#O designer gráfico Renato Keiteris, 27 anos, novo colaborador do site Waves, escreveu sua segunda coluna Ruídos Alternativos, com muita informação sobre bandas de diversos gêneros e tendências musicais.
Para começar, não percam a promoção relâmpago da quinzena.
PROMOÇÃO RUSTIC OVERTONES
Responda no quadro abaixo quantos são os integrantes da banda RUSTIC OVERTONES e aperte o botão enviar.
Quer uma dica? Leia a resenha desta semana do disco ?Viva Nueva? do Rustic Overtones, que segue logo abaixo.
Corra! Cinco sortudos levarão compilações da Sum Records, com as bandas Slipknot, Human League, Joe Strummer, Mercury Rev, Pennywise, The Black Crowes, Basement Jaxx, entre outras.
Confira os ganhadores da promoção relâmpago Trail of Dead:
Denis Weisz Kuck(RJ)
Mauricio Chame Neto (SP)
Pamela Cristina Freitas Leme (SP)
Edson Massao Sugama (SP)
Amilton Gomes dos Reis (SP)
Não percam as promoções relâmpago que faremos ao longo do ano. Boa sorte a todos !!!
Abraços,
Renato Keiteris | Ruídos Alternativos
Agradecimentos ? Gravadora Sum Records
1. HEATHER NOVA | South
Começando a coluna desta semana bem tranqüilo. Que tal um pouco de música pop simpática e quem sabe, um tanto babinha? Sem nenhum compromisso, na verdade, o que vale é a diversão. Heather Nova traz boas influências em seu som, como Patti Smith e Lou Reed. Nada de Sheryl Crow ou Suzanne Vega.
De qualquer maneira é um álbum bem acessível aos ouvidos, para escutar em casa ou no carro, naquele puta trânsito tradicional da cidade. Nova passou a infância velejando com os pais, até que 87, em Rhode Island (EUA), se firmou compondo algumas trilhas para seus filmes na faculdade de cinema.
Tornar-se cantora e compositora aconteceu naturalmente. Com a mudança para Londres em 90, começa a despontar no cenário da música, firmando parceria com o produtor Youth.
Ela lançou em 93 o EP ?Glow Stars? e em 94 seu primeiro álbum cheio, ?Oyster?. ?South?, originalmente lançado em 2001 lá fora, chega a nossas terras com um certo atraso. Mas, está aí, 13 faixas descontraídas ao máximo.
Descompromisso é a palavra! Gosto das faixas ?Gloomy Sunday?, uma combinação de batidas leves na voz hipnótica de Heather. A acústica ?Tested? e a enebriante ?Just Been Born?. No encarte, letras e fotos bem legais.
Para curar o stress a qualquer hora e local! Cool!
Clique aqui e ouça a faixa ?Gloomy Sunday?.
2. THE CHARLATANS | Wonderland
Em 94, prisão do tecladista Rob Collins, três anos depois sua morte, roubados pelo empresário, mudanças de ares. Esta é a história da última década, dos, agora calejados, The Charlatans.
Sim, tudo isso! Para os saudosistas tudo começou em 90, com o single ?The Only One I Know? e da conturbada trajetória vivida pelos caras até hoje. O retorno é triunfal, digamos em completo estilo. Uma volta a boa forma, uma revolta citro-psicodélica.
?Wonderland? foi gravado entre Los Angeles, onde o vocalista Tim Burgess mora com a mulher, e nos estúdios Mushroom em Cheshire, na Inglaterra. Enquanto o anterior ?Us And Us Only? brincava do lado mais rock?n?roll da cerca, este gradualmente traz texturas modernas, abusa da veia dançante, resultando em pimenta para os ouvidos!
Surpreenda-se. O resultado final de ?Wonderland? é profundamente conciso. As canções parecem ligadas por um condutor vibrante e potente. Os vocais misturam-se às camadas de guitarras ritmadas e as batidas entorpecem os sentidos, como em ?I Just Can?t Get Over Losing You?.
