Hawaii alternativo

Samia encara o lado B

Saudades e o gostinho de quero mais sempre ficam depois de passar um ano no paraíso das ondas, o Hawaii.

A minha primeira temporada havaiana foi um pouco diferente da maioria dos brasileiros que costumam embarcar nessa. Viajei para me voluntariar na fundação Surfing The Nations (STN), em Honolulu, onde trabalhava muito, tendo apenas parte do fim de semana livre.

Morava a uma hora do North Shore, longe dos picos da temporada, sem carro e sem poder levar a prancha em ônibus. Nesse tempo, conheci um Hawaii longe das câmeras.

Eu e a STN fazíamos distribuição de dois caminhões de comida por semana, que alimentavam cerca de 350 famílias. Trabalho de recuperação de dependentes químicos e moradores de rua também faziam parte do projeto.

Conheci a grande miscelânea de raças, culturas e acentuações para a língua inglesa. O Oeste era a área pobre do Hawaii, onde dezenas de famílias vivem em barracas nas praias. Surfei também em muitos picos diferentes que não imaginava existir.

Depois de comprar uma motoneta, me sentia local nos picos do lado Sul de Oahu, como Kewalos e Alamoana. Curti as ondas de verão, me familiarizei com os fundos rasos de recifes (que me deixaram com muitas cicatrizes) e fiz muitas amizades com as famílias surfistas havaianas. Vovôs, vovós e netos se divertem surfando juntos.

Depois de voltar da Indonésia, visitei outras ilhas do arquipélago havaiano. No Kauai, tive o privilégio de observar a paisagem mais linda de toda a minha vida. Na Big Island, os vulcões em erupção de um lado, contrastando com neve em cima da montanha do outro.

Quando a segunda temporada de inverno chegou, foi a hora de me mudar para o North Shore. Parecia sonho poder acordar, dar um check-out nos picos e cair na água bem cedinho. Se o mar estivesse flat, fazer um cooper de V-land até Pipeline, pedalar ou carregar pedras no fundo do mar de Waimea eram preparo físico para o próximo swell.

A loucura na procura de lugar para morar e dinheiro para todas as despesas fazem parte. Depois de ter convivido somente com estrangeiros, no North Shore, às vezes parecia estar no Brasil.

Sempre rodeada por brasileiros no mar e em terra seca. No mercado Food Land, era impossível não encontrar um brasileiro sequer ou algum surfista entre os top 45 do mundo. A galera da Igreja Evangélica Brasileira do Hawaii se tornou minha família.

À noite, em vez de curtir as baladas e festas, preferia estar nos estudos bíblicos e nos cultos da igreja. Eram noites na paz, que revigorava a energia para, no dia seguinte, acordar cedo e fazer um bom surf, no pico que já ficava combinado entre a galera.

Falando em picos, meus desafios se tornaram maiores e a coragem teve que aparecer. Nunca havia surfado com tantas garotas na água, e isso me animava para enfrentar mares que nunca imaginei surfar na minha vida.

Sunset se tornou minha paixão. Demorou um pouquinho para perder o medo, mas foi lá onde consegui pegar minhas maiores ondas. Com certeza o Hawaii é inesquecível. Nas boas lembranças, nunca esqueço que o meu Deus foi poderoso para fazer muito mais do que eu pedi ou pensei, o que me encoraja a programar as minhas próximas viagens.

Aloha com Jesus e muito surf!  

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