Dia destes, olhando um surf guia do Peru, onde por sinal foi meu primeiro surfari fora do Brasil, em 1984, deparei-me com uma foto de uma direita maravilhosa e o seguinte comentário: considerada a melhor direita do país!
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Eu já sabia onde era, e correndo os olhos pela página vi escrito em letras maiúsculas e em negrito: SAN GALLÁN.
O Peru é realmente um país fantástico para surfar e com uma cultura incrível. Vejamos os incas e tudo o que eles construíram! Continuo achando que uma ida aqui ?ao lado?, atravessando a cordilheira dos andes, é uma excelente opção de viagem, com talvez um dos melhores custo / benefício para nós brasileiros.
Em outubro de 1994, voltei às águas do Pacífico com Vicente Neto e João ?Capilé?. Porém, antes de embarcar liguei para o Taiu perguntando detalhes de uma onda que ele havia surfado algum tempo antes na costa Sul do Peru. O nome: San Gallán, uma ilha dentro de uma reserva em Puerto Paracas.
Anotei as dicas e deixamos o mar subir um pouco em Punta Hermosa para ir até lá. Chegamos num fim de tarde em Paracas e logo vimos nossa embarcação até San Gallán. Optamos por um barco pequeno por questões de custo, estando apenas em três pessoas.
Mas o melhor estava por vir. Dormimos ansiosos por encontrar ondas perfeitas e solitárias. Elas estavam lá, pois tão logo saímos da zona de proteção da península, as ondas marchavam em linhas simétricas.
O visual era de tirar o fôlego, pela própria geografia desértica do local, associada a cores tons pastéis e uma cena impressionante se descortinando bem defronte aos nossos olhos: as famosas linhas de Nazca, ali representadas por um gigantesco candelabro.
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Naquela imensidão, pudemos sentir a presença do Criador em toda a sua perfeição. O barulho do motor esteve embalando nossos pensamentos por mais de três horas, quando começamos a avistar o motivo de nossa busca.
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Então, uma série de três ondas quebrou sozinha e ali soubemos que havíamos sido agraciados com o que de melhor existe no surf: ondas perfeitas numa ilha, amigos e uma natureza entocada pelas mãos do homem.
Nunca havia visto tantos lobos-marinhos juntos e nunca surfado tão próximo deles. Uma enorme loberia (de lobos-marinhos), a apenas algumas dezenas de metros, abrigava centenas deles.
O odor e o barulho eram muito fortes, porém, graciosos, se movimentavam com muita leveza pelas águas.
Nosso pequeno barco ancorou e as ondas continuaram a quebrar por horas, sozinhas. Um mar de 1 metro e meio pra lá de perfeito. Do barco, a visão era de sonho!!!! Ficamos sabendo inclusive de alguns brasileiros que já haviam acampado naquela ilha.
Considero esse local um dos mais lindos e inóspitos em que já estive surfando e fotografando. Um lugar que sugiro a todo surfista-viajante-aventureiro que seja ávido pelo real sentido do surf.
Guardo até hoje em minha memória as ondas na companhia desses grandes brothers e, principalmente, na presença do Criador e de sua maravilhosa criação.
Fica aqui minha sugestão para uma próxima viagem na certeza de que, independente das ondas, encontrarão nossos hermanos latino-americanos com sua cultura milenar e uma natureza em sua forma mais pura.
P.S. ? Com apenas alguns clicks no Google e Google Earth, a viagem já começa em casa mesmo.
Hasta la vista!