Pasmem fãs. Tim canta em falsete descaradão bem ao estilo daquelas bandas setentonas, ouça ?You?re So Pretty ? You?re So Pretty? faixa que abre o disco e ?Judas? que é bem pop, daquelas que grudam e você fica cantando o dia inteiro. Encarte bacana, com fotos legais e letras das músicas. No todo, uma volta interessante aos estandartes sonoros, em alto e bom som!
Clique aqui e ouça a faixa ?You?re So Pretty ? You?re So Pretty?.
3. BOB MOULD | Bob Mould
Antes tarde do que nunca! Discão do ex-membro do Hüsker Dü e do Sugar. Bob Mould, um nome que dispensa apresentações! Da hibernação para as prateleiras, dois álbuns imperdíveis de Mould.
?Bob Mould?, também conhecido como ?Hubcap?, de 96, e o mais recente de seus trabalhos, ?The Last Dog & Pony Show?, de 98, duplo com entrevista no disco extra. Mas, vou me prender ao disco homônimo por uma questão óbvia, é uma declaração clara e profundamente pessoal em que Mould toca todos os instrumentos com autenticidade e violência. O quê ? Calma e volte a ler …
?Bob Mould? é o terceiro trabalho de sua carreira solo. Fascinado pela simplicidade de bandas como Sebadoh e na boa fase do Guided By Voices, Mould grava o disco todo sozinho, sem soar como um projeto low-fi. Cria, compõe, produz e arrebenta! Nos temperos ácidos, o disco soa etéreo e bastante vivo.
?Anymore Time Between? vem toda cheia de climas, preparando terreno para guitarra e voz de ?Thumbtack?. A barulhenta e magnífica ?Hair Stew? impressiona. Mas é em ?I Hate Alternative Rock? que a coisa vem abaixo! ?Bob Mould ? Bob Mould? é ataque sonoro cheio de ira direto aos ouvidos! Aproveite!
Clique aqui e ouça a faixa ?I Hate Alternative Rock?.
#4.DE PHAZZ | Death By Chocolate
Sabor adocicado envolto a grooves deliciosos. Levadas que nos remetem facilmente à hipnose total e completa. Depois de dois discos elogiadíssimos pela crítica lá fora, ?Death By Chocolate? dos alemães do De Phazz, é aconchegante ao extremo. Grandes arranjos de trompete, clarinete, sax e outros instrumentos de sopro, colorindo todo o universo jazzístico à la Burt Bacharach de meados da década de 60.
Quando vocês se depararem com o disquinho e seu encarte, automaticamente o clima retrô preguiçoso como um cocktail ao cair da tarde, penetra nos poros da pele teletransportado na forma de letras descontraídas e fáceis. Toques latinos bem evidentes em ?Roy?s Choice?, uma bela bossa marota em ?Jeunesse Dorée? e a contagiante levada de ?Jim The Jinn?, é demais!
Passe a mão em um copo cheio de ritmos e colagens combinados como naquele seu drink preferido. O produtor Pit Baumgartner comanda o bar: Bernd Windisch (baixo), Jan Fride (bateria), Roy George Randolph (percussão), Joo Kraus (trumpete), Otto Engelhardt (teclados e trombone) e alternando-se nos vocais Karl Frierson, Barbara Lahr além de Pat Appleton. Acho que nada melhor do que uma morte anunciada pelo gingado achocolatado e sedutor de ?Death By Chocolate?. Embriaga e o melhor de tudo … sem a famosa ressaca do dia seguinte!
Clique aqui e ouça a faixa ?Jim The Jinn?.
