Sandro Neto deixa a terra dos cangurus

Encontramos um gaúcho pra lá de contente por aqui nas Northens Beaches. O motivo de
tanta felicidade é que agora é um homem casado e de malas prontas para desembarcar no próximo dia 6 de março no Brasil. 

 

No último dia 14 de fevereiro ele celebrou a sagrada união do casamento. Foi uma cerimônia só para alguns poucos amigos brasileiros e familiares da esposa australiana.

 

O nome, Sandro Neto, um “guri” de Capão da Canoa que, pelas contas, só de surf  já
tem 18 anos. Ele diz ter começado a surfar aos 13 anos com uma prancha de isopôr Guarujá.

 

Quem não se lembra? Um cara que é pentacampeão amador gaúcho e em 96 chegou até ficar em 9º no ranking do WQS, mas as etapas seguintes foram na Califórnia e Austrália.

 

“Como eu estava sem patrocínio, não consegui acompanhar as etapas”, lamenta Sandro. Triste é que isso ainda ocorre com muitos atletas brasileiros, não só no surf, mas também em outros esportes.

 

A falta de patrocínio, ondas de qualidade em points e reefs breaks continuam tornando a vida de surfistas brasileiros uma situação menos privilegiada no circuito mundial.

 

Em 90, com o apoio do amigo e técnico Luiz Antônio Longo, arriscou uma temporada de nove meses na Califórnia. “Meu surf evoluiu muito nesse período. Na semana em que voltei para o Brasil já cheguei ganhando um campeonato. Eu tava surfando muito e ainda tinha uma prancha que andava sozinha, ela era mágica”, diz Neto.

Durante um bate-papo com Sandro Neto, o gaúcho nos conta como a australiana Hanna surgiu em sua vida e como foi a sua estadia em um dos países mais surf do globo terrestre.

 

 

O que fez você largar tudo no Brasil e viajar para o outro lado do mundo ?

 

Em 2003 eu estava no Brasil sem patrocínio. Cinco vezes campeão gaúcho e ainda aparece gente dizendo “Sandro Neto está no final da carreira”. Já estava difícil correr os campeonatos, acabei decidindo viajar para pegar ondas boas. Vendi meu carro e aí foi isso.

 

 Por ter morado fora do Brasil por um tempo, você tinha mais familiaridade com o idioma inglês? Como foi a sua chegada por aqui?

 

Estou aqui na Austrália há um ano e sete meses. No começo cheguei trabalhando na obra, meu inglês não estava muito bom e o que tinha aprendido na Califórnia eu já tinha esquecido. Logo que fiz a grana suficiente para uma trip, embarquei para Bali.

 

Peguei as ondas da vida em G-Land, uns 7 pés, alucinante. A Indonésia é astral. Quando voltei para Sydney, trabalhei mais um mês e fui viajar de novo, mas agora por aqui, na Gold Coast. Surfei Snapper Rocks, que onda irada!

 

 

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Agora fale um pouco de como você conheceu sua esposa, Hanna. A diferença cultural, língua, costumes, isso deixa o relacionamento mais dificil para você?

Conheci a Hanna em uma surf shop, quando eu mudei para a praia de Collaroy fui comprar uma bermuda e ela trabalhava lá. Sabe como é, não rolou nada, mas acabei conhecendo-a. Numa tarde, depois do tabalho, fui num “pub” com um amigo tomar uma cerveja, aí ela e uma amiga estavam lá.

 

Fiz o convite para elas sentarem conosco, e aí começou. Já na primeira semana nos víamos quase todos os dias. Por ela também surfar, passamos a ficar mais tempo juntos. A diferença existe, são culturas bem diferentes. Às vezes aqui “você enxerga, mas não escuta”, custumo dizer.

 

Como rolou o lance do casamento?

 

Ela é uma mina batalhadora, super alto astral, curte surf também. Pedi sua mão em casamento, disse que ela poderia responder quando quisesse. Dois dias depois
ela disse sim.

 

Escutei uma entrevista que você concedeu ao programa da SBS (emissora de rádio) alguns dias após ter faturado o campeonato na praia de Manly, em julho. Se não me engano, um campeonato em homenagem à cultura aborígenes. Como foi essa vitória pra você? Você chegou a competir em algum outro evento por aqui ?
 

Esse foi o único campeonato que disputei aqui. Estava muito frio, o vento sul pegando. As baterias começaram no North Steyne, mas o mar ficou muito storm, a galera passando um terror. Os organizadores resolveram mudar para o South Steyne, que é mais protegido. Entrava no canalzinho, só quatro na água, aí vinha a série, altas ondas.

 

Passei a primeira bateria, fui para a semi e consegui me classificar para tentar um primeiro lugar. Na final, eu e mais três australianos, irado. Peguei a primeira onda, um esquerdão que abriu perfeito. Dei três cacetadas fortes e na quarta manobra dei uma batida virando um 360º. A galera vibrou na areia, aí dei um ollie virando 360º de novo na espuma. (A esposa, com o dicionário inglês-português na mão entende que estamos falando do campeonato e diz “was classic” (foi clássico).

 

E agora, indo para o Brasil, quais são os seus planos? Vai chegar competindo?

Acho que aqui na Austrália meu surf está mais forte, mais power, porque trabalhar na obra é como uma malhação. Minhas manobras, acredito, estão mais bonitas, com mais qualidade. Meus 32 anos deixaram meu surf mais maduro. Quero chegar ao Brasil, ver como anda o circuito, o nível dos atletas e, se tudo der certo, voltar a competir. Porém, para isso preciso da ajuda dos empresários brasileiros. Não tenho tempo definido para ficar no Brasil, no mínimo um ano. Quero surfar muito por lá, e se tiver oportunidade quero dropar a Ilha dos Lobos.

 

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