E aí leitores ruidosos! Esta semana trago novidades? Aí vai a primeira de muitas que virão! Vocês irão perceber que no final de cada resenha um novo campo de informações foi adicionado. Para aqueles leitores mais curiosos, com vontade de conhecer mais, trago dicas: ?Se você gostou desse, ouça também…?.

É na verdade uma lista de artistas ou bandas com similaridades sonoras. Ou seja, artistas ou bandas que possuam alguma relação musical com a resenha apresentada para que vocês possam ouvir mais, conhecer mais e buscar mais.

Aguardem mais novidades em breve! E continuem prestigiando a coluna Ruídos Alternativos!

Promoção Relâmpago Salako!

Esta semana a Promoção Relâmpago traz para vocês o lançamento mais recente da banda escocesa Salako. Leia a resenha de ?Musicality? logo abaixo para participar de mais esta promoção semanal. Quer ganhar este disquinho? Basta responder a seguinte pergunta: ?Qual é a cidade natal do Salako??

#Você já sabe? a dica está logo abaixo na resenha do disco ?Musicality?.

Corra! Apenas cinco sortudos (as) levarão os discos do Salako! Não percam as Promoções Relâmpago que faremos ao longo do ano. Boa sorte!

Agradecimentos ? Trama Music.

Ganhadores da Promoção Bad Religion:

Norberto Idiart Ritter (RS)
Rafael da Cunha Nahid (RJ)
Rubens Sandro da Silva (SC)
Érico Fernando Romano Padrão (SP)
Fábio Piucco (RS)


THE DISTILLERS | Sing Sing Death House

P – O – R – R – A – D – A – R – I – A!! Primeiro aumente o som. Depois se prepare: ?It?s only Rock?N?Roll but ?we? like it?! São doze pedradas sem tamanho, daquelas estilosas, com remorso, muita fúria e dor! Contrário à ideologia inicial, o punk acabou ocupando lugar de destaque na mídia, isto já há bastante tempo. Passou de movimento revolucionário à ?cool stuff? nas vozes de bandas fajutérrimas como Green Day e Offspring. Realmente uma pena, porque grandes nomes acabaram sofrendo com o rótulo e perdendo notoriedade no meio.

As verdadeiras pedradas, a verdadeira sonoridade ficou represada, porém bastante viva e com muitos expoentes de gabarito. Casos isolados puderam berrar aos ventos canções matadoras. Começando lá de trás com Ramones, Cramps, Sex Pistols, Circle Jerks, Exploited, New York Dolls, Buzzcocks e muitos outros! Mais recentemente, Rancid, U.S. Bombs, Social Distorcion, Sick Of It All, Bad Religion, NOFX e Pennywise. Os últimos, pelo material lançado recentemente, parecem que perderam seu status de ruidosos, para assumirem seu lugar no mundo pop. Se venderam ao sistema que tanto atacaram.

Com a volta do band-leader Brett Gurewitz para o Bad Religion, talvez a coisa volte a ficar boa para os mortais aqui deste lado. Dê uma ouvidela no novo som dos caras, ?The Process Of Belief?, que tenta atingir uma sensível melhora, mas passa longe dos bons tempos passados. Bom! Vamos ao que interessa. A gravadora Epitaph é sinônimo de punk na América do Norte e Brett é o nome por trás da empreitada, isso todos já sabem? O que não podem deixar de ver e ouvir é o que trago aqui. Tentem inverter de maneira radical tudo que falei acima.

Segundo álbum destes maníacos sonoros, ?Sing Sing Death House?, faz com que o som do Green Day soe como canções de ninar. Performance ao vivo matadora! Esmagador, gutural, The Distillers arrebenta como um míssel direto na fronte de nossas cabeças. Sem babaquices e cafonices. Retoma tudo aquilo que queríamos ouvir, é puro e forte como o bom e velho Jack Daniel?s, rasgado e potente, não deixa nada em pé. Profundamente nervoso, nem pensa em deixar barato e solta o intestino de tanta força vocal e instrumental? Quem tem coragem de experimentar um pouquinho? Que tal começar por ?Sick of It All?, passar por ?Sing Sing Death House?, ?Bullet & The Bullseye? e se acabar em ?Hate Me?.

