
Na última segunda-feira o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) abriu suas portas para a exibição da produção 100% nacional “Sambatrance & rock’n roll”, do videomaker carioca Rafael Mellin.
Foram realizadas duas sessões e o mercado marcou presença em peso para conferir a produção.
As estrelas principais são os atletas Danylo Grillo, Marcondes Rocha e Bernardo Pigmeu.
Mellin passou um ano viajando com os eles para picos internacionais como Indonésia, Hawaii e México, além de explorarem o litoral brasileiro
de norte a

sul, incluindo o arquipélago de Fernando de Noronha.
A produção reúne os melhores melhores momentos desta supertrip, destacando as particularidades de cada atleta e enfatizando o perfil e testemunhos dos três camaradas, além de contar também com imagens de competições.
“Sambatrance e rock’n roll” também exibe performances de Sylvio Mancusi em Jaws, bombando com mais de 50 pés; Fábio Gouveia, desfilando seu estilo principalmente em Sunset, bem como os talentos da nova geração da equipe: Eric de Souza e Júnior Faria.

Pioneira no gênero, a iniciativa de produzir o filme partiu de Álfio Lagnado, proprietário da Hang Loose, que pretendia destacar os atletas mais jovens de sua equipe.
“Fazia tempo que queríamos fazer este projeto, principalmente porque nossa equipe está sempre viajando, colhendo imagens para lá e para cá. Mas, eu queria realizar primeiro o filme do Fabinho (Gouveia), que está sendo lançado também. Aí, conhecemos o Mellin, sempre tivemos um bom relacionamento com ele e decidimos que era a hora de lançar este projeto”.
“O filme está demais. Espero que todos gostem. Estou muito contente por ser o pioneiro mais

uma vez. Acho que vai contribuir muito para desenvolver o surf brasileiro. Os méritos são todos do Mellin, demos todo o suporte, mas ele foi o reponsável por tudo o que está aí”, enfatiza Lagnado.
O DVD já pode ser encontrado nas melhores surf shops e tem preço médio de R$ 49.
Confira abaixo a entrevista com Rafael Mellin, 25, realizada antes da exibição de “Sambatrance & rock’n roll” no MIS, em que ele fala sobre o filme e conta um pouco de sua trajetória neste mercado.
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Como surgiu a idéia de produzir “Sambatrance & Rock’n roll”?
A idéia partiu do Álfio Lagnado. Este é o primeiro vídeo de surf da equipe, em 20 anos de Hang Loose. Eu me candidatei para fazer porque gosto muito do time, dos atletas.
De cara, o Álfio pediu e eu achei muito legal que concentrasse o filme na parte mais jovem da equipe, pois a Hang Loose durante anos ficou muito focada no Fabinho e no Teco. Então, resolvemos basear o filme no Grillo, no Pigmeu e no Marcondes.
E o nome e o roteiro?

O roteiro surgiu conforme fomos gravando. Convivendo com eles, notei que cada um tem uma personalidade distinta, um surf diferente e também gostam de estilos de música diferentes. Daí, tirei o gancho para o título e o roteiro. Samba é o Pig, Grillo é o trance, e Marcondes o rock’n roll.
A idéia do nome foi minha e surgiu voltando de carro de G-Land, com o Pig e o Grillo no carro. O Grillo sacaneava muito o Pigmeu porque ele escutava pagode, enquanto o Grillo só ouvia trance. Aí, pensei, cada um é uma coisa.
O que a galera vai conferir nesta produção?
O filme conta a história deste três sujeitos juntos

e reúne cenas desde 97, são oito anos na mesma equipe, o que resulta em um time forte pra caramba.
É um ano na vida desses caras, a quantidade de ondas boas, de campeonatos que eles disputaram. Está tudo registrado no filme.
Como está sua expectativa para o lançamento?
Estou muito feliz só por ele estar sendo lançado. O Brasil é um mercado tão difícil que para mim é uma realização estar em um lugar desses. O MIS é um lugar realmente propício para fazer uma exibição, não é aquela coisa: um telão, em

um boteco e a galera.
Todas estas pessoas vendo meu trabalho,
independente do que elas acharem, para mim já é uma realização. Em Floripa, algumas pessoas saíram falando que era um dos melhores já vistos. Meu trabalho já está pago aí.
Quais são suas principais influências em filmes de surf?
Para todos os vídeos que faço são principalmente Jack MacCoy, que acredito ter a fotografia mais linda do mundo. Além de Taylor Steele, que é a minha escola de surf, o grande responsável pelos vídeos modernos.

Mas, mais que isso, são meus amigos aqui do Brasil, que me ajudaram muito a enxergar as
coisas de uma forma diferente, como o Júlio Adler, Pepê Cezar, e o Kadu, que tem um produtora aqui em São Paulo.
São caras que têm um olhar diferente do esporte, enxergam a coisa com nosso olhar de brasileiro. Cada um foi me dando um toquezinho e ajudando a lapidar o meu trabalho.
Como você começou a atuar como videomaker?
Comecei em 97, filmando a mim e meus amigos. Gostávamos de nos ver surfando e usava uma câmera caseira, pois antes de

videomaker eu sou um surfista fissurado. Aí, começamos a gravar uns caras bons, como o Léo Neves, o Trekinho, que são do Rio. Quando olhamos, depois de um ano tinha um arquivo com muitas imagens legais.
Resolvermos juntar tudo e fizemos um filme com dois vídeos cassetes, sem recurso algum e bem tosco. A galera gostou e resolvi fazer outro.
Aí, embalei, comprei uma câmera melhor e com 18, 19 anos, comecei a trabalhar em uma produtora de TV. Com isso adquiri o know-how que precisava. Juntei mais dinheiro para comprar equipamento e montei minha produtora.
Quantos filmes você já lançou?
Este é meu décimo terceiro filme. A primeira marca de surf com que comecei a trabalhar foi a Rip Curl. Fiz seis produções para eles. Depois lancei o Lombrô, uma série com três filmes, com o último lançado no ano passado. Também tem o do Everaldo “Pato” Teixeira, primeiro perfil feito por mim. E agora este é o primeiro da Hang Loose e espero que abra portas para muitos outros.
Como você vê atualmente o mercado nacional de vídeos de surf?
Vejo com muito otimismo. Ainda está longe comparado ao mercado internacional, onde
eles criam ídolos. Porém, cada vez mais marcas estão produzindo, e mais pessoas consumindo. Acredito que num prazo de cinco anos estará em um bom patamar. Estamos no meio do caminho. Se todas as marcas que tiverem vontade, realmente fizerem, aí sim chegaremos no ponto ideal.
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