
Há cinco anos me mudei para São Paulo (SP) para trabalhar na Fico, umas das marcas que me patrocinava.
Clique aqui para ver as fotos
Na minha rotina de competidor as viagens eram constantes, me acostumei com o Circuito Brasileiro de Longboard e as etapas do WLT (World Longboard Tour). Mas, ao assumir uma posição dentro de uma empresa, a coisa mudou.
Hoje consigo somente competir em algumas etapas dentro do Brasil e viajar naquele espaço de tempo, as festas de final de ano. Foi justamente neste período que planejei a minha viagem. Com o tempo restrito precisava aproveitar ao máximo para surfar.
Galápagos era uma das opções, não é o destino mais barato, em comparação ao Peru, por exemplo. Mas a exuberante natureza também era um atrativo, ainda mais para quem leva uma namorada.
Já tinha ouvido falar na inconsistência do pico, e isso era preocupante. Como todo viajante do mundo atual, dei aquela pesquisada nas ondas pela internet e não vi nada acima de 2 metros. Bom, vamos lá, lugar bonito com umas ondas divertidas. Arrisquei!
Eu e minha namorada Mariana saímos do Rio de Janeiro, onde minha família mora e embarcamos em um voo que fazia escala no Peru. No aeroporto Tom Jobim encontrei Dadá Figueiredo em sua primeira trip para o Peru. Com ele, estavam o seu filho Dádio e alunos de sua escola de surf, localizada na Barra da Tijuca (RJ).
Fizemos aquela confraternização com fotos para a recordação e dei umas dicas preciosas que, depois fiquei sabendo, foram muito úteis para que eles surfassem picos alternativos sem crowd. Afinal, já tive mais de sete temporadas no Peru.
De lá, seguimos para Guayaquil, para um pernoite antes de Galápagos. Foi muito bom para dar uma descansada depois de uma noite mal dormida, antes de embarcar de madrugada lá no Rio.
Depois de uma hora e meia de voo, chegamos a San Cristóbal, a ilha do surf no arquipélago. Já naquela fissura de surfar, colocamos as coisas no hotel e fomos em busca das ondas. A ilha é pequena e existem poucas opções de picos. A galera que já estava hospedada lá falou-me que não tinha swell no pico principal, então peguei um táxi (dois dólares) até Loberia, um pico de direitas e esquerdas.
Lá as condições não eram das melhores, apesar de algumas séries atingirem 1,5 metros, o vento maral era muito forte. Logo de cara fiquei preocupado com a quantidade de lobos marinhos, são muitos, na areia e no mar. Mas, como a área é banhada pela Corrente de Humboldt, peixes é que não faltam para esses animais.
No dia seguinte o mar deu uma reagida e pude ver La Carola, a direita mais famosa de Galápagos quebrando. Dos dez dias que fiquei por lá, quatro apresentaram boas condições de surf. Não vi o tal de Tongo Reef funcionando, mas El Canyon foi a melhor opção e quebrou com maior constância.
Ela é uma esquerda bem manobrável e às vezes roda um tubo no inside. Os fatores desfavoráveis eram entrar e sair do mar, muita pedra vulcânica. Elas são bem pontudas e afiadas. Botinha é uma opção, para quem gosta. Nos dias de flat, valeu apena explorar a Ilha de San Cristóbal e conhecer as famosas tartarugas gigantes, o vulcão El Hunco e mergulhar com os tubarões.
Darwin tinha razão. Galápagos é um lugar único, o contato com suas ondas ou com sua natureza exuberante, faz qualquer pessoa evoluir.
Agradecimentos especiais para Marcio Belleti e Maria Fernanda Palmieri pelas fotos incríveis, para Manolo guia do Scuba Diving de San Cristóbal e para Lucas Proudfoot pela trilha sonora do vídeo.