Vocês vão me perguntar: o que Brett Gurewitz tem a ver com tudo isso? Bom, ele, a banda e Donnel Cameron produziram esta preciosidade. Para dizer a verdade, com certeza ?Sing Sing Death House? quebrou os clichês e se impôs com extrema autoridade no cenário ordinário instalado. Completamente lesado, um australiano de apenas 22 anos, Brody Armstrong, destrói nos vocais e guitarras, somando pressão Casper também nas guitarras e vocais, além de Andy Outbreak na bateria e Ryan no baixo. Ouça também momentos de vocais femininos maravilhosos. Girl Rules! Diversão garantida sem a menor sombra de dúvida. Lanço o desafio para quem curte o bom e velho punk? ouse não gostar deste disquinho! Muito foda!

Clique aqui e ouça a faixa ?Bullet & The Bullseye?.

Se você gostou do THE DISTILLERS, ouça também ? The Plasmatics, The Circle Jerks, U.S. Bombs, Rocket from the Crypt, Tiger Army, F-Minus e Lars Frederiksen And The Bastards.


JIMMY EAT WORLD | Bleed American

Sou da opinião que não adianta trazer só radicalidades, exageros e extremos. Que tal uma parcela de amenidades? Vocês vão questionar a desacelerada repentina, mas vamos deixar baixar a poeira, servindo de preparação para a próxima porradaria. Para quem não gostou da pedrada maravilhosa do Distillers aí em cima, tenho um pouco das sensações calmantes de Jimmy Eat World. Fazem um sonzinho bem maneiro, misturando pitadas pesadas de Helmet com levadonas bem pop nos moldes do Weezer. Para dizer a verdade, sabe quando as garotas dizem: ?Ele é simpático, nem feio, nem bonito!?. Isto é Jimmy Eat World.

Mas, ?Bleed American? vale o destaque por algumas boas canções perdidas em meio ao mais recente álbum. A baladona ?Hear You Me? é uma delas, ?Get It Faster? tem bons riffs de guitarra, além da abertura bem pop de ?Bleed American?. Gosto também de ?A Praise Chorus?, bem grudenta e ótima para cantar junto. Por falar nisto, o encarte é caprichado, cheio de fotos bem legais, letras das músicas e uma capa um tanto instigante. Irônica sem perder a legitimidade, mostra uma montanha de troféus de boliche em cima de uma máquina de cigarros, com o nome da banda junto ao título do álbum, ?Bleed American?. Cada louco com sua mania e à sua maneira!

O pop rasgado de Jimmy Eat World é fácil de se ouvir, traz gostosas melodias, fazendo daqueles momentos estressantes do dia-a-dia menos chatos e eternos. É daqueles álbuns para deixar rolar sem se importar muito com o chefe no seu pé, ou naquele colega chato de classe ao seu lado, pedindo para sair com ele no sábado. Ao diabo com tudo! Pegue seu disquinho e faça tudo sem pedir permissão e curta um pouco mais a vida!

Clique aqui e ouça a faixa ?Get It Faster?.

Se você gostou de JIMMY EAT WORLD, ouça também ? Boxer, Give Until Gone, Jets to Brazil, Sunny Day Real Estate, Our Lady Peace, NOFX, Foo Fighters e Weezer.


SNEAKER PIMPS | Bloodsport

Voltando ao mundo mais obscuro e barulhento, trago o quarto trabalho do Sneaker Pimps. Quarteto lá de Reading, Inglaterra, que desde 95 vem fazendo um som bem perto do trip-hop, eu particularmente não acho que esta seja sua principal característica. Mas, no final das contas as batidas e a desenvoltura vocal chegam bem perto do gênero. Trocando em miúdos: aquela velha história? para que servem os rótulos, senão dividir os discos nas prateleiras das grandes lojas, hein?

Para quem ficou curioso: De onde diabos veio este nome? Respondo: na realidade, os caras do Sneaker Pimps retiraram seu nome de um artigo publicado na ?Revista Grand Royale? ? Beastie Boys ? sobre um cara que rastreava a cidade atrás de tênis (sneakers) clássicos. Daqueles Nikes baixinhos, brancos com solado tipo serrilha, sabe qual é? A propósito, ?pimp? quer dizer ?cafetão?. Daí a brincadeira: Cafetão de Tênis, sacou?! Pois é, desde o lançamento do single ?Tesko Suicide?, em 96, daquele disco verde, ?Becoming X?, os caras não pararam. ?Becoming X? foi considerado um dos melhores daquele ano. Mas, de lá para cá, nada de muito expressivo acabou acontecendo em termos musicais para o Sneaker Pimps. Nada além da mesmice!