5. BOB GELDOF | Sex, Age & Death
Confesso que quando vi este álbum, torci um pouco o nariz, Bob Geldof, aquele cara que depois de participar do Boomtown Rats, na primeira metade da década de 70, começa a fazer um ?popzinho? sofisticado como da época de ?I Don?t Like Mondays?! Depois ajudou à combater a fome na Etiópia com a Band Aid, banda não, projeto de auxílio, o cara foi até indicado ao Prêmio Nobel … nada contra, muito pelo contrário e outra se fosse levar à cabo minha decisão. HÁ!
Tinha perdido um super disco … aí é que está, justamente por isso que estou escrevendo esta coluna, para que tomemos contato com a diversidade musical interessante por aí, tudo contra a mesmice instalada! Pois é … o disco é bom, camaradas! É rock?n?roll sim! Toquezinhos bem modernosos sem perder originalidade e sem nenhum exagero. Efeitos profundos e sabiamente utilizados como na gostosa ?The New Routine?, letras bem introspectivas e grandes sacadas ao longo do álbum.
Os ecos de Pink Floyd são vistos em ?Mudslide?. A capa do disco já diz tudo, encarte bacana com fotos, ilustrações e a última página com a foto de Geldof podrão à la Keith Richards, dos Stones, vale o disco. Ouça também a lentona e triste ?My Birthday Suit?, guitarreira, palavrões e uma gaitinha em ?Inside Your Head?. Quer saber? Calei minha boca! O disco é duca. Procure e não se arrependa!
Clique aqui e ouça a faixa ?Mind In Pocket?.
6. DMX | The Great Depression
Porra! Não tem jeito, quando começo a ouvir DMX, o universo aí fora acaba soando fraco, sem atitude … calma … a sensação é esta … entenda minha viagem ouvindo ?School Street? deste quarto e mais recente trabalho de Earl Simmons, ?The Dog? ou simplesmente DMX.
Just like that! É assim mesmo, rápido e rasteiro. Moderno e inovador. Click, click … BUM! Não tem jeito, ele não mostra a exaustão de muitos artistas, tudo deveria partir do cômodo, da mesmice … Nada! Rola até uma guitarreira pesadona em ?Bloodline Anthem? e ?I?m A Bang?. Três músicas escondidas depois do final das 17 faixas, ?The Kennel?, ?Problem Child? e ?Shit Still Real?.
Outra bela surpresa, além da maturidade acentuada evidente das letras, é o tratamento da instrumentação. Cão raivoso! Ouça ?Damien III?, colocando as tripas de fora, latidos e gritos disco adentro, chega ?Number 11? e ?You Could Be Blind? prende entre os dentes com força. Sem esquecer das clássicas participações especiais, Stephanie Mills, Faith Evans, Mashonda … Fazendo o balanço geral … Click, click … BUM! Na cabeça!
Clique aqui e ouça a faixa ?School Street?.
#7. RUSTIC OVERTONES | Viva Nueva
Sonzeira daquelas! Big Band, sete integrantes, funk, soul, guitarreiras claras e vibrantes. Nativos de Portland, no Maine, EUA, fora do eixo das tradicionais capitais musicais, contagiam na primeira audição. Combinando sons e sabores ora adocicados, ora salgadíssimos, ?Viva Nueva? traz além de muita energia, grandes participações como David Bowie em ?Sector Z?, Funk Master Flex em ?Smoke?e Imogen Heap em ?Valentine?s Day Massacre?.
A produção do álbum é impecável e prima pela qualidade na equalisação correta e limpa de todos os instrumentos. O disco abre com o hit levante-as-mãos-e-cante-junto ?C?mon?, rolando macio até o calipso modernoso de ?Crash Landing? e rompe as barreiras sonoras em ?Smoke?! Enquanto ?Combustible? ? minha preferida ? incendeia qualquer lugar onde for tocada por conta de seus insandecidos naipes de metais.
?Hit Man? oferece paz em um calmo e singelo arranjo soul. Para fechar o disco, a classuda ?Man Without a Mouth?. O álbum como um todo é formidável, dançante e forte o suficiente para rolar sem parar em seu CD Player. Imperdível!