: Gildo Bueno.

Muitos foram os documentos contendo estudos e pesquisas que a AGT, através da pessoa do Zeca, protocolou no Ibama ao longo desse período visando esclarecer o real uso do surf com reboque.

 

Ele buscava demonstrar o quanto o esporte poderia ser útil tanto para o meio ambiente, quanto para a situação social do município de Torres, e isto desde as primeiras sessões feitas em 2003, ou seja, algo que não nasceu de uma situação adversa e sim já vinha impregnado na sua consciência desde o inicio.

 

Ele gostava de repetir que um surfista que realmente tem água salgada correndo nas veias, não pode ignorar o mar e os seres que convivem com ele.

 

Em Torres, o Zeca colocou a Jet Patrol a serviço do Corpo de Bombeiros, disponibilizando os jets para possíveis resgates ao longo de todo o ano. Ele também tinha se prontificado junto a Associação Local de Pescadores para colaborar com esta em situações adversas, visando o auxilio dos homens do mar.

 

Quanto ao Ibama, Zeca visava colaborar com o seu trabalho através da Jet Patrol, colocando seus serviços à disposição do mesmo e contribuindo com o trabalho do órgão federal em possíveis situações envolvendo busca de animais ou o que fosse necessário.

 

Quando na Laje da Jagua começou a se especular um possível incômodo, por parte dos jets às Baleias Francas, nas épocas que elas vinham às nossas águas, o Zeca convocou através da Atowinj, Associação local de tow-in que ajudou a criar, uma reunião com as entidades ecológicas responsáveis e com a prefeitura local para expor suas boas intenções, esclarecer possíveis dúvidas e se disponibilizar a ajudar no que fosse possível.

 

Essa forma clara, aberta e honesta com que gostava de trabalhar era o carro-chefe de suas ações, baseadas em um pensamento que expressava com freqüência, no qual dizia que não gostava de passar por cima do trabalho dos outros.

 

E o primeiro campeonato brasileiro de tow-in foi feito ali, pelas suas mãos em 2006, no melhor estilo Zeca Scheffer de ser.

 

Sua vida e sua história, seu caráter e seu heroísmo, estarão para sempre em nossos corações como um exemplo a ser seguido.

 

Mais uma vez, obrigado!

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    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.