Ainda bem que ?Bloodsport? dá o ar da graça com muita atitude, força e criatividade. Boas levadas, samples diferenciados, batidas contagiantes retomando a boa fase do álbum de estréia da banda. Eles resolveram deixar a doçura do disco anterior de lado, e o pseudo-trip-hop também! Estão soando altamente furiosos e pesadões. Mais arrastados do que pesados, estilosos, eu diria. O álbum traz uma carga bruta de raiva e sofrimento. Todos os apuros que a chamada ?Geração X? estão grudados em seus corpos.

Quer saber a real de ?Bloodsport?? Uma verdadeira montanha russa de emoções! Brinca com altos e baixos, abusa do sentimento de segurança alicerçado em nossas almas. Não tem jeito, logo de cara em ?Kiro TV? já apavora e faz sua pele soltar do corpo em movimentos ritmados. Eletricidade pura, grooves bombásticos misturados à letras raivosas e sibilantes. ?Black Sheep? contribui ainda mais para o clima sombrio do lançamento. Gosto da letra de ?M?Aidez? e dos arranjos de ?Blue Movie? com a produção de Flood (Depeche Mode, U2 e Pj Harvey) e Jim Abbis (Björk, DJ Shadow e U.N.K.L.E.), que também aparecem em ?Fuel?.

Embalagem bacana, em papelão, saca? Digipak! Encarte coloridasso com as letras das músicas, fotos com os caras do Sneaker Pimps fazendo pose de fodões. Bã! Confesso que o disco me surpreendeu logo na primeira audição. Vocais femininos muito bons de se ouvir em ?Grazes?, guitarreiras distocidas pegando pesado na levada nem um pouco sadia de ?Bloodsport?. Este disco é daqueles para comprar de olho fechado, sem pestanejar. Corra atrás que vale a pena!

Clique aqui e ouça a faixa ?Kiro TV?.

Se você gostou do SNEAKER PIMPS, ouça também ? Hooverphonic, Solex, Statik Sound System, Moloko, Lamb, Morcheeba, Tricky, Björk, Garbage, The Chemical Brothers, Everything But the Girl, Portishead e Massive Attack.


TANYA DONELLY | Beautysleep

Porra! Não é brincadeira não? Lançamentos fresquinhos saindo aqui em nossa terrinha querida. Quando diríamos isso, hein? Mais um disco saindo do forno, recém-lançado lá fora, em fevereiro para ser mais preciso, e agora aqui! Estou feliz sim, porque a indústria se tocou de que nós existimos e trazemos divisas heróicas, já que o CD aqui custa muitíssimo caro! Exageros na tributação e direitos autorais burlados fazem com que o mercado pirata traga verdadeiros prejuízos para os fabricantes e artistas. Deixo aqui meu protesto contra a pirataria!

Mesmo assim, compramos os disquinhos originais e belos, como este maravilhoso ?Beautysleep? de Tanya Donelly, membro fundadora de três imprescindíveis bandas do cenário underground: o Throwing Muses, o Breeders (teremos álbum novo em breve) e o Belly. É, queridos, poder pequeno da garota aí, hein?! Em 85, junto de Kristin Hersh, formaram a primeira banda americana a assinar um contrato com o magnífico selo britânico 4AD. Falei deste selo semana passada, se lembram? Bom, mais tarde, lá por 89, abraça junto com outra garota fraquíssima, a Kim Deal, ex-baixista do Pixies, uma empreitada prá lá de bacana: o Breeders! Enjoada de tudo, abandona o Breeders para montar sua banda, em 91, o Belly.

Não contente com tudo isso, rompe mais uma vez todas as berreiras e sai em carreira solo, ?Lovesongs For Underdogs?, seu álbum de estréia ? se é que podemos chamar de estréia ? apareceu em 97, com críticas bem positivas. Mas, é com ?Beautysleep? que vemos Tanya renovada e muito revitalizada, depois de quatro anos e meio de silêncio, com seu bebê ainda no colo, cantando ?In the beginning my love was fierce/now I sit with my babe at my breast/I was never this good at my best? (No começo meu amor era feroz/agora, sentada com meu bebê de encontro ao peito/nunca fui assim nem em meu melhor) na faixa ?The Night You Saved My Life?.

Canções como ?The Storm?, ?Keeping You? e ?The Wave? são verdadeiras assinaturas Tanya Donelly, destaque também para os magníficos duetos em ?Life Is But A Dream? e em ?Moonbeam Monkey? com o falecido Mark Sandman do Morphine. São linhas vocais sublimes, perfeitas amostras de beleza sonora. Maturidade, sem dúvida, trazendo um verdadeiro presente aos nossos ouvidos cansados de enganações. ?Beautysleep? vem nos oferecer muito mais do que simples arranjos musicais, nos traz meditação profunda e sagacidade extrema. É com certeza o trabalho mais forte desde ?Star?, do Belly. Um disco magnífico! Great!

Clique aqui e ouça a faixa ?The Night You Saved My Life?.

Se você gostou da TANYA DONELLY, ouça também ? Kristin Hersh, The Breeders, Throwing Muses, Belly , Blake Babies, Juliana Hatfield, Billy Bragg, Heather Nova e Mary Lou Lord.


SALAKO | Musicality

Ô nominho ridículo! Podem até tentar parecer um pouco mais malandros dizendo que Salako é ?idiota? em Turco, mas não se deixe enganar? Os caras são escoceses lá de uma cidadezinha obscura chamada Hull. São da turma do Belle & Sebastian, com uma sonoridade superbem trabalhada, cheia de nuances. O som é bom demais, variando momentos de pura magnitude com maestria e diferentes referências, que à primeira ouvida parecem muito díspares, como: Gorky?s Zygotic Mynci, Beck, Super Furry Animals e os próprios figuras do Belle.

É bem desconcertante… Eles brincam com nosso humor de maneira perigosa. Ora animadinhos como abelhas no jardim, ora bem melancólicos, outras numa leve tentativa através de experimentações sonoras. De uma forma bem geralzona, o disco é super trabalhado e atende aos anseios mais variados de gostos pessoais. Bem acústico, com melodias fáceis, parecendo muitas vezes algo muito familiar. Talvez este seja o intuito de ?Musicality?, segundo da moçada do Salako. É daqueles discos capazes de levantar o astral de qualquer um, bom para aqueles dias flats e preguiçosos.

Lá pelos idos de 95, quatro doidos se uniram formando o que seria mais tarde chamado de Salako. Nas guitarras David Langdale e James Waudby, na bateria Luke Barwell e no baixo Stu. Muitas performances depois, no início de 97, resolvem alterar algumas ?coisitas?: Luke acaba mudando para o baixo, Stu incorpora o teclado ao som e Tommy Spencer assume a batera. Em 98, após algumas tentativas frustradas de meter a banda em estúdio convencional, a Jeepster (mesma gravadora do Belle & Sebastian) acaba os contratando e comprando melhores equipamentos, para instalá-los no quarto de Luke. Na semana seguinte começaram a gravar o disco de estréia ?Re-Inventing Punctuation?.

?Musicality? foi gravado na virada de 98 para 99, com requintes malucos. Quem tem banda vai entender perfeitamente? manja? Meter o guitarra de tua banda dentro do banheiro da casa de sua avó porque a acústica do danado é boa pra cacete? Então, foi mais ou menos assim! Algumas guitarras foram gravadas na praia, outras no correio, para o vocal de ?Arts And Crafts?, James se enfiou no meio de uns casacos. Porém, a passagem impagável do disco fica por conta de uma ?translocada? no meio do coralzinho da Igreja Metodista de Hull, na faixa ?Look Left?, que canta ?I am the light of the lord? (Eu sou a luz do senhor), sendo que todos os outros cantam ?Follow the light of the lord? (Siga a luz do senhor), o correto!

Logo após o lançamento do álbum, seguiram em turnê com a lenda do Low-Fi e uma de minhas bandas prediletas, o Pavement. A última noite da turnê foi no ?London?s Brixton Academy”, onde se viu o fim do Pavement e a saída de Dave Langdale do Salako. Para o fim deste ano, os caras pretendem lançar mais um álbum e sair em uma turnê européia? Salako para os brasileiros, só para aqueles que viajam? uma pena, porque o som é duca! Ouça ?Musicality? sem preconceitos mundanos, pra rodar de cabo a rabo, sem pausas!

Clique aqui e ouça a faixa ?Look Left?.

Se você gostou do SALAKO, ouça também ? Belle & Sebastian, Gentle Waves, The Bats, The Chills, Arab Strap e Snow Patrol.

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